Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira: Efeito Borboleta Depois do fim, esvoaça...

Efeito Borboleta

Depois do fim, esvoaça o papel.
Depois do fim, crisálida borboleta.
Depois do fim, minha história de fel.
Depois do fim, derrama tinta a caneta.

Depois do fim, oração.
Depois do fim, lagarta.
Depois do fim, dissolução.
Depois do fim, o arder desta carta.

Porque o princípio foi audaz,
Foi ser poeta dançarino,
Foi ser Ingénuo rapaz,
Foi deixar o sonho ser menino.

Foi princípio incerto de ser capaz,
Foi puberdade visceral,
Foi ser mestre, júbilo sagaz,
Foi ser amante literal.

Foi ser incumbido da missão,
Foi morder a maçã da poeta da Eva pró Adão,
Foi abdicar do princípio com obstinação,
Foi só uma escolha má.

Foi lutar contra a construção,
Esconjurar, moral, religião e educação,
Foi pré-requisito,
Ainda assim... o mais puro livre arbítrio.

Foi o que me levou ao precipício.
Foi dar três passos tamanhos,
Foi voar para o infinito,
Foi ressuscitar após três dias
o princípio mais bonito.

Foi onde a gloria não mais padeceu,
Foi emancipar, dedilhar vida,
Foi onde este rapaz nunca mais se perdeu,
Foi prazer em fazer sangrar ferida.

Princípio, homem, mulher e filho,
Foi subir de novo o trilho,
Foi vida altruísta,
Foi ver crescer, viver, ser masoquista.

Foi almejar fim,
Como se fosse novo início.
Foi no leito amados a volta de mim,
Foi o meu último princípio.

Foi ver borboleta posada na pena do poeta,
Foi deixar voar bons tempos,
Foi imaginar no breve momento o sorrir da neta,
Foi história em escrita em folha de papiro,
que agora esvoaça no pensamento do admiro!


A história do bater das assas de uma borboleta, que no fundo não é mais do que as repercussões subjectivas do impacto que qualquer escolha que façamos, por mais pequena que seja, pode ter em nossas vidas!

Inserida por ruialexoli