Fogo
QUERO SER COMO O SOL.
Queria ser o rei do fogo que reina lá no céu,
para tocar teu corpo com meus raios,
e alisar tua face como um pintor,
que pinta as mais belas paisagens com um pincel.
Queria ser o grande sol, que ilumina teu céu
o noivo da lua pálida, branca e luminosa,
para na noite de nossas nupicias
inebriar-me com teu cheiro e beber do teu mal.
Queria ser o crepúsculo que pinta todas as tardes o céu,
para que tu me olhaste e dissestes:
---como és belo, ó sol, te quero para mim.
Seria então teu sol, grande estrela de fogo,
para brilhar dia e noite no teu céu,
minha linda e aromática flor de jasmim.
Quero muito botar fogo nesse circo
Em toda essa palhaçada que eles fazem por aí
Mas tenho medo que as faíscas te atinjam também
Paixão retraída, reprimida...
O fogo que queima, agora amornece e frio se congela a espera...
E contenta-se com o afago de um carinho amigo, retido, nos mais profundos desejos contidos no fundo da alma que se cala...
Tímida, confusa, insegura, acorrentada em suas vãs convicções...
Que em si fenece, padece, enquanto cresce, mas não amadurece!...
- Amar,observou ela,deve ser coisa bem feia.
- Por quê?
- Porque estou aqui e sinto tanto fogo no rosto... cá dentro me diz um palpite que é pecado mortal que faço...
- Você tão pura! Contestou Cirino.
Tudo quase nada
dá-me algo que arda
um verão, o fogo ou a boca
para por momentos esquecer
até a tua boca e chamas
tudo tudo quase nada irremediavelmente perdido
Há um fogo imenso
que quase conheço.
Deito-me a seu lado
e quando os olhos arderem
devagar, beija-me.
Sem querer acabo sendo fogo. Que queima, que consome, que muda e remolda. E minha fumaça atrai, é vistosa e enganosa, ela é azul.
No meu breve trilhar, eu vi o mundo inteiro gritar, a terra tremer, o ar se revirar, o fogo espalhar-se e o mar revoltoso com o desrespeito que há. Vejo também o ser humano gritar muito, de medo, mas muito pouco, pedindo respeito à sua própria casa.
Amor e paixão
Amar! mas um coração que tenha amor...
E que beije o fogo ardente, querida!
Que penetre o meu fogo - luz plácida!
Amor, e que beije a minha doce flor...
Sejam só sempre arrepios e beijos,
Que seja só a paixão encantada...
Dados no delírio - e não só vida
Mas amor... dos amores que têm fogo.
Sim, doce e quente! flor perfeita
Nem virá machucá-lo nos delírios,
Como o primor da sedução e rota.
Amor que viva e brilhe! luz vivida
Nem virá dissipá-lo nos desejos;
Sejam só lindos amores... se têm vida.
Não sei o que acontece... Eu o vejo e o fogo aqui dentro borbulha, pulsa, me impacienta nesse frenesi de loucura, desejo e posse. Tenho ímpetos de fechar os olhos e deixar minha boca saciar essa fome de indecência sem me importar com o julgo das criaturas ao redor.
Agora, você me diz para soprar a última chama. Onde sujo o dedo de escória, do fogo de dor, ardor. E a chama antiga, que se mostrou tão vermelha por queimar em brasa, notou-se espirrada de sereno, que mais me pareceu um dilúvio realmente súbito. E que, enfim, molhou. Apagou... Todo. Tudo virou fumaça, virou breu contínuo em dias cinzas nas cinzas que, pra mim, restaram. Por favor, peço que me retire dessa escuridão! Mostre-me seu sol pra eu mesma brincar com a minha sombra. Ascenda essa luz pra mim e diga que ainda tenho mais uma chama, mais uma chance. Não te acho, preciso te tocar, inventar que não é quimera. Mas antes, necessito me encontrar. Anda! Não vê que em você, o meu corpo ficou? Não escuta a minha voz rouca que nem mais assobia? Que chora quando evapora sua melodia? E escoa porções de saudade em um cru retrato seu? Seu vulto ficou e me aparece latejando como um sinal de amor arrancado... Porém, mesmo não mais avistando o clarão que me adornava, me encaminho ao que preciso continuar. Crer que ainda se trata de vida e que ela depende de mim pra sobreviver. Ainda tenho que, em outros rostos, incandescer. Devolva minha luz! Se assim, pra você, fica melhor, eu domino a falta que provoca por aqui. Aqui mesmo, onde você já clareou, fez brilhar amor...
E aí, vai ficando assim... Contento-me com esse seu último sopro que apaga e evapora o que, em lindos momentos, foi tão iluminado.
Paixão é igual fogo, começa na fagulha,e devagar queima, vira labareda, esquenta, ilumina, depois deixa apenas as cinzas, fumaça e o cheiro de saudade
Amanheça oh dura aurora,
em,fogo,força e glória,
o que tu repetes a cada triste fim,
o começo de uma nova história!
