Fiz de Mim o que Nao Soube
Vou indo, mesmo sem querendo, viajando ao desconhecido, a cada instante me surpreendendo, até onde possa ter vivido.
Nos arranques bate ao peito, em constante contrações, vibra os corpos, supre as almas, batidas de bilhares corações.
Muitas vezes na vida, ao pedirmos ajuda, passamos vergonha, porque rogamos a pessoas erradas, que não se importam com a dor e o sofrimento alheio. São pessoas que se acham autossuficientes, os quais ignoram a necessidade e dependência ao qual todo ser humano possui.
Ninguém é tão forte que não tenha fraquezas, também não é tão sábio que não comporte ignorância, e por fim, ninguém é tão bom que não manifeste maldades. Nós humanos somos imprevisíveis.
Ser feliz em meio ao caos, ignorar os aflitos pelo mal. Quem pode suportar a tantas desgraças e se declarar, feliz sem com o próximo importar?
Viver diligentemente, sem se ferir ou ferir gente. É impossível tal façanha, porque mesmo sem querer, ferimos a quem queremos que sempre vá bem.
As incertezas da vida nos traem, há momentos no qual estamos bem, e de repente a adversidade vem. A volatilidade é a certeza de que nada aqui é para sempre, cada dia tem um novo sol nascente, cada noite suas estrelas reluzentes, isto se não vierem nuvens a obstruir momentaneamente os raios de luz que irradiam no infinito, fazendo o céu mais bonito, enfeitando cada dia com esplendor único de cada corpo celeste, banhando assim infindáveis manifestações de vidas, incontáveis seres existentes, todas existindo no pequenino fragmento qual poeira espacial, doravante denominada planeta terra, que segue sua viagem sob o desconhecido universo em toda a sua imponente imensidão incapaz de ser medido pela insignificante mente humana.
A ânsia de grangear as riquezas materiais desvia-nos das verdadeiras riquezas reais. Nessa louca odisseia, gastamos o que mais precioso existe em nosso finito tesouro, o tempo. E emriquecidos dos tesouros materiais, já não temos onde buscar créditos de tempo para desfrutar de todas as nossas conquistas pessoais, porque gastamos o precioso tempo que não volta nunca mais.
Dizem que tempo é dinheiro, mas o tempo é preciosidade como a vida, e tal como a areia na ampulheta, vai se esgotando naturalmente até ser extinta.
O tempo passa, as coisas mudam, e até o que outrora era imposição por castigo, um dia passa a ser opção de vida, literalmente.
O tempo passa, como a chuva que cai, suas águas seguem seu destino. Assim é a vida, as muitas vidas são como as muitas águas das chuvas, vários destinos sem retroceder nas suas respectivas jornadas. O tempo é riqueza para ser bem gastada, não tem crediário, o pagamento é a vista, imediato.
Viver, ouvir e ver, lutar e vencer. Vida em ação, rios que correm no ser, a jorrar em plural direção, impelido pelo emanador da vida, o coração.
O culto à imagem, adoração ao que se conceitua como ideário, seja coletivo ou personalíssimo tem prazo de validade e o corpo perfeito se deteriora com a idade. Mas o bom caráter é perene, segue o ser até o fim, nos traços da sua personalidade.
Solitário em meio a multidão, ressequido imerso ao mar, distante de tudo mesmo rodeado de gente.
Antagonismo que submerge o ser, mera expectativa em sobreviver.
Vem, vamos seguir em frente, como as águas de um rio, que jamais retrocede. Seguindo, deixaremos um pouquinho de nós no caminho, qual a água do rio, que encharca suas beiras, hidratando árvores e plantas rasteiras, dando vida enquanto se despede do seu lugar original, se lançando a imensidão do oceano, de igual modo, nos adrentaremos na imensidão do acaso, no porvir, onde tantos quantos foram, não retornaram para nos contar como estão, que a vida é intensa em lapsos temporais, momentos únicos que não voltam jamais. Portanto, vida = viver intensamente direção ao além.
Vivemos num tempo em que as boas aparências são mais importante que a boa consciência. Se tem dinheiro e um corpo escultural, não importa o caráter mau.
Ninguém é pleno em conhecimento, mas todos dependem uns dos outros, sucessivamente, e dessa forma, o conhecimento se acumula e favorece a coletividade, de geração em geração.
A pervesidade se homizia nas trevas, desejos malignos de outrem contra alguém. Espreitando os dias para se regozijar das adversidades sucumbenciais na vida de terceiros, que gratuitamente elegeram como algozes. Mas o bem e o mal são sementes as quais disponiveis estão para semearmos deliberadamente. Logo, não colheremos, senão, aquilo no qual temos semeado.
