Ferida
O que hoje é ferida, amanhã é cicatriz... e toda cicatriz é a assinatura do que te fez mais forte. Amar alguém que não fica é uma forma de santidade: é amar sem possuir.
A polarização conseguiu expor o que há de pior no Comportamento Desumano: a Hipócrita Ferida Aberta.
Nela, o Sujo nem se constrange em falar do Mal Lavado, e ambos alisam suas próprias mazelas.
Quando as convicções deixam de ser pontes e passam a ser trincheiras, o debate se transforma em Espetáculo Moral.
Cada lado passa a enxergar no outro não um Adversário de Ideias, mas um Inimigo de Existência.
E, nesse cenário, a coerência deixa de ser virtude — torna-se obstáculo.
A hipocrisia prospera justamente aí: no terreno onde a crítica é seletiva e a indignação quase sempre tem dono.
O erro do outro é prova definitiva de sua perversidade; o próprio erro, quando aparece, vira detalhe, contexto, exceção ou silêncio.
Assim, as consciências vão sendo anestesiadas pelo conforto de pertencer a um lado.
O curioso é que, quanto mais se denuncia a sujeira alheia, mais se normaliza a própria lama.
A acusação vira perfume moral: quem acusa se sente automaticamente absolvido.
E, pouco a pouco, já não importa mais a verdade do que se diz, mas apenas a utilidade do que se aponta.
Talvez seja por isso que a polarização produza tantos juízes e tão poucos examinadores de si mesmos.
É mais fácil carregar a lanterna para iluminar o rosto do outro do que suportar a claridade sobre o próprio.
No fim, o que se vê não é uma disputa entre virtudes, mas um espelho quebrado onde cada lado enxerga apenas os estilhaços que lhe convêm.
E enquanto todos se ocupam em provar quem está mais limpo, a hipocrisia — essa velha senhora muito bem adaptada — continua reinando tranquila, vestida com as cores de todos os lados.
A Ferida Aberta da Hipocrisia sangra aos aplausos à Violência contra homens que seriam crucificados se não fossem as vítimas.
Há algo de profundamente perturbador quando a dor alheia deixa de ser critério e passa a ser conveniência.
A violência, que deveria causar repulsa instintiva, passa a ser tolerada — e até celebrada — dependendo de quem a sofre.
Não é mais sobre justiça, mas sobre preferência.
Não é mais sobre princípios, mas sobre narrativas.
A hipocrisia, nesse cenário, não se esconde: ela se exibe.
Aplaude com uma mão enquanto aponta com a outra.
Condena o ato em um contexto e o glorifica em outro, como se a moral fosse maleável o suficiente para caber nos interesses do momento.
E assim, o que deveria ser uma ferida a ser tratada transforma-se em espetáculo a ser consumido.
O mais inquietante é que esse aplauso não nasce do desconhecimento, mas da escolha deliberada de ignorar.
Sabemos — ou deveríamos saber — que inverter papéis não muda a essência do ato.
Se a violência é inaceitável, ela o é em qualquer direção.
Quer seja contra o Homem ou contra a Mulher.
Que não se confunda: denunciar a hipocrisia na forma como a violência é tratada não é, em hipótese alguma, relativizar sua gravidade — muito menos quando ela recai, historicamente, de forma brutal e recorrente sobre as mulheres.
A crítica aqui não suaviza a violência; ao contrário, exige coerência nua e crua na sua condenação.
Porque aquilo que é inaceitável não pode depender de quem sofre para ser reconhecido como tal.
Mas reconhecer isso exigiria uma coerência que poucos estão dispostos a sustentar.
Preferimos, então, o conforto da seletividade moral.
Julgar com rigor quando nos convém e relativizar quando nos favorece.
E nesse jogo, a vítima deixa de ser humana para se tornar argumento, e o agressor, muitas vezes, apenas um reflexo do aplauso que recebe.
No fim, a hipocrisia não apenas sangra — ela contamina.
E enquanto insistirmos em escolher lados ao invés de princípios, continuaremos assistindo, cúmplices, à normalização daquilo que um dia juramos combater.
31 de janeiro -Dia da Saudade!
"Saudade seu moço,
é ter a casca da ferida arrancada...
É ter a alma inflamada...
É dor que não acaba mais!"
☆Haredita Angel
"Há momentos na vida da gente que a saudade dói, tal e qual, casca de ferida quando arrancada.
-A tristeza pensa em firmarmoradia;
-O mar quer desaguar inteiro pelos olhos;
-O peito aperta e o ar foge...
Mas, o bom é que Tudo Passa!
Tudo recomeça!
Tudo volta a florescer!"
Haredita Angel
20.04.25
SOMBRA FERIDA NO OSTRACISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No meu porão não há arco-íris, há neblina e luto
um veludo de pó que emoldura o corte do absoluto.
As paredes, urnas frias, suspiram úmidos segredos,
onde a luz morreu em filas, sepultada entre medos.
Há um perfume de velório, metálico e ancestral,
cheiro de livros podres, de promessas em funeral.
As tábuas gemem documentos de infância em decomposição,
e eu, órfão de auroras, escuto o peito em erupção.
Os vermes fazem coro num idioma de sal,
recitam o credo antigo da desordem e do mal.
Não vêm risos prometidos das pontes do horizonte,
só ecos de um requiem que secos meus ossos aponte.
A túnica do sonho jaz rasgada, sem bordado,
e a esperança, cadáver, exala ar frio e embargado.
Vejo, entre teias grossas, um retrato de saudade,
o olhar do tempo fechado numa urna de verdade.
Quem trouxe velas aqui? Quem desabou essa cal?
E somente o vento com fome, sussurra: _ o funeral.
Não há prisma que ministre cores à noite do abandono,
apenas o vinho azedo do remorso e do engano.
As rimas que eu buscava, como penas, se desfazem,
perdidas nas catacumbas onde as vontades jazem.
E o coração, esse pássaro morto, pesa como um sino
que bate sem crença, anunciando o próprio destino.
Aqui as estrelas não descem; apenas descem os lamentos
de uma geometria morta, sem mapas nem alentos.
Trazem-me vozes em latim as lembranças desbotadas,
orações incompletas por almas já extraviadas.
E eu, médico das sombras, abro o livro da ruína,
escrevo nela com lágrimas a página da ladainha.
Não espero salvação que salvação há no pó?
A salvação é miragem, e o porão é o seu nó.
Se há amor, é funesto; se há fé, é contrição;
se há cor, é somente a púrpura da minha instrução.
Por fim, deixo aos ratos as medalhas do desvelo
e à penumbra consagro este pobre desassossego.
No meu porão não há arco-íris, há silêncio e ossos
e a voz do tempo que bebeu todos os nossos esforços.
E se acaso amanhã algum raio ousar romper o chão,
ele morrerá engasgado na cova da razão.
Assim reclamo meu tribunal de sombras e lutos,
onde escrevo, com sangue frio, os versos absolutos.
Que fique a certidão: no fundo desta invenção,
não há arco-íris só a eterna, sublime condenação.
Depois de uma grande ferida, a mente pode transformar o medo em silêncio e chamar isso de proteção. Não deixamos de amar porque o amor acabou; às vezes, apenas escondemos esse sentimento tão profundamente que até nós mesmos passamos a acreditar que ele desapareceu.
-Jouberth Toffoli
"Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou. O amor não partiu. Ele permaneceu distante. E a distância é mais cruel que a ausência."
Eu não me sento na ferida, eu me levanto pela fé.
A dor não é meu endereço,
é só um lugar por onde eu passei.
Porque o Deus que me vê também me cura,
e o amor dEle é maior do que tudo que eu enfrentei. miriamleal
"Quando a aversão encontra uma alma ferida
Quando entre Deus e o homem há uma mentira
Quando os bons ventos entram em sua vida
Quando a honestidade é trocada por malícia.
O que faremos e por quê?
O preço da ignorância é a escravidão, a escravidão.’’
Sala de Aula Ferida
Helaine Machado
Dizem que escola é caminho,
mas tem sido desvio de dor.
Onde a voz do aluno se cala,
e o medo fala mais alto que o amor.
Cadernos fechados pelo grito,
sonhos interrompidos no chão.
Não se aprende sob ameaça,
nem cresce quem vive em tensão.
Farda não pode ser resposta
pra quem só quer existir.
Educação não é confronto,
é ponte pra construir.
Se a escola perde o sentido,
algo precisa mudar com urgência…
porque lugar de aprender é com respeito,
e não com violência.
Helaine Machado
