Costumamos eternizar coisas que, na... Querlis Patricia Alves da...

Costumamos eternizar
coisas que, na verdade,
não têm mérito algum
para serem eternas.


Amores que não se concluíram
ganham status de perfeitos
justamente porque ficaram pela metade.
Nessa ausência de fim,
mora uma pergunta insistente:
e se…?


O inacabado seduz.
Não foi testado pelo tempo,
não enfrentou a rotina,
não precisou permanecer.


Por isso parece grande,
quando na verdade
é apenas incompleto.


Talvez seja hora
de valorizar o que é real,
o que é existencial,
o que ficou
e escolheu ficar.


E, sobretudo,
parar de cultuar
aquilo que não teve coragem
de se tornar inteiro.


Nem tudo o que não acabou
merece ser eterno.


Algumas coisas
apenas ficaram pela metade porque era exatamente
até ali que podiam ir...