A maior sacada do Sistema ao... Alessandro Teodoro

A maior sacada do Sistema ao tropeçar na impossibilidade de humanizar os robôs foi Robotizar os Humanos.
Não porque nos tenham instalado fios sob a pele ou chips invisíveis na consciência.
Mas sim, porque nos convenceram de que eficiência vale mais que sensibilidade, desempenho mais que presença e produtividade mais que propósito.
Transformaram o tempo em moeda, a atenção em mercadoria e os afetos em distrações inconvenientes.
Se não conseguiram ensinar as máquinas a sentir, ensinaram as pessoas a não sentirem demais.
Se não puderam programar empatia em códigos, programaram respostas automáticas em nós.
Reagimos antes de refletir o tempo todo.
Compartilhamos antes de compreender.
Julgamos antes de escutar.
Robotizar o humano é muito mais fácil e sutil do que parece.
Não exige aço nem parafusos — basta pressa constante, comparação permanente e a ilusão de que parar até para respirar é fracassar.
Aos poucos, a alma vai sendo substituída por algoritmos invisíveis: hábitos repetidos, opiniões terceirizadas e indignações sob medida.
E o mais curioso é que muitos chamam isso de evolução.
Talvez o verdadeiro ato revolucionário, hoje, seja o oposto: desacelerar quando todos correm, ouvir quando todos gritam, sentir quando todos performam.
Ser imperfeitamente humano num mundo que premia respostas automáticas pode ser a mais alta forma de resistência.
Porque, no fim, não é a Inteligência Artificial que ameaça a nossa humanidade — é a desinteligência para exercê-la.
