O labirinto das verdades absolutas... Islene Souza

O labirinto das verdades absolutas




"Quando tomamos nossa própria verdade como um dogma absoluto, erguemos muros onde deveriam existir janelas; não sobra fresta para o novo, nem solo para o conhecimento germinar.
Toda moeda carrega o peso de dois lados, mas há verdades que nunca foram vocalizadas — habitam apenas o silêncio das suposições e o eco do que presumimos ser real. A comunicação, em sua essência, não é o ato de falar, mas a sede de compreender. Sem a entrega da atenção e o ritmo sagrado da troca, a palavra se esvai no vazio. Quando o diálogo morre, a fala deixa de semear; resta apenas o monólogo árido de quem se julga dono da razão, onde uma única verdade impera e isola.
Embora a vida seja, como diz o poeta, a arte do encontro, os desencontros são o espelho das nossas resistências. É preciso coragem para trilhar caminhos que desmoronem as barreiras que nós mesmos edificamos diante do horizonte.
A sabedoria reside em decifrar que, por trás de cada certeza alheia, pulsa uma história invisível. Você não precisa concordar, mas precisa reconhecer que existe uma verdade — moldada por dores, heranças e contextos — que moveu o outro em sua direção. Há sempre um mestre à nossa frente, se estivermos dispostos a despir o orgulho para, finalmente, aprender a ouvir."




Reflexão filosófica
Islene Souza