Quantas mortes cabem em um homem?... Hercules Vinícius dos...

Quantas mortes cabem em um homem?


Quantas vezes preciso
me congelar por dentro,
silenciar o sangue,
matar versões de mim
para que outra respire?


Há reinícios que não são começos,
são funerais discretos.
Enterros sem caixão,
onde sepulto nomes,
rostos, culpas e promessas quebradas.


Recomeçar não é viver:
é sobreviver ao próprio incêndio.
É virar cinza consciente,
sabendo que a chama não acabou —
apenas mudou de forma.


Toda vez que me mato por dentro,
algo em mim aprende a nascer.
E talvez o verdadeiro milagre
não seja recomeçar do zero,
mas continuar existindo
mesmo depois de tantas mortes.