Você se desgarrou de mim, mulher, feito... Raimundo Santana
Você se desgarrou de mim, mulher,
feito vento que vira poeira na estrada.
Diz pra mim o que foi que aconteceu,
teu castelo caiu? tua farsa foi desmascarada?
Chega desse mi mi mi ensaiado,
dessas lágrimas que não molham o chão.
Bandida de promessa quebrada,
não pisa mais no meu coração.
Vai pastar onde você desejar,
corre solta nesse mundo sem lei.
Só não venha bater na minha porta,
porque eu já me vacinei de você.
Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, atirando desprezo,
ferindo quem só quis te querer.
No teu universo não habita ninguém,
é deserto de amor e ilusão.
Vai te-dá-qui, ordinária,
meu mundo não é teu abrigo, não!
Você brincou de amar comigo,
como quem troca roupa de ocasião.
Fez do meu peito um circo barato,
e da saudade, uma maldição.
Mas hoje eu ergo minha cabeça,
mesmo sangrando por dentro ainda.
Quem perde não sou eu nessa história,
é você que ficou sem guarida.
Refrão
Eu não tenho espaço no meu mundo
pra você passear, entrar e sair quando quiser.
Pistoleira ingrata, coração de pedra,
não volto atrás pra te acolher.
No teu universo não habita ninguém,
é frio demais pra eu morar.
Vai pastar longe de mim, mulher,
que eu nasci foi pra me valorizar.
