Fiz de Mim o que Nao Soube
Depois de fevereiro, eu estarei pronto para te receber.
Tudo o que eu fiz foi por voce
Você Nem Quis ouvir.
RESIGNAÇÃO
Eu cantei o amor,
celebrei a alegria,
da trizteza fiz canção,
e da dor fiz poesia.
Nunca me deixei vencer,
quer de noite,
quer de dia,
e se vi alguém chorar,
lhe apresentei alegria.
Se só se vive uma vez,
deixo registrado o meu feito,
pois aprendi que na vida só será coroado,
aquele que militou direito.
Quando a morte chegar,
e com seu véu me cobrir,
entrarei no paraíso,
com um grande sorriso,
direi a Jesus Cristo:
Pronto, meu mestre, estou aqui.
Resignado ao teu propósito,
para o qual me escolheu,
eu cantei, sorri e chorei,
fiz de teus planos o meu.
E deu certo, eu bem sei,
no canssasso da minha lida,
eu cheguei ao fim da vida,
e nos teus bracos descansei.
Autor: Cicero Marcos
Cheguei no limite da razão, atravessei uma tempestade de emoção, fiz-me forte...descobri-me frágil. Nos extremos do que podemos chegar entre dor e alegria reside a escolha: levantar-se ou ficar a mercê da piedade, largar-se caído...na vida. E nesse vendaval de sentimentos você mostrou-me outra vez: ANJOS não morrem, perdas não significam separação de ALMAS.
Flávia Abib
Após muito tempo perdido, sabe o que fiz?
Peguei o comboio dos sonhos
E deslizei pelos trilhos da volta.
Senhor Romeo
Senhor Romeo,
eu fiz isso de novo.
Um ano em cada dez
consigo lidar com isso.
Sou uma espécie de milagre ambulante
minha pele ainda intacta,
como se não tivesse aprendido
a lição do fogo.
Diga-me:
quantas vezes se pode morrer
dentro da mesma casa
sem que a vizinhança desconfie?
Colecionei pequenas mortes
como quem guarda cartas não enviadas.
Dobrei cada tentativa frustrada
e a escondi na gaveta do criado-mudo,
junto aos comprimidos
e aos retratos
onde ainda corríamos
como dois atores mal pagos
ensaiando eternidade.
Você dizia:
“amor é resistência.”
Eu resisti
até virar ruína.
Sempre havia um copo quebrado na pia,
uma frase suspensa no ar,
um silêncio armado
apontando direto para o meu peito.
Tentei ser um incêndio manso.
Tentei ser água morna.
Tentei ser o homem que não sangra
quando cortado por palavras.
Mas cada tentativa
Era um ensaio de funeral.
O primeiro amor morreu de frio
faltaram cobertores e coragem.
O segundo morreu de excesso
amor demais é veneno doce,
colherada de açúcar
numa garganta já em chamas.
O terceiro?
Ah, Senhor Romeo
o terceiro fui eu.
Enterrei minha voz no jardim.
Plantei rosas sobre os gritos.
Aprendi a sorrir de dentes cerrados
para que ninguém visse
a hemorragia discreta
escorrendo pela alma.
Quantas vezes se pode voltar?
Quantas vezes se reconstrói
uma casa incendiada
com os mesmos fósforos?
Você me chamava dramático.
Eu me chamava de sobrevivente.
Havia espetáculo na minha dor,
confesso.
Eu me levantava das cinzas
com as roupas ainda fumegando,
a barba desgrenhada
como se fosse condecoração.
Olhem
eu ainda estou aqui.
Mesmo depois de vocês.
Mas sobreviver
não é o mesmo que viver.
À noite
deito ao lado do vazio
e ele respira melhor que qualquer amante.
O vazio não promete.
Não mente.
Não diz “para sempre”
com a boca cheia de vento.
Senhor Romeo,
há um cemitério em meu peito
onde cada “nós” fracassado
Tem uma lápide discreta.
Aqui jaz
a tentativa de diálogo.
Aqui jaz
a paciência.
Aqui jaz
o homem que acreditava
que amor era salvação.
Aprendi tarde demais:
amar não ressuscita ninguém.
Amar não cura abismos.
Amar não transforma homens
em porto seguro.
Às vezes,
amar é apenas outro nome
para se oferecer em sacrifício
num altar que ninguém pediu.
E ainda assim
olhe para mim, Senhor Romeo
eu me levanto.
Com as mãos queimadas.
Com o coração em carne viva.
Com a dignidade remendada
como roupa antiga.
Eu me levanto
não por eles,
não por você,
mas por essa centelha obscena
que insiste em pulsar
mesmo depois de tantas mortes pequenas.
Talvez eu seja feito
de matéria reincidente.
Talvez eu goste
do gosto metálico do recomeço.
Ou talvez
apenas talvez
eu tenha descoberto
que a única relação que não fracassa
é esta:
entre mim
e o homem
que se recusa
a permanecer enterrado.
Nunca fui de ler o mesmo livro duas vezes, fiz na esperança de um final diferente,
mas entendi que algumas histórias
não mudam o fim,
mudam quem a gente se torna ao fechar a última página.
E não estou falando de livros
" Agradeço aos amigos que fiz pelo caminho
Com vocês o percurso foi mais leve
Às dificuldades foram momentâneas, e o aprendizado eficiente ".
Márcos Frèitas
Já fiz muitas merdas na vida! E, pasmem, o que no passado encarei como fracasso, hoje entendo que só foi possível crescer e evoluir graças às falhas que se tornaram o adubo necessário para meu crescimento.
Eu hoje reli os versos que outrora fiz chorando...
E também reli os versos que outrora fiz amando.
Cada um tem uma história, da vida que vai girando.
Eu agora não tenho versos, eu agora estou só pensando...
Como será o futuro, será chorando ou amando?
De momento sigo sem versos, de momento, sigo aguardando...
Deus sabe oque faz
e eu so me arrependo do que eu nunca fiz
nunca do q eu faço
minha parte eu to fazendo pra que o melhor aconteça
se algo der errado
não vai ser minha culpa
porque eu to tentando fazer o meu melhor
"Voar sempre foi o meu sonho.
Cair, meu pior pesadelo.
Só consegui mesmo bater asas
quando fiz do receio...impulso.
A gente corre muito mais riscos
quando não se arrisca por medo
de se arriscar.
Respire fundo.
Um passo de cada vez.
Existe alegria no que está por vir.
Acredite."
Eu já fiz muita questão que algumas pessoas ficassem na minha vida , hoje , ao menor sinal de desinteresse eu mostro a porta de saída.
Eu fiz tanto.
Fiz muito.
Me doei até doer, e depois doei mais um pouco, só pra ver se o mundo parava de te esmagar.
Eu segurei tua mão no momento mais difícil da tua vida.
Eu fiquei.
Eu fui presença quando era mais fácil ser desculpa.
Eu fui constância quando você me empurrava para fora da tua vida como quem empurra uma cadeira que tá ocupando espaço demais.
E eu aceitei.
Porque eu te amava daquele jeito perigoso: o amor que acha que paciência resolve tudo, que carinho convence, que cuidado abre portas.
Avisa quando chegar.
Eu repeti isso mil vezes, como quem tenta manter alguém inteiro por telepatia.
Não era só “me avisa”.
Era “não some”.
Era “não morre”.
Era “não me deixa do lado de fora sem nem saber se você ainda existe”.
E aí eu fico com essa pergunta suja, que ninguém gosta de dizer em voz alta porque parece cobrança, mas não é:
eu merecia respeito.
Merecia uma conversa final.
Uma conversa de verdade.
Cara a cara, sem a covardia confortável de uma tela.
Sem eu ter que ler o fim como quem lê notificação de banco.
Eu merecia mais do que uma mensagem.
Porque eu não fui pouco.
Eu não fui distração.
Eu não fui “qualquer um”.
Eu fui o cara que ficou quando era feio, quando era pesado, quando era madrugada, quando era silêncio, quando era cansaço por dentro.
Eu fui o que você teve coragem de usar como abrigo.
E depois, quando o tempo virou, eu virei excesso. Virei incômodo. Virei algo que você precisava remover.
Avisa quando chegar.
Eu também engoli o outro tipo de dor, aquela que não dá pra explicar sem parecer pequeno:
você nunca me assumiu.
Nunca postou que estava comigo.
Nunca colocou meu nome com orgulho em lugar nenhum.
Eu era presença no teu dia, mas não existia no teu mundo.
E isso é um tipo de abandono que começa cedo.
Começa enquanto ainda tem beijo, ainda tem rotina, ainda tem “boa noite”.
Só que o amor vai ficando clandestino.
Vai ficando escondido.
Vai ficando com cara de coisa que você não tem certeza se quer.
E quando você não assume, você deixa a outra pessoa sempre pronta para ser descartável.
Porque descartável é quem não aparece.
Eu olhava e faltava foto.
Faltava “nós”.
Faltava o básico que não é vaidade, é lugar.
E eu fiquei tentando ser lugar com gesto.
Com cuidado.
Com música.
Com texto.
Com ritual.
Com presença.
Como se eu pudesse compensar o que você não tinha coragem de afirmar.
Avisa quando chegar.
Eu te dei mão, e você me devolveu parede.
Eu te dei paciência, e você me devolveu dúvida.
Eu te dei o melhor que eu tinha, e você me devolveu silêncio.
E o silêncio, no começo, eu romantizei.
Eu achei bonito.
Achei maduro.
Achei que era “teu jeito”.
Mas depois eu entendi: tem silêncio que é só falta de escolha.
Tem silêncio que é a pessoa deixando você se acostumar com a ausência antes de ir embora de vez.
Tem silêncio que é treino para o fim.
E o fim veio do jeito mais injusto para quem se doou:
sem cerimônia.
Sem conversa.
Sem aquela dignidade mínima de olhar no olho e dizer “acabou” como gente adulta.
E aí entra a parte que você falou, e eu não vou fingir que não existe:
pra mim, isso pareceu punição.
Não porque eu tenho certeza do que você quis.
Mas porque foi assim que bateu no meu corpo: como castigo.
Como se todo meu esforço tivesse virado um erro.
Como se eu ter ficado tivesse sido um exagero vergonhoso.
Como se eu ter sido leal merecesse ser cortado rápido, pra não dar tempo de eu falar nada, de eu perguntar nada, de eu existir por mais cinco minutos.
Avisa quando chegar.
Eu lembro do começo, eu lembro do meu jeito de tentar fazer dar certo:
eu oferecendo encontro, oferecendo conversa, oferecendo rua, oferecendo tempo.
“Quer que eu vá aí?”
Eu queria resolver com presença, porque eu sou desse tipo: eu apareço.
Eu não sumo.
E é exatamente por isso que me destrói:
eu fiquei, e você saiu por mensagem.
Eu não estou pedindo eternidade.
Eu não estou pedindo que você volte.
Eu não estou pedindo que você mude o que sente.
Eu estou dizendo o básico, o mais básico:
eu merecia ser encerrado com respeito.
Porque tem uma diferença enorme entre “terminar” e “descartar”.
E eu tô com a sensação de descarte atravessada na garganta.
Eu fui cuidado.
Eu fui mão.
Eu fui constância.
E eu não virei memória bonita.
Eu virei algo que você removeu.
Avisa quando chegar.
Hoje, quando o celular acende, dá raiva.
Porque eu sinto o impulso do hábito e lembro que não tem mais “cheguei”.
Tem só eu, com essa frase sobrando, repetindo ela como quem tenta chamar de volta a humanidade de alguém.
E o pior é isso:
eu ainda me importo.
Mesmo zangado.
Mesmo humilhado.
Mesmo cansado.
Mesmo com vontade de arrancar de mim tudo que eu te dei.
Eu ainda me importo.
E isso me dá nojo e saudade ao mesmo tempo.
Então eu vou te dizer a última coisa que eu sei dizer sem me diminuir, porque essa frase foi minha casa e agora é meu corte:
Avisa quando chegar.
que exatamente eu fiz de tão grave assim?
Eu realmente teria controle sobre tudo?
Eu cobraria outra pessoa do jeito que me cobro?
O Último Ato
Batizei-te de "meu bem", meu doce problema,
Mergulhei no teu caos, fiz de nós o poema.
Pulei do penhasco, sem rede ou segredo,
Amando o incerto, vencendo o meu medo.
Eu te dei a beleza, o cristal, a pureza,
Recebi em troca o sal da incerteza.
Amei-te com a vida, com a força do agora,
Mas provei o veneno de quem vai embora.
Tentei te ensinar o que é ser amado,
A cura do peito, o abraço apertado.
Mas o mestre padece na própria lição.
"Te dei meus segredos, meu colo, meu lado,
Mostrei-te o milagre de ser amado
Mas o preço da cura foi o meu desterro:
Amei-te com alma, paguei pelo meu erro.
Retiro o meu peso, minha entrega, o meu brilho,
Desfaço o nó cego, encontre o seu trilho.
Estás livre da rede, da minha intensidade,
Desta louca maneira de amar de verdade.
Meu peito foi porto, foi chão e foi ninho...
Não há mais amarras, nem medo.
Voa, meu passarinho.
Dói ser acusado por algo que eu nunca fiz.
Dói ser olhado com desconfiança quando, por dentro, eu sei exatamente quem eu sou.
Não é só sobre palavras jogadas ao vento, é sobre caráter sendo colocado em dúvida, sobre esforço sendo ignorado, sobre tentar fazer dar certo e, ainda assim, parecer que nunca é suficiente.
Eu me esforço. Eu permaneço. Eu escolho ficar.
Mas mesmo assim, sou tratado como alguém que quebraria aquilo que eu mais tento proteger.
Isso cansa.
Cansa ter que provar o tempo todo algo que já deveria ser visto.
Cansa carregar o peso de uma culpa que não é minha.
Cansa sentir que, não importa o que eu faça, a desconfiança sempre vai falar mais alto.
E o que mais machuca…
é que isso vem de quem deveria ser meu lugar de paz.
Eu não quero viver em defesa.
Eu não quero ser julgado todos os dias por um erro que nunca cometi.
Eu não quero que o amor se transforme em vigilância.
Eu só queria ser visto com verdade.
Com justiça.
Com confiança.
Porque amar também é acreditar.
E ninguém consegue permanecer inteiro onde precisa se justificar o tempo todo
