As Fake News são produzidas para... Alessandro Teodoro

As Fake News são produzidas para Enganar ou Retroalimentar o mau-caratismo dos Asseclas?
Na era das fake news, a dúvida que não cala já não é apenas sobre a mentira em si, mas sobre a sua vocação.
Elas nascem para enganar os desavisados ou para alimentar, com doses regulares de ilusão, o mau-caratismo dos asseclas apaixonados?
Talvez para ambos…
A mentira digitalizada é muito raramente improvisada; mas pensada, lapidada e distribuída como ração ideológica.
Ela não busca convencer pela verdade, mas pela repetição.
Não apela à razão, mas ao afeto mal resolvido — medo, ressentimento, sensação de pertencimento…
Assim, não se limita a iludir: ela conforta.
Oferece ao fiel a tranquilidade de não precisar pensar, apenas reagir.
Há quem consuma fake news como quem bebe um veneno sabendo da toxicidade, mas apreciando o efeito.
Nesses casos, o engano já não é o objetivo principal; o propósito é justificar a própria vileza, dar verniz moral ao ódio e aparência de causa nobre ao mau-caratismo.
A mentira vira espelho: não deforma o caráter, apenas o revela.
O mais trágico não é a existência da fraude, mas a disposição de defendê-la com lealdade e fervor religioso.
Quando a verdade ameaça a identidade do grupo, ela passa a ser vista como inimiga.
E, então, mentir deixa de ser um erro para se tornar um ato de lealdade.
Nesse cenário, a fake news não prospera apenas porque alguém a fabrica, mas porque muitos a acolhem com gratidão.
E talvez a pergunta mais honesta, urgente e necessária já não seja quem mente, mas quem precisa tanto da mentira para continuar acreditando até em si mesmo.
