Fiz de Mim o que Nao Soube

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Talvez, quem eu amo, já não exista. Seja um fantasma fragmentado. Eu a procuro, mas não a encontro. Nunca a encontro além de dentro da minha mente, onde a sua ausência é sempre notada pela sua inevitável presença.
- Marcela Lobato

Seria bom ter amado alguém que fizesse de tudo pra estar por perto. Que não fugisse e não me deixasse fugir também. Alguém que lutasse tanto por mim quanto lutei por relações falidas.
No fim das contas, com reciprocidade ou não, eu sempre amei demais, e amei sozinha.
- Marcela Lobato

Minha revolta é apenas prova daquilo que não mais ouso dizer. Palavras duras, mágoas antigas, são só provas do que não se foi, mas marcou profundamente como cicatriz em carne viva.
Ah, se eu pudesse dizer... Ah, se pudesse apenas ouvir... Ah, se pudesse entender tudo o que realmente sinto por ti...
- Marcela Lobato

A Última Poesia do Pó e da Lua


Doeu, de forma visceral, quando percebi que não estava aqui. Doeu, como há anos atrás, quando te vi partir. Doeu, como a primeira dor, antes de você existir. Mas hoje vejo que a vida é assim. O amor não basta. A dor, a revolta, qualquer coisa que eu faça será sempre poeira ao vento do velho pó que amava a lua e se perdeu tentando alcança-la. Do velho pó que se desfez quando a noite não chegou por meses que soaram como a eternidade naquele frio e congelante inverno.
Não quis te prender, mas me prendi. A condenação é só minha, e o crime só eu vi. No fim das contas, eu nunca fui o bastante, e não há nada que possa trazer de volta nem mesmo o que já fomos. Só em sonhos e na minha mente posso te ver e sentir. Só aqui dentro você está viva pra mim, e quando o mundo for demais, não poderei te ouvir. Talvez nunca saiba do dano e nem da cura, mas sempre serei o pó tentando alcançar a lua. Sempre serei o pó que tentou alcançar a lua.
- Marcela Lobato

Não há nada mais bonito que uma arte nascida de uma dor genuína. Por isso "artistas torturados" costumam ser gênios em suas artes.
- Marcela Lobato

Amar Não É Pecado


Amar jamais será errado, jamais será pecado, jamais será perversão. O amor entre duas pessoas capazes nunca será um crime, ainda que leis retrógradas, ignorantes, preconceituosas e criminosas tentem assim torná-lo. Não há barreiras que impeçam sentimentos, desejos e relações consensuais entre adultos conscientes ou adolescentes iniciando suas vidas sexuais e afetivas.
Não importa se a relação é entre duas mulheres, dois homens, um homem e uma mulher, se são pessoas não binárias ou binárias com não binárias. Nada disso impede ou torna um sentimento, um desejo ou uma relação menos digna, menos real, menos válida e, muito menos, menos verdadeira. O amor não vê gênero, classe, cor da pele, o valor que se tem guardado no banco e nem a aparência. O amor apenas é, e não tem como fugir dele. Ainda que tente, o máximo que conseguirá é a tristeza e o arrependimento de não ter vivido o que era seu por direito, assim como a tristeza de uma vida falsa, camuflada e dominada por medos inúteis.
A vida no armário não é vida, assim como fugir do que sente não apaga o sentir, apenas o amplia. Como mostra a psicanálise há séculos, tudo o que reprimimos cresce. A sombra, que é tudo aquilo que escondemos, muitas vezes até de nós mesmos, devora aqueles que tentam, com todas as forças, reprimi-la. É como uma mola que você aperta e, fatalmente, terá que soltar em algum momento, só que, ao invés das suas mãos e possivelmente também os seus braços, machucará a sua alma, e esses cortes podem nunca cicatrizar.
- Marcela Lobato

Faço música para sobreviver ao meu coração partido pela vida. Faço música para não sufocar em minha própria intensidade. Faço música porque, sem ela, não sobreviveria. Faço música porque é a única forma de dizer o que sinto com alguma segurança.
Faço música porque não há outra alternativa. Faço música porque é o que mais amo no mundo. Faço música porque ela é o que me salva. Faço música para sobreviver a minha própria intensidade. Faço música porque, através dela, me conheço e reconheço o que atormenta a minha alma.
- Marcela Lobato

A tristeza tem um peso, preço alto demais pra pagar. Poupança e créditos não cobrem. Salários jamais serão suficientes. Apenas esperamos que se quite, antes que precisemos quitar por nós mesmos, da maneira mais difícil.
- Marcela Lobato


Texto de agosto de 2019.

Não Há Ninguém


Eu sei que sou como o pó levantado na calçada de uma rua qualquer, esquecida em um beco sem saída. Sei que caminho em passos tortos, de uma espécie de rascunho mal feito e mal passado. Sei que minhas sombras me engolem nas noites em que o coração se parte.
Busco aquilo que talvez não haja, no labirinto estreito de memorias perdidas. Tantas perdas sentenciaram o peito pelo nó de uma corda amarrada em espinhos. Ao afundar, não tive ninguém. Quando me afogar, não haverá ninguém.
- Marcela Lobato

A verdade é que, eu não quero que isso mude. Eu não sei o que do passado ficou, ou o que em outra vida acessei, mas sei que mesmo que eu sofra pra sempre e morra sozinha, não quero te esquecer. Não quero deixar de sentir, de te amar.
Ainda que seja em vão, que isso me dilacere dia e noite. Ainda que sinta sua falta para sempre, e que você nunca se lembre, eu não vou te deixar partir, não de dentro de mim. Te liberto, mas em mim sempre haverá essa chama, de algo que não compreendo, que me destroça, mas que também é a minha única força.
- Marcela Lobato

Pela liberdade, dou a minha vida.
Sem liberdade, não viveria.
Pela democracia, lutaria até a morte.
Sem democracia, certamente morreria.
- Marcela Lobato

Sei que não vai me salvar
Sei que não vai me impedir de afundar
Sei que não vai nem notar
Nunca vai saber
E o caos em mim
É como o medo em você


Nunca vai ligar
E eu vou partir
Sumir disso aqui
Enquanto mil demônios me rasgam
E o vazio devora a minha alma
Deixo o abismo me engolir.
- Marcela Lobato

Quando a boca da pessoa é tão gostosa que só de olhar você já pensa o que não devia.

A morte não começa quando alguém deixa de respirar. Para aqueles que permanecem, ela se anuncia muito antes, nos pequenos silêncios, nos gestos interrompidos e na terrível percepção de que o tempo jamais nos pertenceu.

O homem pode suportar a ausência de muitas coisas, exceto daquilo que julgava eterno. Pois não é a perda que mais nos dilacera, mas a descoberta de que nem mesmo as promessas mais sinceras possuem autoridade sobre o destino.

A dignidade de um homem não está em esconder suas lágrimas, mas em não permitir que a dor lhe conceda o direito de ferir aqueles que nada fizeram para merecê-la.

A consciência é o único tribunal diante do qual não podemos alegar desconhecimento daquilo que intimamente sabemos.

Não é a ausência de ruínas que revela a grandeza de um homem, mas a coragem de reconstruir sobre elas sem negar aquilo que desmoronou.

A verdadeira elegância de uma despedida não está em fingir que nada sentimos, mas em compreender que nenhum afeto merece ser preservado à custa da liberdade de quem parte ou da dignidade de quem fica.

O Homem Diante do Espelho

O espelho mais severo não é aquele que revela as marcas do tempo em nosso rosto, mas aquele que nos obriga a reconhecer os defeitos que durante anos aprendemos a justificar.