Fiz de Mim o que Nao Soube
Não se trata de saber muitas coisas, mas de descobrir aquilo que permanece invisível quando cada coisa é examinada isoladamente.
A realidade não conhece as fronteiras que as disciplinas inventaram; compreendê-la exige atravessá-las.
A privatização juridicamente legítima não se mede pela quantidade de patrimônio público que se transfere, mas pela compatibilidade entre a transferência realizada, a finalidade constitucional preservada e o procedimento que autorizou sua realização.
A realidade não se curva à narrativa que construímos sobre nós mesmos; cedo ou tarde, ela cobra evidências.
O desejo não funciona como tribunal moral: alguém pode ser excelente e ainda assim não ser desejado.
A verdadeira confiança não exige demonstração permanente; ela permanece de pé mesmo quando ninguém está olhando.
Quem conhece seus próprios limites negocia melhor porque não precisa aceitar qualquer preço para evitar a perda.
A solitude não é o vazio entre dois relacionamentos; pode ser o espaço em que o indivíduo finalmente escuta a própria voz sem a interferência das expectativas alheias.
Quem não consegue permanecer consigo mesmo frequentemente procura no amor uma anestesia para perguntas que deveriam ser enfrentadas em silêncio.
Aquele que constrói uma vida interessante não precisa transformar o relacionamento em seu único acontecimento extraordinário.
Ser livre não significa não precisar de ninguém; significa não precisar trair a própria consciência para que alguém permaneça.
Há homens que procuram uma mulher para completar sua existência quando ainda não começaram a escrever a primeira página dela.
A autonomia não elimina o amor; elimina a necessidade de transformar amor em mecanismo de sobrevivência.
O indivíduo que conhece seus limites não precisa transformar cada despedida em tragédia nem cada encontro em promessa eterna.
A vida não deve ser medida pela quantidade de pessoas que desejam permanecer conosco, mas pela qualidade da pessoa que conseguimos ser quando ninguém está olhando.
A liberdade começa onde termina a necessidade de explicar continuamente nossas escolhas a quem não viverá suas consequências.
Não escolher o caminho esperado não significa fracassar; às vezes significa finalmente perceber que o caminho nunca foi nosso.
Ser emocionalmente independente não significa sentir menos; significa não entregar a administração dos próprios sentimentos ao comportamento de outra pessoa.
