Selecção semanal
5 achados que vão mudar sua rotina Descobrir

Tu, com dúvida me invades. Não há... Fernanda Furini

Tu, com dúvida me invades.
Não há minutos compensativos que me possam saciar.
Essas semeaduras ortográficas cessarão, se a energia que as forma não tocar, de fato, a tua pele e o teu ar, aos quais se destinam.
A imaginação me retalha. Amplia a presença da tua ausência!
Acúmulos de acúmulos me habitam.
Gritos contidos.
Olhar canino amedrontado busca o escuro nas cortinas guindadas de minhas pálpebras cansadas.
Em mim mora o cão carente de rua e o leão predador e selvagem.
Assim, antiga rixa animalesca faz-se dentro de mim.
E, contrariando o óbvio, é o cãozinho que te devora, enquanto o leão apenas observa de longe, não ousando atacá-la para simplesmente saciar seus desejos predadores. Meu coração canino é teu, e torna-se grande para te devorar com amor.
Ahhh... faminta de ti!
No coração em prantos guardo o teu renegado... meu legado sentido.
Rótulos confundem minha mente abstraindo-me de ti.
Sou tua afinal? Devo-te manter única habitante de mim? Para qual fim?
Dei-te meu amor. Presente da alma embrulhado em papel carmim...vivo!
Papel machê embebido em sangue vivo.
Pulso por ti.
Umedeço quando o vento usa teu perfume.
Vento quente em pleno inverno! Traz-me notas de sândalo esmagado com teus pés de aço.
Incandesco quando ele me traz você.
Vento, faz-me um favor, leve contigo a minha memória epidérmica.
Dê-me terreno fértil para o plantio prematuro que insisto em regar.
Não quero beijos que encaixam e escassam.
Não quero o gemido perfeito da voz que recusa-me ao pé da minha alma.
Náo quero o lambusar-me no gosto que me gosta vez ou outra.
Mel de infernal doçura!
Magia negra da qual sou vítima consentida de nós.
Bruxaria de macabro encanto.
Renego-me quando vivo-te uma noite toda!
Piso-me para tocar teus pés de veludo.
Engato-me em ti de uma forma que mal sei voltar. E para que voltar?
Misturo a tua saliva na minha. Alquimia que fermenta em perfeição embriagante.
Ahhhh... maldito sentimento!!!
Coração pasmo, ridículo, insano!
Cravar as unhas e abrir caminho até teu coração?
Não! Unhas tem bactérias! Minha mente hipocondríaca não me permitiria. Tampouco meu coração anarquista, mas correto.
Então, ouso aranhar as tuas costas, com a vontade de que entre em mim. Puxo-te para mim com a fúria de um coração magoado pelo prazer que me proporcionas.
Ohhh... sou tão humana!
Tao patética e carnal.
Tão passionalmente emocional!
Olhei-me, de relance no vidro da vitrine embaçada. Olhos de introspectivo luto. Olhar de partida.
Vou-me.
Ahhh... e vento, por favor, ajude-me a respirar toda a vez que eu tiver que partir dos braços dela.