Chora não, cobra, ela sempre diz que... Raimundo Santana

Chora não, cobra, ela sempre diz que vai voltar.
Sai no rolê da geral, jura que é distração.
Some na poeira da noite, inventa ocupação.


Dizem que é rotina velha, costume de quem não para.
Promete pouco, entrega menos,
vive de ida e volta como se fosse normal.


Vai, faz o que quer da vida,
e depois retorna como se fosse leal.
São hábitos repetidos,
de quem não conhece respeito.
Você fica na espera,
acreditando em conto malfeito.


Refrão
Corno manso, pra que esse desespero?
Ela sempre volta quando acaba o passeio.
Se aquieta, boi, para de ilusão,
onde a vaca anda solta,
o boi segue atrás ou decepção.


Ela chama de liberdade,
você chama de amor.
Mas no fundo é dependência
disfarçada de dor.
E assim o ciclo se fecha,
ela vai, você espera em vão.
Ela vive o mundo inteiro,
você preso na mesma estação.


Corno manso porque o desespero.
Ela sempre volta após fazer a caridade.
Te aquete boi onde a vaca vai o boi cheira atrás.


Dizem que ela vai na oficina limpar o escapamento.
Passa no encanador pra desentupir o encanamento.
São rotinas da rameira.
Após ela prestar o serviço volta pra casa.
Te avexi não boi ela volta.