Feridas
Algumas feridas não se resolvem com o tempo. Elas atravessam, permanecem, se manifestam em silêncio.
O que não é reconhecido não se dissolve. Se repete, se infiltra, se atualiza nas relações e nas escolhas.
A tentativa de esquecer não cura.
A negação só mantém a ferida em estado ativo.
Cicatrizar exige outra coisa.
Exige sustentar o contato com o que doeu, sem fugir, sem distorcer.
É nesse encontro que algo se desloca.
Não porque a ferida desaparece, mas porque deixa de comandar.
No fim, integrar é isso.
Não apagar a dor, mas não viver mais a partir dela.
A vítima de abuso psicológico nem sempre tem marcas visíveis,
mas carrega feridas profundas na mente e no coração.
Vive confusa, duvidando de si, como se estivesse sempre errada.
Sua voz é silenciada aos poucos, até quase desaparecer.
E o mais doloroso… é perceber que estava sendo destruída em silêncio.
Helaine Machado
As feridas foram tão frequentes que aprendi a sempre guardar tudo o que sinto, a não falar demais por saber que ninguém vai se importar, a ficar de longe por saber que ninguém vai me notar.
Escrita jorra como sangue de feridas abertas, curando o escritor enquanto infecta leitores com verdades que queimam como ácido na pele.
Há feridas na alma que desafiam a cura; elas não sangram no cotidiano, mas latejam ao menor toque da lembrança.
Das dores do estômago, da falta no bolso e das feridas do coração, nascem as lições mais duradouras.
Não é um sol que ofusca, mas um brilho que aquece,
Que toca as feridas com a ponta de um verso manso.
Sob o som desse alento, a angústia enfim adormece,
E o peito encontra o ritmo doce do descanso.
---------- Eliana Angel Wolf
O conforto é a mão que não julga o cansaço,
Que aceita as feridas como marcas de guerra.
A poesia da vida se escreve no passo,
No rastro de luz que a gente deixa na terra.
------- eliana Angel Wolf
Há feridas que são mais cortantes que faca de dois gumes, mas há reflexões que são bainhas sob medida!
Há feridas que sangram silenciosas, invisíveis aos olhos alheios, mas que rasgam a alma com a precisão de uma lâmina afiada.
Não é a força do corte que as torna temíveis, mas a forma como se instalam, corroendo aos poucos a coragem de quem as carrega.
Palavras não ditas, gestos que doem, perdas que jamais encontram adeus — tudo isso é uma faca de dois gumes, que fere tanto quanto ensina a temer.
E, no entanto, há reflexões que chegam como bainhas sob medida.
Elas não evitam o corte, mas oferecem suporte, amparo, um contorno que protege sem impedir o movimento.
São pensamentos que alinhavam o fio da consciência, que transformam a dor em aprendizagem, a confusão em clareza, o remorso em reconhecimento.
A bainha não tira o corte da lâmina, mas permite manejá-la com firmeza e segurança.
A diferença entre sofrer e compreender, entre se perder e se reencontrar, está nesse equilíbrio delicado.
Ferir é inevitável; ser ferido é humano.
Mas refletir com honestidade, com coragem, é criar espaço para que cada corte se transforme em cicatriz, e cada cicatriz, em história que fortalece sem endurecer.
Porque, no fundo, a vida só se revela plenamente a quem aprende a conviver com a lâmina e a bainha — a dor e a consciência, a ferida e a reflexão, o corte e a proteção.
Ele cura feridas com um simples toque, faz do pouco um infinito em nós.
Mas cobra caro quando vira posse,
quando ama alto e escuta a sós.
Não foi o inimigo que me quebrou,
foi quem jurou ficar.
As feridas que carrego
não vieram da guerra,
vieram do amor usado como faca,
de palavras que entraram sorrindo
e saíram rasgando.
Meu coração
não tem cicatrizes de ódio,
tem cortes de afeto mal usado,
tem marcas de quem entrou como abrigo e saiu deixando escuridão.
Aprendi tarde:
algumas pessoas não matam o corpo, matam a luz.
E essa morte
não deixa sangue…
deixa ausência.
É fácil bater em pastor quando ninguém vê as feridas que ele esconde para continuar cuidando do rebanho; muitas vezes ele é esquecido, ignorado e até traído por quem mais ajudou.
Quem carrega o Céu:
não deixa rastros de dor,
não normaliza abusos,
não justifica feridas em nome de Deus.
Deixa marcas de amor que edifica,
verdade que liberta,
e graça que transforma.
Continue guardando teu coração, para que cada passo teu seja testemunho do Reino, e não eco de trevas. miriamleal
Quem anda com Deus não espalha medo, confusão nem feridas, espalha paz, verdade e cura, mesmo quando precisa confrontar.
Porque o fruto revela a raiz.
“Pelos seus frutos os conhecereis.”
(Mateus 7:16) miriamleal
Cuide do seu emocional. Feridas não tratadas podem se tornar prisões, mas quando entregues a Cristo, viram testemunho e cura.
Confie: no tempo certo, Deus vai entregar o que ainda falta. O que Ele tem para você não está atrasado, está sendo preparado.
