Foi Deus que fez o Vento
QUANDO O VENTO MATAVA A FOME A ALGUNS POETAS
Agreste vento do meu viver
Arrasta-me nas tuas asas contigo,
Seja por amor ou maior castigo,
Sou aquela besta de um ser
Que nunca quiseste ser comigo.
Credor sou da má sorte de bicho
Devedor és tu de falsas esperanças
Mortas à nascença como crianças
Abandonados fetos em sacos de lixo.
(Carlos De Castro, in Rio da Cerezelha, 28-06-2022)
SE EU MANDASSE
Oh, se eu mandasse nos tempos
E nas vidas das mentes
Decretava aos quatro ventos
Mesmo que cinzentos
E sem mais lamentos:
Quem for de mente que não mente
Nem demente
Nunca deve morrer depois dos poetas!
Deve partir ao mesmo tempo de todos,
Porque os poetas
Mesmo que anacoretas,
Nasceram para escrever a rodos
Imagens de pinturas primárias
Que animam o mortal
A viver uns tempos mais
Na vida dos arraiais
Porque afinal,
É no sonho de outras vidas planetárias
Que os viventes cantam outras árias
Cantigas, a uma só voz
Por mim, por ti e por nós.
(Carlos De Castro, in Morra A Censura, em 19-07-2022)
TRISTEZA INFINITA
Que triste este sol
Hoje, neste outono.
Vede como chora
Agora,
O vento cerol
Colado a mim como dono.
Que triste é ser tão tristonho,
Como árvore que dá flor
Sem amor,
No outono,
Fadada a não medrar.
Que angústia vai neste olhar
Nesta sempre tristeza minha,
Infinita,
Que mesmo amordaçada grita
Pela liberdade de amar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-10-2022)
(DE) PRESSÃO
Eu sei que:
Quando já não ouves
A voz do vento,
O chilrear das aves do céu,
O amor a cair levemente
Da razão do teu lamento
Como se fosse um véu
De noiva de neblina
Por estrear,
Ou cavalo à solta sem crina,
Dois bailarinos sem dançar...
Eu sei que:
Quando não desvendas
O mistério do teu eu,
Como nuvem presa no céu,
Prenhe sem chuva de rendas...
Eu sei que:
Quando choras, por chorar,
Sem ritmo, ou emoção natura,
Os teus olhos só podem mostrar
No mapa do teu rosto à procura
De lágrimas secas por achar...
Eu sei que:
Sofredor amigo, quase meu irmão;
Eu sei que estamos os dois
No agora e num depois
Vivendo,
Sofrendo
E chorando,
Esta imensa (de) pressão.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 25-11-2022)
A BORBOLETA
Era branca,
Com uma mescla de cinzento
E voava
Voluptuava,
Como um balão ao vento.
Poisou ela
Numa flor amarela
E ali se demorou
E extasiou,
A beijá-la.
A flor, então corou
Parecia-me até que tombou,
Mas não.
Era a flor então
Que beijou também
A branca borboleta
Com uma mescla de cinzento,
Mas, eis que surge um senão:
Soprou forte o vento,
Eu estava a ver, porém
A borboleta voou
E poisou
Numa flor branca
E não gostou.
E voou, voou...
Eu também poiso só
Em flores que gosto,
Para não sofrer o desgosto
De meter dó.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-02-2023)
Tenho no vento um amigo confidente fiel de raiz.
É ele que me diz às vezes que faço bem em esquecer os males do mundo, para não correr o risco de me olvidar de mim e renegar que existo.
NOVOS TEMPOS VIRÃO
Há tempos atrás dos tempos,
O vento sussurrou-me ao ouvido:
" O sol vai deixar de brilhar!
A lua, viúva, de negro vai ficar!
A chuva, disse-me, vai mirrar!
Eu, por mim, estou a esvaziar!
O céu, vai cair a arder,
No leito seco do mar!
As montanhas irão desmoronar!
Os prados verdes vão crestar!
As árvores, de podres, irão chorar!
Ouvir-se-ão estrondos de terrificar!
Ficarão inertes as aves e os peixes
Sem ar, sem água, a agonizar! "
Carrancudo, perguntei ao vento:
" Ouve lá, ó vento, então eu quero saber:
Porque razão me estás a meter
Tanto medo de arrepelação !?...
Assim sendo, diz-me para onde vou,
Ou então!?...
Aí, o vento mudou de ouvido e segredou-me:
Alguns como tu, ficarão
Na nova terra que há de brotar
Das cinzas da ressurreição,
Onde não haverá castigo nem metas,
Apenas um tempo novo
Onde habitará um nóvel povo,
No promissor mundo dos poetas! "
(Carlos de Castro, In Há Um Livro Por Escrever em 08-05-2023)
O VENTO A ÁRVORE E A CASA
Tarde de sábado.
A depressão do tempo castigava.
Agora, chamam depressão
Ao tempo mau que faz.
Porque não!?...
Mas o vento é sempre rapaz
E as árvores também femininas
Quanto velhas mais meninas.
Com a diferença que o vento
Tem agora mais lamento
E as árvores amém,
Nestas tardes sem ninguém.
O vento soprava,
A árvore balançava
Sobre a humilde casa.
Era aí que ele habitava,
Um homem pobre,
De rosto nobre.
Invocou os deuses dos ventos
E dos contratempos
A ver se a borrasca amainava.
Qual quê!?...
O vento insistiu,
A árvore caiu
E a casa humilde ruiu.
E ele deixou de acreditar
Nos deuses dos ventos
E contratempos.
Abriu os braços e pôs-se a voar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-10-2023)
Vento Gelado
Vento gelado muda a estação
Mostra o caminho te dá a direção
Olha o tempo reconhece a mudança
Acredite tenha fé não perca a esperança
Valorize o pouco que chega com a dor
Cure as feridas nós braços do amor
Sonho que se sonha não pode passar
Lutas diárias não vão acabar
Siga o vento e mude a estação
Corra o caminho e abra o coração
Chegará o dia que se faz a merecida
Siga seu vento e mude sua vida
Volta das Voltas
O vento que leva é o mesmo que traz
A pergunta do mundo a resposta é a paz
O sonho de criança nos dá esperança
O segredo do amor foi conhecer a dor
E a vida feliz foi aquela que fiz
As voltas das voltas que essa vida nos dá
O chão que eu piso nunca vai afundar
No mundo perfeito seguro a mão
Vivo meu sonho não quero ilusão
Para vida vencer vou ter que acordar
Pegar sua mão correr e lutar
Hoje o dia é o dia eu só quero viver
As certezas da vida nunca vou aprender
Nesse mundo que estou eu sou quem eu sou
Hoje, eu quero te ver
Me apaixonei por você
Palavras de sabedoria nunca serão jogadas no ar aleatoriamente, porque o vento não levará nunca para o desconhecido, mas espalhará para quem deseja se evoluir
Um amor de cigano é como o vento, livre e misterioso. Não tem fronteiras nem limites, é intenso e apaixonado. É uma jornada sem destino certo, cheia de emoções e descobertas.
Sinto o vento leve da alma,na melodia dos pássaros, No murmúrio das águas, No silêncio que fala mais alto.
Cléber Novais.
Sou feito de pedaços,
de sonhos, de mar e de vento.
Carrego histórias no peito,
e memórias no pensamento.Há dias que sou tempestade,
em outros, sou calmaria.
Vou navegando entre os mundos,
buscando meu pensamento.
Cléber Novais
Sinto o vento, não o vejo,
Mas ele sopra, suave, certeiro.
Assim é o que me guia,
Um toque leve da alma,
Um sussurro no silêncio.
Cléber Novais
Gota sombria que escorre no vento,
Perfume amargo de um último lamento.
Vem sutil, como beijo em silêncio,
Trazendo o fim num toque tão denso.
Não grita, não chama, apenas sussurra,
Seu cheiro é flor que ao toque ezala.
Mistura de medo, mistério e sorte,
Na pele, a marca: o cheiro da morte.
Goteja no tempo, invade o ar,
Como se o mundo parasse pra olhar.
Não tem cor, nem rosto, nem norte —
Apenas perfume... gota de morte.
E quem respira, sem saber, se entrega,
À dança final que a noite carrega.
Mas há beleza, mesmo no fim,
Na gota que leva e dissolve o "sim".
Vermes na pele
O frio do quarto me arrepia.
O som do vento me faz
Se mexer na cama. E cada vez mais
Eu sinto essa claustrofobia
Me levar pra lama...
Não me engana
Essa minha dor, minha agonia.
A pele esquenta, chega a queimar,
E eu sinto o formigamento
Desses tecidos tão nojentos
Entre as carnes se rastejar.
Que cheiro horrível, fedido.
Me faz esquecer que estou vivo
E que vou partir sem nem acreditar.
O meu mundo está virando
De ponta cabeça. E agora
Tenho de agir sem demora
Por que o tempo está parando.
Eu não vou conseguir
Viver assim ou prosseguir
Vejo que estou desmoronando.
Pequenas úlceras cutâneas
Latejam com pus em putrefação.
E nem a minha melhor oração
Irá curar essas dores instantâneas.
Sinto que aumentam os odores,
E esses horríveis fedores
Me sufocam de forma espontânea.
Engulo o pavor que cresce em mim.
Agora os vermes rastejam mais.
Eu continuo gritando alto pela paz,
Desejando que esse não seja o meu fim.
O meu corpo já está se agitando,
E, mesmo assim, com ele lutando
Tudo terminará assim:
Vermes na pele carcomida
Gerando dores que vão mais além.
Enquanto que nada aqui me faz bem.
Vejo meu corpo virando comida.
Com o meu olhar morto
Sinto que já perdi esse corpo
Para essas podres feridas.
No fim o esqueleto jaz no chão largado.
Por fim esqueço que tanto faz ser mais outro sepultado.
Tsharllez Foucallt.
Curtinhas de Tsharllez Foucallt
O vento leva.
O seu sorriso é leve como o vento da manhã bagunçando docemente as folhas na primavera...
A delicadeza de sua pele tem a maciez dos raios solares pelas primeiras horas do alvorecer do dia...
A sua presença traz a felicidade que alegra qualquer ambiente...
Você possui a energia que transforma tudo a sua volta, deixando todos ao redor com a leveza e a doçura do mundo.
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