Feridas
A dor digna é aquela que ensina sem pedir aplausos. Sofrer com nobreza não é ostentar feridas, é cuidar delas. Cuido com pequenos rituais e com paciência que não grita. E, no silêncio, descubro que a dor se transforma em história. História que não humilha, apenas testemunha o caminho.
A coragem poética é dizer o que dói sem glamour. É admitir feridas no verso e na vida concreta. Quem mostra o corte sem pedir consolo cria afinidade. Pois a verdade desnuda convida outros a se despirem também. E juntos aprendemos que a humanidade é um círculo de cuidados.
O mundo só respeita quem se levanta mais rápido. A superação não está em não ter feridas, mas em ter a atitude implacável de continuar a luta.
O amor verdadeiro não sufoca, ele expande, ele abre espaço dentro do peito, e transforma feridas em
janelas, quem ama cura.
Acordo com a sombra de um ontem na garganta, onde palavras não ditas fermentam como feridas abertas. Seguro o silêncio entre os dentes, conto as batidas do escuro, e aprendo que a esperança às vezes nasce de uma cicatriz que respira.
Há feridas que o tempo não cicatriza, ele apenas ensina a pintar por cima. Cores novas, técnicas de ocultar, a vida vira tela retocada. Passo o pincel, sorrio ao espelho e finjo que a obra está completa, mas sei que por baixo do verniz a dor ainda pulsa, insistente.
A saudade canta com uma voz que ninguém ensina, vem das feridas do tempo, e transforma ausência em uma música que dói.
Há memórias que são feridas abertas, sangram sem aviso, ignoram o tempo e nos lembram que o passado nunca dorme.
Não tenha pressa de se curar de feridas que levaram anos para serem abertas, a cicatrização é um processo biológico e espiritual que não aceita atalhos, exigindo que você sinta cada pontada de dor para que a pele se feche com a força necessária para não romper de novo.
Carrego lembranças que ainda latejam como feridas abertas, mas escolho não fugir do que me dói, pois tudo o que enfrentei me ensinou a arte de permanecer quando o abismo parecia o único destino lógico. O silêncio que guardo não é um vácuo de sentimentos, é um reservatório de tudo aquilo que as palavras não dão conta de traduzir, um grito de socorro ou de triunfo que só encontra eco na minha própria alma.
- Tiago Scheimann
Cuidado com as feridas que você causa nos outros; a dor não apenas fere, ela tem o poder de reescrever a alma de alguém.
Aprendi que algumas feridas não cicatrizam por completo. Elas apenas aprendem a coexistir com a minha presença. São hóspedes antigos de uma casa cansada. E eu sigo arrumando os escombros para que ainda seja possível chamar isso de vida.
Há lembranças que não envelhecem, permanecem intactas dentro da alma, como feridas preservadas pelo próprio tempo.
Com o tempo, percebi que algumas feridas não cicatrizam, elas apenas aprendem a respirar dentro de nós sem chamar tanta atenção.
Existem feridas que não querem ser curadas; querem apenas que alguém reconheça que elas existiram e que doeram mais do que as palavras conseguem contar.
Existem feridas que não cicatrizam porque foram feitas exatamente no lugar onde nasceu a nossa maneira de amar.
As feridas mais profundas nem sempre deixam marcas visíveis. Muitas vezes, elas silenciosamente roubam a confiança, enfraquecem a esperança e fazem o mundo parecer menor do que realmente é.
Existem feridas cuja maior crueldade não é a dor que provocam, mas a lucidez que deixam como herança.
