Feridas
Feridas abertas não são fraqueza, são a coragem brutal de cicatrizar, onde o sangue se ergue em semente de eternidade.
Transforme suas feridas em degraus firmes, cada dor em escada e cada queda em um novo impulso para a subida.
Mesmo cansado de tentar, a vida me mostrou que persistir é a única forma de transformar feridas em aprendizado e tropeços em passos firmes.
A fé não me poupou das feridas, mas me impediu de sangrar sozinho. Mesmo ferido, ser acompanhado faz com que o sangue não conte a história sozinho, há mãos que seguram.
Fui ferido por sonhos, mas não parei de sonhar, as feridas não mataram minha vontade de voar, sonhar é resistência que insiste em ressurgir, mesmo ferido, continuo a mirar o horizonte.
A alma quebrada aprende a amar com cuidado, quem sofreu cuida das feridas alheias com ternura, os gestos pequenos viram cura verdadeira, amar com cuidado é gesto que reconstrói.
As feridas não precisam ser escondidas, são mapas de onde o amor passou. Deus não apaga cicatrizes, Ele as transforma em constelações. Quem atravessa a dor com fé se torna luz para outros caminhos.
Há uma serenidade selvagem em entender que certas feridas da alma não precisam de testemunhas, apenas de silêncio para cicatrizar.
As feridas que a vida não cicatriza se tornam lições silenciosas, escritas na profundidade do nosso ser.
No espelho dá para ver ele corroer e deixar feridas, pois o tempo não cura tudo, apenas registra as batalhas que perdemos.
Há noites em que o passado é uma chuva lenta no rosto, cada gota desenha mapas de feridas que não cicatrizam. Ando pelas ruas da memória descalço, procurando um porto. Não encontro abrigo, encontro só sinais de onde fui naufragado. E aprendo a navegar com a fome como timão.
A dor digna é aquela que ensina sem pedir aplausos. Sofrer com nobreza não é ostentar feridas, é cuidar delas. Cuido com pequenos rituais e com paciência que não grita. E, no silêncio, descubro que a dor se transforma em história. História que não humilha, apenas testemunha o caminho.
