Fico sem Jeito
Há amores que se recusam a virar passado.
Ficam suspensos em certos detalhes, no jeito como a luz entra pela janela numa hora específica do dia, como se alguém tivesse escolhido aquele horário há muito tempo e o costume tivesse ficado gravado nas paredes, para sempre.
As plantas continuam crescendo, teimosas, alheias a qualquer explicação. Ninguém pediu licença para elas.
Existe um perfume que não mora em nenhum frasco. Aparece do nada, dura um instante, e nesse instante o peito se enche inteiro, como se o tempo tivesse voltado só para dar um abraço rápido e depois ir embora de novo.
Há mãos que, mesmo ausentes, continuam presentes em outras mãos. Um jeito de tocar que se repete sem querer, um carinho que se aprendeu sem perceber que estava aprendendo. A pele esquece datas, mas nunca esquece afeto.
As cores das paredes, os objetos guardados exatamente onde foram deixados, os pequenos detalhes que qualquer estranho passaria sem notar: para quem ama de verdade, tudo isso é um santuário. Um jeito silencioso de dizer: “ainda moro aqui, ainda cuido de você.”
Porque existe um tipo de amor que não cabe em explicação, que não nasce num dia certo nem termina em outro. Ele só muda de forma. Deixa de ser abraço e vira lembrança que aquece por dentro. Deixa de ser voz e vira silêncio que acompanha os passos. Deixa de ser presença física e vira aquilo que sustenta a alma inteira, todos os dias, mesmo quando ninguém percebe.
Não existe medida para isso. Não existe régua, não existe calendário que dê conta.
Existe apenas o amor continuando a existir, do jeito que sabe: eterno, silencioso, inteiro.
E ele vive. Onde quer que esteja, ele vive.
A arte não transforma ninguém de uma hora para outra; muda o jeito de olhar, e às vezes isso já basta para começar uma transformação.
MEU JEITO DE SER, POETIZANDO
Meu jeito de chegar,
é pelos cantos.
Meu jeito de falar,
é simples e alegre!
Meu jeito de sorrir,
é fácil e largo!
Meu jeito de olhar, é sempre perceptivo,
mesmo que às vezes: distante.
Meu jeito de sentir é interno,
explorando!
Meu jeito de expressar é calado,
demonstrando…
Meu jeito de amar não é frio,
nem morno...
Meu jeito de pensar é intuitivo,
indagando...
Meu jeito de viver é fantasioso,
acreditando...
Meu jeito de sonhar é acordada,
imaginando!
Minha linha de pensamento não é tênue.
Patrícia Pontes de Moraes Tancler Campos.
De um jeito bem especial, envio um abraço caloroso a ti, guerreiro silencioso, que enfrentas batalhas internas sem que o mundo perceba.
Em breve, a paz que tanto anseias chegará para envolver-te.
fantasma oficial.
Ela tem um jeito estranho de fazer o mundo parecer menos barulhento.
Não sei exatamente quando comecei a perceber isso. Talvez tenha sido antes mesmo de admitir que estava olhando diferente para ela. Porque algumas pessoas chegam na nossa vida fazendo presença, ocupando espaço, querendo ser notadas. Ela não. Ela simplesmente existe, e de algum jeito isso já basta para mudar o ambiente inteiro. É como se houvesse alguma coisa nela que não precisasse pedir atenção, porque a atenção simplesmente vai até ela.
E eu gosto de olhar para ela.
Não daquele jeito apressado de quem olha só para admirar. Eu gosto de olhar como quem tenta entender. Como se houvesse alguma coisa escondida atrás dos olhos dela que eu ainda não consegui alcançar completamente. E talvez seja justamente isso que me prende. Ela não parece inteira na superfície. Existe sempre alguma coisa acontecendo por dentro, mesmo quando ela não diz nada.
Às vezes eu fico pensando no quanto alguém pode caber dentro de um olhar.
Porque quando olho para ela, não vejo só o rosto que eu gosto, o sorriso que me desmonta ou os pequenos gestos que talvez ela nem perceba que faz. Eu vejo uma história. Vejo tudo aquilo que ela precisou ser para chegar até aqui. Vejo a parte doce, a parte cansada, a parte que ainda acredita nas coisas mesmo depois de ter motivos suficientes para não acreditar mais. E talvez eu goste dela justamente por enxergar essas contradições.
Ela consegue ser forte sem parecer dura.
Consegue ser doce sem parecer frágil.
E existe alguma coisa nisso que me faz querer ficar perto.
Não para consertá-la, porque eu nunca achei que ela precisasse ser consertada. Talvez seja o contrário. Eu só queria conhecer as partes dela que quase ninguém conhece. As coisas que ela pensa quando está sozinha. O que passa pela cabeça dela quando o mundo fica quieto. Os medos que ela esconde atrás de um sorriso. As coisas pequenas que fazem o coração dela ficar leve.
Queria saber o que ela vê quando olha para o céu sem motivo.
Queria saber qual lembrança ainda mora nela mesmo depois de tantos anos.
Queria saber quais sonhos ela abandonou pelo caminho e quais ainda guarda em segredo.
Porque gostar dela, para mim, nunca foi simplesmente gostar da presença. É querer atravessar a superfície.
E talvez esse seja o perigo.
Quanto mais eu olho, mais fundo parece.
É como se eu mergulhasse nos olhos dela sem perceber que estava deixando a margem para trás. E quando percebo, já não estou mais tentando entender quem ela é. Estou apenas ali, dentro daquele sentimento estranho de querer conhecer alguém sem precisar transformar isso em posse.
Eu não quero que ela seja minha porque eu não acho que pessoas devam pertencer umas às outras.
Eu quero que ela escolha ficar.
E existe uma diferença enorme nisso.
Porque se um dia ela olhar para mim e decidir permanecer, eu quero que seja porque encontrou em mim um lugar onde não precisa diminuir nenhuma parte de quem é. Quero que ela possa chegar cansada, confusa, feliz, perdida, exagerada, silenciosa, e ainda assim sentir que pode ser exatamente quem é.
Talvez seja isso que eu sinto quando penso nela.
Não é só vontade.
Não é só saudade.
Não é só encanto.
É uma espécie de paz inquieta.
Como se alguma parte de mim tivesse encontrado alguma coisa que não estava procurando.
E talvez eu nunca consiga explicar exatamente o que existe nela que me faz sentir assim. Talvez algumas pessoas simplesmente não sejam feitas para serem explicadas. São feitas para serem sentidas.
E ela é assim para mim.
Eu olho para ela e, por alguns segundos, esqueço que existe um mundo inteiro acontecendo do lado de fora.
Talvez porque, quando mergulho nos olhos dela, eu não esteja procurando uma saída.
Estou procurando o fundo.
E, pela primeira vez, não tenho pressa nenhuma de voltar à superfície.
Nada que te obrigue a seguir alguém, fazer algo ou ser de um jeito pode ser tratado como único.
O livre árbitro que nos foi dado desmerece qualquer imposição absoluta aos seus próprios pensamentos e escolhas.
Viver de verdade e tomar controle de suas próprias vontades sem ser dominado pelo outro.
Fidelidade, a marca de quem tem caráter, infidelidade um jeito de viver enganar a si mesmo e abrir cicatrizes na alma de quem jura ama
São coisas humanas:
Praticar o preconceito,
Falar do que não sabe,
Fazer de qualquer jeito,
Não cuidar de detalhes,
Esquecer, pagar pra ver,
Saber certo e não fazer,
Julgar sem conhecer.
Gostaria muito de um dia me casar, com uma mulher que compreenda sem titubear, o meu jeito peculiar de contar minhas piadas
Do jeito que andam os impostos, daqui a pouco até os pensamentos infames dos contribuintes serão taxados com alta carga tributária
Para pessoa inconveniente, só resta a chamada psicologia da mandala: o único jeito é mandá-la ir embora no mesmo instante.
O tempo e o espaço têm um jeito curioso de purificar o que sentimos, a verdadeira distância não separa, apenas revela o que é de fato insubstituível.
Do jeito que está, a oferta e a demanda descontroladas de drogas ilícitas e lícitas e uma geração atual, dos 17 aos 27 anos, sem escrúpulos, cheia de ódio e sem propósitos, será preciso de mais leitos futuramente e mais profissionais multidisciplinares para um atendimento de excelência.
Eu descobri, do jeito mais nada poético possível, que amar alguém por muitos anos é tipo cuidar de uma planta que insiste em quase morrer, mas também insiste em não desistir. Tem dias que eu olho pra gente e penso com toda sinceridade do mundo, meu Deus, quem foi que teve essa ideia genial de continuar aqui? Porque no começo, ah… no começo a gente não sabia nem onde colocar as mãos, quanto mais o coração. Era tudo meio torto, meio desconfiado, meio “será que isso presta?”. E mesmo assim, a gente ficou.
E ficar, eu percebi, é um ato meio revolucionário hoje em dia. Porque o mundo ensina a ir embora na primeira instabilidade, como se amor fosse aplicativo que trava e a gente desinstala sem nem tentar reiniciar. Só que eu e ele somos dessas pessoas teimosas, que atualizam, que insistem, que brigam, que cansam, mas que no final do dia ainda estão ali, se olhando com aquele ar de quem já viu o pior e mesmo assim decidiu ficar para o próximo episódio.
Tem dias em que o nosso amor parece uma construção feita com pressa, cheia de rachaduras, barulho, poeira e um certo risco de desabar. E tem outros dias em que eu olho e penso, isso aqui tá virando uma obra de arte, viu. Porque cada dificuldade foi uma lixa, cada discussão foi um martelo, cada reconciliação foi um polimento. A gente não nasceu pronto, a gente foi se fazendo. E olha, dá um trabalho quase absurdo.
Só que no meio desse caos bonito, eu entendi uma coisa que ninguém conta direito. Amor de verdade não é o que nunca balança. É o que balança, ameaça cair, faz a gente perder a paciência, mas ainda assim encontra um jeito meio torto de se sustentar. É tipo aquele copo lascado que você continua usando porque tem história. E quanto mais história tem, mais difícil é largar.
Hoje, quando eu olho nos olhos dele, eu não vejo perfeição. Vejo caminho. Vejo tudo o que já passamos, tudo o que quase quebrou a gente, e tudo o que, estranhamente, fortaleceu. Nosso amor ainda é instável às vezes, claro que é. Mas também é resistente de um jeito que nem eu sei explicar direito. É como se a gente tivesse construído algo que não é indestrutível, mas é persistente. E no fim das contas, isso vale muito mais.
Porque diamante mesmo não nasce pronto. Ele aguenta pressão, tempo, calor, caos. Igualzinho a gente. E eu sigo aqui, lapidando, sendo lapidada, às vezes reclamando, às vezes rindo, mas sempre ficando. Porque no meio de tanta coisa passageira, o que a gente tem… ficou.
