No recanto O vento quente do sertão... P. silva3

No recanto


O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.


Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.


No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.


Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.