Feridas
A alma quebrada aprende a amar com cuidado, quem sofreu cuida das feridas alheias com ternura, os gestos pequenos viram cura verdadeira, amar com cuidado é gesto que reconstrói.
As feridas não precisam ser escondidas, são mapas de onde o amor passou. Deus não apaga cicatrizes, Ele as transforma em constelações. Quem atravessa a dor com fé se torna luz para outros caminhos.
Há uma serenidade selvagem em entender que certas feridas da alma não precisam de testemunhas, apenas de silêncio para cicatrizar.
As feridas que a vida não cicatriza se tornam lições silenciosas, escritas na profundidade do nosso ser.
No espelho dá para ver ele corroer e deixar feridas, pois o tempo não cura tudo, apenas registra as batalhas que perdemos.
Há noites em que o passado é uma chuva lenta no rosto, cada gota desenha mapas de feridas que não cicatrizam. Ando pelas ruas da memória descalço, procurando um porto. Não encontro abrigo, encontro só sinais de onde fui naufragado. E aprendo a navegar com a fome como timão.
A dor digna é aquela que ensina sem pedir aplausos. Sofrer com nobreza não é ostentar feridas, é cuidar delas. Cuido com pequenos rituais e com paciência que não grita. E, no silêncio, descubro que a dor se transforma em história. História que não humilha, apenas testemunha o caminho.
A coragem poética é dizer o que dói sem glamour. É admitir feridas no verso e na vida concreta. Quem mostra o corte sem pedir consolo cria afinidade. Pois a verdade desnuda convida outros a se despirem também. E juntos aprendemos que a humanidade é um círculo de cuidados.
O mundo só respeita quem se levanta mais rápido. A superação não está em não ter feridas, mas em ter a atitude implacável de continuar a luta.
O amor verdadeiro não sufoca, ele expande, ele abre espaço dentro do peito, e transforma feridas em
janelas, quem ama cura.
Acordo com a sombra de um ontem na garganta, onde palavras não ditas fermentam como feridas abertas. Seguro o silêncio entre os dentes, conto as batidas do escuro, e aprendo que a esperança às vezes nasce de uma cicatriz que respira.
Há feridas que o tempo não cicatriza, ele apenas ensina a pintar por cima. Cores novas, técnicas de ocultar, a vida vira tela retocada. Passo o pincel, sorrio ao espelho e finjo que a obra está completa, mas sei que por baixo do verniz a dor ainda pulsa, insistente.
A saudade canta com uma voz que ninguém ensina, vem das feridas do tempo, e transforma ausência em uma música que dói.
Há memórias que são feridas abertas, sangram sem aviso, ignoram o tempo e nos lembram que o passado nunca dorme.
Feridas abertas não são fraqueza, são a coragem brutal de cicatrizar, onde o sangue se ergue em semente de eternidade.
Transforme suas feridas em degraus firmes, cada dor em escada e cada queda em um novo impulso para a subida.
