Fila
Uma criança perdida na aduana
Na fila fria da aduana vazia,
um carimbo ecoa, corta a nostalgia,
luz fluorescente, cheiro de papel,
e um mundo adulto que nunca foi céu.
Pequenos passos num piso riscado,
um nome trocado, um visto negado,
o guichê não olha, só pede razão,
mas a infância não cabe em formulário e mão.
Há bandeiras cansadas no vidro embaçado,
México distante num sonho quebrado,
Uruguai sussurra num vento lateral,
Colômbia sangra num mapa postal.
E a criança pergunta sem ter voz alta,
por que a fronteira sempre falta e assalta?
Se o mundo é um só, por que dividir?
Se o peito é caminho, por que impedir?
Um rádio distante fala em espanhol,
mistura de ordem, de medo e farol,
e o agente carimba sem nem perceber
que ali tem um universo tentando crescer.
Tem cheiro de estrada, de ônibus antigo,
de alguém que perdeu o próprio abrigo,
de um Renault velho cruzando a serra,
levando saudade que nunca se encerra.
E a criança espera — não sabe o quê,
talvez um abraço que o mundo esqueceu de ter,
talvez um sinal, uma mão no ar,
dizendo “pode ir, você pode passar”.
Mas a aduana é feita de tempo e parede,
de quem não entende a sede da rede,
e a infância ali vira só suspensão,
entre o “fica” e o “vai” sem tradução.
No fim, só restam selos no olhar,
e um mapa que aprende a não voltar,
mas mesmo perdida, insiste em sonhar:
que toda fronteira um dia vai respirar.
Mulher de março ou de Marte
Janeiro, é fila na creche
Anotação no diário
Vem fevereiro,
as contas não fecham
Culpa é o salário
No dia 8 de março
temfesta da Mulher!!
Só alegria!
Depois, vai levar
Filho à escola
Corre para o trabalho
Chega pouco atrasada
E a desculpa não cola
Tem a reunião agora!
Termina arrasada,
Corre ao banheiro
e chora .
E os meses acontecem....
Julho,vem notas de boletim
Agosto vai ter plantão sem fim
Ser Mulher é ser rio perene
Tem ação na correnteza
E na sua nascente a delicadeza
Mas o corpo que sofre
Como um segredo no cofre
Reclama baixinho
Dê-me pausa!
Um pouquinho.
Mulher energia marciana
Faz arte a vida inteira
Você não veio de cratera
Mas sim de trincheira
Seu olhar até declina
Mas sua fala nos ensina
Você tem marca acreditada
É símbolo da Cocriaçao
Fórmula de vida assinalada
Pelo registro da Criação
A fila do osso foi o fundo do poço! Tem que ser muito ordinário para votar no patriotário! Rejeite o fascista, seja lulista!
Na nossa agenda de prioridades, Deus é o primeiro da fila quando o assunto é quem a gente deixa pra depois.
Fila do osso... vergonha da realidade.
Fila dos restos do mercado municipal.
Pessoas dormindo no relento das ruas.
A rua dos drogados terminou ou foram realocados....
Farra da existência social...
Todo cartaz muta a visão dos inocentes tolos pois a realidade ambígua é a simplicidade no campo visual
O vulgo se o coração não vê o coração não sente...
Abismo social se torna lindo parque de diversão.
O espaço quantas contornos e destaques de clamor !
Será para aonde caminhamos dentro de tantos mundos multiculturais.
Fila do osso,
O bom prato,
Fila do mapa fome mundial.
O ser racional se torna navegante num mundo de desigualdade!
No plano de governo ganhamos uma visão do que virá sera uma retrospectiva de 2020.
“Ser pobre é ser vencido pelo sistema antes mesmo de ser atendido: a dor sangra, a fila congela a vida, e a esperança aprende a pedir desculpas por existir — enquanto a cura continua sendo privilégio de quem pode comprar pressa.”
Para quem gosta de saúde, perfeição, felicidade e vida eterna é bom entrar na fila cristã, onde o caminho é apertado e estreito; mas, tem a garantia vitalícia de Deus por meio da fé, obediência e amor aos Seus mandamentos.
Se você for daquele tipo de pessoa que posta jatinho na internet, com certeza a sua fila de amigos será bem longa.
Só está faltando isso aqui, para eu entrar na fila dos mal-educados e ir tomar café na sua casa, sem nem te avisar.
A fila da empatia da boca para fora é tão grande ao ponto de facilitar a escolha em ter empatia da boca para dentro.
Vivemos um tempo em que a empatia se tornou um discurso popular.
Ela aparece em legendas, palestras, campanhas e conversas cotidianas.
Todos parecem saber o que dizer diante da dor alheia.
As palavras certas estão quase sempre prontas, organizadas e acessíveis.
Há sempre uma frase de apoio, uma mensagem de incentivo ou uma manifestação pública de compreensão.
No entanto, entre o dizer e o sentir existe uma distância que nem sempre é percorrida.
A fila da empatia da boca para fora cresce justamente porque falar é muito mais simples do que se envolver.
É possível demonstrar solidariedade sem abrir espaço para a escuta verdadeira.
Assim como é possível concordar com causas sem carregar o peso das consequências que elas impõem à vida de alguém.
Em muitos casos, a empatia se transforma em uma aparência socialmente aceitável, um gesto rápido que tranquiliza a consciência, mas não alcança o coração.
Diante disso, surge uma escolha bastante silenciosa: cultivar a empatia da boca para dentro.
Aquela que não precisa de plateia, reconhecimento ou aplausos.
A empatia que se manifesta primeiro na reflexão, quando tentamos compreender dores que não vivemos, histórias que não conhecemos e batalhas que nunca enfrentamos.
É uma empatia menos visível, porém mais profunda.
Ela exige humildade para admitir que não sabemos tudo sobre o sofrimento do outro e coragem para abandonar julgamentos precipitados.
Ter empatia da boca para dentro não significa permanecer em silêncio diante das necessidades alheias.
Significa que as palavras passam a ser consequência de uma compreensão genuína, e não apenas uma reação automática.
É quando o discurso encontra coerência nas atitudes.
Quando a ajuda não é oferecida somente para fingir preocupação, agradar ou ser vista, mas porque alguém realmente se importa com o seu próximo.
Talvez o mundo precise de menos demonstrações instantâneas e mais sensibilidades cultivadas em silêncio.
Porque a verdadeira empatia não nasce na necessidade de parecer humano; ela nasce na disposição de reconhecer a humanidade que existe no outro.
E, quando isso acontece, as palavras deixam de ser protagonistas para serem coadjuvantes das ações.
Elas se tornam apenas a extensão natural de um sentimento que já encontrou morada em nosso interior.
Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.
A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que nos faça pensar.
Porque furar uma fila não é apenas passar à frente de alguém.
É afirmar, silenciosamente, que o meu tempo vale mais que o do outro, que a minha urgência merece privilégio, que a regra pode ser relativizada quando me convém.
E, quando isso acontece justamente na hora de votar, a contradição se torna ainda maior.
O voto é um dos poucos momentos em que, pelo menos em princípio, todos deveriam estar em condições de igualdade.
Na fila, diferimos em histórias, opiniões, profissões e escolhas; diante da urna, cada cidadão deveria carregar o mesmo Peso Democrático.
Mas há quem queira igualdade no resultado e privilégio no caminho.
Talvez o problema não esteja apenas em quem fura a fila, mas na mentalidade que permite a alguém pensar que pode ou merece mais do que os outros.
É uma pequena transgressão que revela uma grande concepção de sociedade: a de que as regras existem só para os outros.
E é assim que a cidadania vai se desgastando.
Não necessariamente nos grandes escândalos, mas nos pequenos gestos cotidianos em que cada um decide que pode abrir uma exceção para si.
Quem não respeita a fila talvez não esteja escolhendo apenas quem vai governar o país.
Está também revelando, naquele instante, o tipo de país que considera aceitável construir.
Porque a Democracia não começa na urna.
Começa antes — na capacidade de esperar a sua vez, respeitar o outro e compreender que nenhum direito verdadeiro precisa nascer da humilhação ou do prejuízo de alguém.
No fim, votar em qualquer outro também é um direito.
Respeitar a fila é um dever…
E talvez uma sociedade mais justa comece justamente quando aprendemos a não confundir liberdade com licença para passar por cima dos outros.
Quem te ama de verdade aceita o peso dos seus dias difíceis, mas você prefere ficar na fila de quem te ignora, colecionando desculpas para justificar as bofetadas que recebe.
"Eu tenho certeza que enquanto Deus distribuía paciência numa fila, eu fazia confusão por um drive -thru na outra."
Haredita Angel
13.06.25
2066 📜 "Apreceio todas, Enalteço todas, Amo todas mas... Passo na frente da fila as de 'Rostinho Bonito'. Será que peco por isso?"
2226 📜 "Sempre tem gente assim, em todos os locais: Ontem, na fila da Lagosta, uma Tia bradava aquela Conversa Interminável (ou Ladainha) sobre Deus e Jesus. Eu disse pra ela: 'Antes dessa sua Conversa, pergunte se estou interessado nessa sua Conversa'. Ela não gostou e se mandou. Sempre tem gente assim, em todos os locais, não é? Poizé!"
2566 📜 "Burlando é fácil. Quero ver entrar na fila e competir em igualdade de condições. Quero ver!"
2589 📜 "Entre na fila e HAJA Sabedoria e Correção... Para AGIR como a Maioria: com Correção e Sabedoria! Gosto (também) dos verbos HAVER e AGIR"
