ROCHA E LÍNGUA. "A rocha de onde... Marcelo Caetano Monteiro
ROCHA E LÍNGUA.
"A rocha de onde estás sentado está menos gasta que teu cérebro e tua língua."
A rocha permanece porque suporta o tempo em silêncio. O cérebro desgasta-se quando abdica do esforço de pensar. A língua consome-se quando fala sem medida e sem verdade. O homem antigo temia o juízo apressado porque sabia que a palavra cria destinos. O hábito moderno gasta a mente pela repetição e a língua pela leviandade. Não é o peso dos anos que corrói o espírito. É a preguiça de refletir e a vaidade de opinar. A rocha não discute. Não se exibe. Não precisa convencer. Ela apenas permanece. E é nessa permanência que ensina que pensar exige recolhimento e falar exige responsabilidade. Que o verdadeiro vigor não está no ruído mas na solidez interior que resiste ao tempo e ao erro com dignidade.
