O Conhecimento Não Mora em Gavetas O... Saulo Santiago

O Conhecimento Não Mora em Gavetas

O conhecimento não mora em gavetas.
Não foi feito para ficar guardado, acumulado ou protegido como se fosse posse.
Quando fica apenas interno, tomado só para si,
ele perde função e se transforma em vaidade silenciosa.

Ter mais conhecimento do que alguém não nos torna melhores.
Nos torna, no máximo, mais responsáveis.
Porque valor humano não se mede pelo quanto se sabe,
mas pelo que se faz com aquilo que se aprendeu.

Às vezes, o mais humilde carrega um saber
que nenhum diploma oferece.
Outras vezes, alguém simplesmente buscou mais,
teve acesso, insistiu, estudou.
São caminhos diferentes,
não degraus.

E o mais honesto é reconhecer:
todos podem buscar conhecimento,
de uma forma ou de outra.
Na teoria, na prática,
na vivência, no erro, na escuta.

Seja o conhecimento simples ou avançado,
há algo profundamente humano em passá-lo adiante.
Ajudar alguém em algo pequeno,
ensinar um detalhe,
ou transmitir uma técnica complexa
carrega o mesmo princípio:
o saber só cumpre seu papel quando alcança o outro.

E, curiosamente,
a satisfação de quem ensina
muitas vezes é maior do que a de quem aprende.
Não por orgulho,
mas porque ensinar é revisitar o próprio caminho
e perceber que aquilo que um dia foi dificuldade
agora virou ponte.

Guardar conhecimento não é neutralidade.
É omissão bem vestida.
Quem sabe e se cala,
quando poderia orientar,
faz uma escolha.

Conhecimento que não circula endurece.
Perde o sentido.
Já o conhecimento compartilhado cria continuidade,
constrói autonomia
e fortalece pessoas comuns para situações reais.

E no fim, nunca foi sobre quantidade.

Se de todas as pessoas a quem tive a oportunidade
de passar um pouco do que sei,
apenas uma levar isso para a vida
e usar de verdade,
eu já me sinto realizado.

Porque ensinar não é sobre ser melhor.
É sobre ser útil.

E conhecimento de verdade
não mora em gavetas.
Mora em mãos estendidas,
em vozes que explicam,
em vidas que seguem um pouco mais preparadas.