A NEGAÇÃO DO SENTIDO HUMANO E A PERDA... MARCELO CAETANO MONTEIRO

A NEGAÇÃO DO SENTIDO HUMANO E A PERDA DO PROPÓSITO CRIADOR.
Este artigo propõe uma análise acadêmica de natureza filosófica e antropológica da afirmação segundo a qual aquele que declara que nada somos no mundo distancia-se do propósito do Criador mesmo sem o conhecer. A investigação parte da compreensão do sentido existencial do ser humano ao longo da tradição clássica e espiritual, examinando as implicações psicológicas, morais e metafísicas da negação do valor ontológico da pessoa. Conclui-se que tal negação não constitui apenas um equívoco intelectual, mas uma ruptura profunda com a vocação essencial do espírito humano, que é a realização do sentido, da responsabilidade e da transcendência.
"PALAVRAS CHAVE"
Sentido da existência. Antropologia filosófica. Finalidade espiritual. Psicologia do vazio. Ética do ser.
"INTRODUÇÃO"
A afirmação de que o ser humano nada é no mundo tornou-se recorrente em discursos marcados pelo niilismo contemporâneo e por leituras fragmentadas da realidade. Tal postura não surge apenas como construção teórica, mas como reflexo de uma crise mais profunda de sentido, identidade e pertencimento. Ao declarar-se inexistente em valor ou finalidade, o indivíduo não apenas se descreve, mas redefine sua relação com o mundo, com o outro e com aquilo que transcende a matéria. A frase que orienta este estudo revela, em sua concisão, uma crítica severa a essa postura, apontando que a negação do próprio valor conduz inevitavelmente ao afastamento do propósito criador, ainda que este não seja conscientemente reconhecido.
"FUNDAMENTAÇÃO ANTROPOLÓGICA"
Desde a tradição clássica, o ser humano foi compreendido como um ente dotado de finalidade. Não se trata apenas de existir, mas de existir para algo. A ideia de propósito não é acessória, mas constitutiva da noção de humanidade. Negar o próprio valor equivale a negar a própria condição de ser, reduzindo a existência a um fenômeno acidental e desprovido de significado. Tal redução empobrece a compreensão da consciência, da moral e da liberdade, elementos que historicamente definem o humano como mais que um organismo biológico.
"IMPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS DA NEGAÇÃO DO SENTIDO"
No campo psicológico, a afirmação de que nada somos manifesta-se como sintoma de vazio existencial. A ausência de sentido gera desorientação, angústia e apatia, conduzindo o indivíduo a estados de desânimo profundo e perda de responsabilidade sobre si mesmo. Quando o sujeito internaliza a ideia de insignificância, enfraquece-se o impulso de crescimento, de cuidado e de compromisso. O resultado não é liberdade, mas abandono interior. Assim, a negação do propósito não liberta, mas aprisiona a consciência em um estado de estagnação afetiva e moral.
"DIMENSÃO ESPIRITUAL E PROPÓSITO CRIADOR"
A noção de Criador, independentemente da tradição religiosa específica, representa simbolicamente a origem do sentido e da ordem. Perder-se do propósito do Criador não significa desconhecer dogmas, mas afastar-se da lógica do sentido, da harmonia e da responsabilidade. Mesmo aquele que afirma não conhecer o Criador pode alinhar-se ou afastar-se de seu propósito pela forma como compreende a si mesmo e ao outro. A negação do valor próprio constitui, portanto, uma recusa implícita da finalidade maior da existência, que é o aperfeiçoamento do ser e sua integração consciente no todo.
"CONSEQUÊNCIAS ÉTICAS E SOCIAIS"
Quando o indivíduo acredita que nada é, o outro também se torna nada. A ética enfraquece, a solidariedade se dissolve e a dignidade perde fundamento. Sociedades marcadas por essa visão tendem a relativizar o valor da vida, da justiça e do cuidado mútuo. A afirmação inicial, portanto, ultrapassa o âmbito individual e alcança dimensões coletivas, advertindo que a negação do sentido humano compromete não apenas o sujeito, mas a estrutura moral da convivência.
"CONCLUSÃO"
Aquele que diz que nada somos no mundo não apenas se equivoca conceitualmente, mas se afasta da própria raiz do existir. Mesmo sem conhecer conscientemente o Criador, perde-se de seu propósito ao negar em si aquilo que o torna humano, responsável e transcendente. Reconhecer o valor do ser não é um ato de vaidade, mas de lucidez. É nesse reconhecimento que o espírito reencontra o sentido, resgata sua dignidade e reafirma sua vocação de caminhar, aprender e edificar, mesmo em meio às sombras do tempo presente.