Me pergunto Às vezes me pergunto se sou... P. silva3

Me pergunto



Às vezes me pergunto se sou escolha ou consequência,
se minhas paredes foram erguidas por mim
ou levantadas à força pelas mãos que partiram.
Não sei se sou frio (a),
ou se apenas aprendi a não queimar mais por ninguém.


Não sei se gosto do silêncio
ou se ele foi a única resposta quando precisei falar.
Talvez eu não seja forte —
talvez só tenha continuado
porque parar
ninguém percebeu que doía mais.
Entre pedidos não atendidos,
fui virando ausência dentro de mim.


E se no fim eu não for vazio (a),
apenas cheia demais de marcas?
Não feita de falhas,
mas moldada por tudo que sobrevivi.
Talvez eu não seja o que me tornei —
talvez eu seja o que restou
depois que o mundo tentou me quebrar.