Vem em mim. loba solitária indomável,... Raimundo Santana

Vem em mim. loba solitária indomável,
rasga com teus dentes o véu da minha razão.
Deixa que tua pele selvagem se misture à minha,
num ritual de luxúria e liberdade.

Quero tua respiração como tempestade,
teu olhar como lâmina que corta certezas,
teu corpo como território proibido
onde só os corajosos ousam entrar.

Serei teu alfa, teu cúmplice, teu pecado,
e juntos faremos da noite um altar profano.
No teu covil, quero perder-me sem retorno,
ser prisioneiro voluntário da tua ferocidade.

Que o mundo nos julgue,
que os céus se escandalizem,
pois na tua matilha de desejos
eu escolho ser fera, não homem.