A Última Poesia do Pó e da Lua Doeu,... Marcela Lobato

A Última Poesia do Pó e da Lua


Doeu, de forma visceral, quando percebi que não estava aqui. Doeu, como há anos atrás, quando te vi partir. Doeu, como a primeira dor, antes de você existir. Mas hoje vejo que a vida é assim. O amor não basta. A dor, a revolta, qualquer coisa que eu faça será sempre poeira ao vento do velho pó que amava a lua e se perdeu tentando alcança-la. Do velho pó que se desfez quando a noite não chegou por meses que soaram como a eternidade naquele frio e congelante inverno.
Não quis te prender, mas me prendi. A condenação é só minha, e o crime só eu vi. No fim das contas, eu nunca fui o bastante, e não há nada que possa trazer de volta nem mesmo o que já fomos. Só em sonhos e na minha mente posso te ver e sentir. Só aqui dentro você está viva pra mim, e quando o mundo for demais, não poderei te ouvir. Talvez nunca saiba do dano e nem da cura, mas sempre serei o pó tentando alcançar a lua. Sempre serei o pó que tentou alcançar a lua.
- Marcela Lobato