O Banquete do Vazio - Vinicius Monteiro... Vinicius Monteiro Tito

O Banquete do Vazio - Vinicius Monteiro Tito

Garras de breu rasgam o tecido do nada,
Onde o éter sangra um silêncio corrosivo;

Não são aves que circundam a mente estraçalhada,
Mas o próprio tempo, esse verme faminto e vivo.

O céu não escarnece — ele é um olho cego e oco,
Refletindo o vácuo que a alma insiste em parir.

A alegria morta é um espectro que quebra o pescoço,
Forçando o olhar para o horror que está por vir.

Demônios não esperam; eles já habitam a medula,
Costurando o luto no que ainda nem nasceu.

A loucura não é nuvem, é o oceano que anula,
Onde o "eu" se afoga no que Deus esqueceu.

Lá embaixo, onde a luz é um mito sepultado,
O espírito é o banquete, a fome e o altar.

Condenado a ser, em um eterno agora gelado,
A própria ruína que não cansa de desabar.