Ferro

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Minha resiliência é o ferro forjado nas altas temperaturas de todas as minhas derrotas.

Carrego dentro de mim batalhas que ninguém viu, mas cada uma delas moldou meu peito como ferro aquecido, não pedi para ser forte, fui obrigado pela vida, e mesmo assim aprendi a amar no intervalo das dores, sou testemunha da minha própria ressurreição diária.

Seu passado não é uma bola de ferro. É a biblioteca de cabeceira que te ensina as melhores estratégias. Use a sabedoria antiga para moldar o capítulo inédito de amanhã.

Meu corpo guarda mapas que o coração não entende. Há estradas marcadas a ferro por decisões alheias. Caminho por elas com cuidado para não me perder. Algumas curvas trouxeram paisagens inesperadas. E agradeço por cada uma, por mais áspera que seja.

" Orgulho e soberba são como o ferro: não se quebram, mas se destroem sozinhos com o tempo. "

É na necessidade que ferro os outros. Na promessa de ajuda alieno a necessidade, e consecutiva manutenção de migalhas.

Enquanto meu coração de carne sangra, o seu coração de ferro enferruja.

⁠Há prisões sem grades, correntes sem ferro e escravos que defendem a própria prisão porque nasceram dentro dela.

A viúva não tinha filhos. Sua fidelidade parecia moldada em ferro. Sem o marido há dez anos, trazia a bíblia gasta como única herança. O dízimo era sua prioridade absoluta. Apertava o orçamento da pensão mínima. Pulava refeições cotidianas. Mesmo assim, a igrejinha do bairro recebia suas notas amassadas pontualmente. Todo início de mês era igual.
Até que o corpo cansou. Uma pneumonia severa a acamou. Roubou-lhe as forças e a voz. Sem conseguir andar, a idosa olhou ao redor. Só encontrou o deserto absoluto. Nenhuma mulher do círculo de oração bateu à porta.
O único que estendeu a mão foi o vizinho ao lado. O jovem usava roupas coloridas. Tinha trejeitos que o líder usava como exemplo de erro no altar. Era alvo de sussurros maldosos na calçada do templo.
Nas primeiras semanas de cama, a senhora preocupou-se com a obrigação religiosa. Apontou com o dedo trêmulo para a caixinha de madeira. Ali guardava o dinheiro suado. Sem julgar, o rapaz pegou o envelope. Sabia da escassez da idosa. Tirou do próprio bolso o triplo daquele valor. Colocou tudo dentro do papel.
Ele foi até a igreja. Suportou os olhares de nojo da liderança no fundo do salão. Entregou a contribuição dela e saiu. Fez isso três vezes seguidas.
No quarto mês, o estado de saúde agravou-se. A mulher já não falava. Comunicava-se apenas pelo brilho marejado dos olhos. O rapaz percebeu a realidade. Notou que o sagrado não morava no gazofilácio daquele templo. Parou de enviar as notas.
Usou cada centavo para comprar os remédios caros. Comprou fraldas geriátricas e sopas batidas. O jovem limpava o suor da testa da senhora. Trocava seus lençóis com paciência. Segurava sua mão nas noites de febre alta.
Enquanto isso, o banco dela na igreja permanecia vazio. O silêncio da liderança era ensurdecedor. Nenhum clamor aconteceu. Nenhuma visita foi feita. Nenhum telefonema ocorreu. A ausência do envelope cancelara a existência daquela ovelha.
Meses depois, a viúva estava em lenta recuperação. O rapaz cruzou com o líder em uma avenida movimentada. O homem caminhava em seu terno bem cortado. Carregava uma pasta de couro luxuosa. Ao avistar o jovem, o religioso tentou desviar o caminho. O rapaz postou-se à sua frente.
O homem engoliu em seco. Tentou manter a pose formal. Disparou o jargão conhecido:
— A paz, rapaz. Como vai a nossa irmã? Estamos orando por ela. Ela sumiu. Até a tesouraria sentiu a falta dela.
O jovem não gritou. O tom de voz foi baixo e cortante. Parou o tempo ao redor:
— O senhor sentiu falta da contribuição. Nunca da mulher que a entregava. Há meses ela perdeu a voz. Há meses o prato dela é garantido por quem o senhor condena no altar. Enquanto o senhor preparava sermões sobre o amor, eu limpava a urina dela.
Ele respirou fundo e continuou:
— Enquanto suas ovelhas puras se afastavam com medo da doença, o rejeitado aqui alimentou a viúva que sua teologia descartou. O dízimo dela não foi cortado. Ele só mudou de endereço. Deus cansou de financiar o seu teto de gesso. Ele desceu para comprar remédios. Passe bem.
O homem permaneceu estático na calçada. Ficou com a boca semiaberta. Foi engolido pelo peso da própria insignificância. O rapaz deu as costas. Voltou para a casa simples. Ali o verdadeiro culto acontecia. No silêncio de um quarto que cheirava a desinfetante e amor puro.

0058 "Casa de ferreiro... Espeto de ferro ou de aço, ora bolas. Se o espeto for de madeira, a carne cai. Mesmo que possa parecer, não há milagre nem sabedoria nisso!"

"Você acha que as correntes são só de ferro? A maior prisão é a coragem que você adia — seus ancestrais não sangraram para que você se ajoelhasse diante do conforto."

Não tente adestrar uma fera com um ferro quente, nem tão pouco tente apaziguar a ira de uma mulher com gritos. Assim, a fera e a mulher se unirão contra você.

Assim como a água estagnada perde sua limpidez e o ferro abandonado entrega-se à ferrugem, a inteligência que renuncia ao exercício começa lentamente a deteriorar-se.

Assim como a água parada perde sua transparência e o ferro abandonado à inércia se deteriora, também a inteligência precisa de movimento para permanecer viva.

O ferro se deteriora pelo desuso, a água perde sua qualidade quando deixa de circular e a mente se enfraquece quando renuncia ao exercício da reflexão. O mesmo princípio alcança o Direito: aquilo que permanece absolutamente imóvel diante de uma realidade em transformação tende, com o tempo, à obsolescência.


Normas, instituições e interpretações não preservam sua legitimidade apenas pela permanência, mas pela capacidade de responder às novas configurações sociais sem romper com os princípios que lhes conferem fundamento. A estabilidade jurídica, portanto, não se confunde com imobilidade. Uma ordem jurídica verdadeiramente sólida é aquela capaz de evoluir sem perder sua identidade, adaptar-se sem abandonar seus valores e transformar-se sem comprometer a segurança que deve oferecer.


No Direito, conservar não significa impedir a mudança; significa saber quais princípios devem permanecer enquanto a realidade ao redor deles se transforma.

É preciso ter uma alma de ferro para continuar a regar um projeto cheio de esperança, mesmo quando o mundo à volta parece decidido a regar a terra com desconfiança e silêncio.

⁠Ser à prova de balas não é vestir ferro, é carregar no peito um coração que sangra e ainda pulsa. É chorar em silêncio e, mesmo assim, amanhecer. É ser ferido pelo mundo, mas não se deixar despedaçar.
A solidão pode ser um deserto, mas até no deserto há estrelas que brilham. E cada lágrima que cai é um rio secreto, que escava dentro de nós a coragem de continuar.
À prova de balas é ser humano em sua forma mais pura: errar, perder, sentir, e ainda assim resistir. Não para salvar o mundo inteiro, mas para salvar o próprio fogo que insiste em arder.
Porque vencer o mundo não é derrotá-lo, é aprender a dançar com suas tempestades, e transformar cada cicatriz em poesia.


Tatianne Ernesto S. Passaes

Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro.

Provérbios 27:17

Nós nos atraímos como ferro e ímã,
mesmo quando fingimos distância,
há uma força invisível que nos denuncia.
É o silêncio encurtando caminhos,
é o acaso nos empurrando um para o outro como se o destino tivesse mãos.


Teu olhar me encontra como bússola enlouquecida, apontando sempre para o teu norte.
Resisto, mas meu corpo trai a lógica,
pois alguns encontros não pedem permissão:
eles acontecem,
como a maré obedecendo à lua.


E quando finalmente nos tocamos,
não é escolha
— é natureza.
Somos matéria rendida à própria essência, dois pedaços do mundo que se reconhecem
e se colam porque nasceram para isso.

Maior a dor do dedo na ferida do que a marca do ferro em brasa...
𝓙𝓾𝓻𝓾𝓷𝓪j