Quando o amor era só desejo, ele cabia... Gabrielle Torok
Quando o amor era só desejo,
ele cabia nas mãos do controle.
Agora que é real,
exige entrega,
e isso assusta.
O amor é intenso,
e o medo dele não nasce da fraqueza,
nasce da consciência.
Não é falta de querer,
é o entendimento do peso do que foi pedido.
Enquanto era busca,
era idealização.
Quando aparece,
vira risco,
responsabilidade,
vulnerabilidade.
O coração que pediu
percebe:
“isso pode me transformar”.
Quem foge do amor
não foge do outro,
foge da própria rendição.
E, às vezes, fugir
não é rejeitar,
é aprender a confiar
no tempo certo.
É dar passos para trás,
para observar, absorver e aceitar
que aquilo que tanto se desejou
chegou.
