Ferida
Dizem “dar tempo” como se fosse remédio,
mas tempo vazio só deixa o tédio.
Não cura ferida, não cola pedaço,
só cria distância, só aumenta o espaço.
Amor não espera sentado na esquina,
precisa de gesto, de voz que ilumina.
Quem dá só o tempo,
sem se entregar,
vai ver que a vida levou sem voltar.
🎤 TRAP – "Ferida em Rima"
Intro:
Yeah, yeah, ahn
É a Lucci na voz, olha no beat
Trap de resistência, escuta aí
Verso 1
Eu tô firme na trilha, sem deixar cair,
fé blindada no peito, nada vai me iludir.
Vida bate pesado, tenta me derrubar,
mas cada queda é impulso pra eu voar.
Choro virou munição, lágrima virou poder,
a dor que me queimava agora faz eu crescer.
Olho pro céu, vejo luz me chamar,
quem nasceu vencedor não vai parar.
Refrão
Nada me para, sou chama que inflama,
coração na batida, transformo em programa.
Do fundo do abismo eu subi pra estrada,
ferida que sangra é rima rimada.
Verso 2
Espelho me encara, cicatriz no olhar,
mas cada marca é história que veio me forjar.
O mundo duvida, me tenta, me testa,
mas eu sou prova viva: vitória manifesta.
Grave bate, trap vibra na quebrada,
verso sincero, minha alma tatuada.
De frente pro jogo, não dá pra recuar,
sou guerra, sou fogo, vim pra eternizar.
Refrão
Nada me para, sou chama que inflama,
coração na batida, transformo em programa.
Do fundo do abismo eu subi pra estrada,
ferida que sangra é rima rimada.
Outro
Yeah, yeah…
Do sangue nasce arte, do peso nasce estrada,
eu sou cicatriz que rima, vitória eternizada.
È Mesmo despedaçado, tento me recompor,
Carrego tua marca,
a ferida, a dor.
E no caos que ficou,
encontro meu chão,
Aprendo a viver com
teu fantasma no coração.
Ode à Terra e à Marte
Enquanto vivo e observo
o presente desolador da Terra,
sinto a ferida aberta
daquilo que um dia foi jardim...
O céu cinzento cobre
os pulmões das cidades,
rios agonizam no silêncio,
florestas ardem como preces
jamais atendidas...
E então penso
no longínquo futuro de Marte,
no planeta vermelho
onde a humanidade deposita
sua febre de fuga e conquista...
Será igual?!!
Será que levaremos para lá
a mesma sede insaciável
que nos trouxe até aqui?...
Será que os desertos de Marte
serão povoados não de flores,
mas de nossas velhas ganâncias
e ruínas repetidas?...
Ó Terra, mãe esquecida,
teus ossos ainda sustentam
a vida que maltratamos...
Ó Marte, planeta distante,
tens a chance de não carregar
a maldição de nossa história....
Mas o homem é o mesmo,
onde põe os pés, deixa cicatrizes...
Se não aprender a cultivar a razão
com o coração,
nenhum planeta nos salvará...
Pois a verdadeira viagem
não é rumo ao espaço,
mas para dentro,
sem essa travessia,
nem Terra, nem Marte,
serão lar...
✍©️@MiriamDaCosta
Quem sou eu?
Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.
Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.
Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.
Quem sou eu?
Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.
O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.
Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.
Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.
Quem sou eu?
Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.
Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.
Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.
Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.
No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...
✍@MiriamDaCosta
Você não pode se curar de uma ferida se continuar acreditando que ela foi um carinho.
- Vanessa Costa Lima
Eu não sou do tipo que, diante de uma ferida, coloca apenas um curativo por cima e finge que está tudo bem, dizendo que ela vai sarar sozinha ou que não houve culpa nenhuma no corte que a causou.
Sou do tipo que limpa a ferida, aperta para o pus sair e trata a infeção pela raiz, para que não se espalhe pelo pé inteiro. Vai doer? Vai, sim. Mas é necessário, e é para o teu bem.
Resta o vázio
Como decifrar a ferida do coração?
Ainda sangram quando olho suas fotos, quando você sorri para outro e não para mim.
Como decifrar a ferida do coração?
Quando a ferida ainda não cicatrizou,
Desde que você partiu
E nunca mais voltou.
E mesmo que o tempo tente apagar,
O eco do seu riso ainda me persegue, como um fantasma que não sabe partir, ea ferida…
ela sussurra seu nome em silêncio.
E no fim, só resta o vazio
que você deixou.
Lembrei de ti
Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.
Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.
Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.
Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.
Hipócrita
Isso foi tudo que restou,
um caco de vidro enterrado no peito,
memória ferida que sangra silêncio,
eco de promessas que morreram no escuro.
Teu amor, hipócrita,
era fogo disfarçado de abraço,
ceniza quente que queimava e sorria,
um veneno doce que se escondia nos lábios.
E eu, naufrago de tua ausência,
vago entre sombras de nós que não existem,
cada suspiro um grito afogado
no abismo de um desejo que nunca volta.
Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.
Sei que está em tudo o que eu viver, em tudo o que eu sonhar. E essa ferida é profunda demais pra fechar. Meu coração não consegue mais amar. Você o prendeu e não deixou mais voar.
“A ferida não desaparece, mas cicatriza na medida em que é reconhecida, integrada e ressignificada.”
- Trecho do livro Quando o pai falta:
a ferida da ausência paterna e o caminho de maturidade da alma
“Todo sofrimento é criado pela mente. Você foi ferido, mas não crie outra ferida focando na dor que a primeira já causou em você.”
Chovia como se o céu abrisse uma ferida antiga sobre a cidade, e cada gota trouxesse consigo um fragmento daquilo que ainda não aconteceu. Eu caminhava dentro desse rumor líquido com a sensação estranha de estar tocando a quarta dimensão, como se o tempo deixasse de ser linha e se tornasse um quarto secreto dentro do peito. Havia, na parede de uma casa esquecida, um relógio sem ponteiro. Ele não marcava horas; marcava ausências, retornos, aquilo que a memória inventa quando a saudade precisa sobreviver.
No bolso, eu carregava uma bússola de areia. Ela não apontava para o norte, mas para dentro, para esse lugar onde seguimos olhando o futuro reescrevendo o passado, sem perceber que ambos se misturam na mesma água escura. Talvez viver seja isso: atravessar a chuva sem querer secar demais, aceitar que o destino também hesita, e compreender que o amanhã nem sempre vem à frente. Às vezes, ele chega ontem tocando nossas cicatrizes, mudando o nome das antigas dores e devolvendo sentido ao que parecia perdido antes que a alma aprenda a chamá-lo casa.
Às vezes, o que parece rispidez é apenas ferida aberta. Olho para a carência com compaixão e ofereço afeto, pois quem ama a humanidade entende que cada ser merece ser valorizado e cuidado com a doçura de quem sabe o que é viver de verdade.
"Existem pessoas que se tornam 'algozes' por fora apenas para proteger a criança ferida que carregam por dentro."
"Muitos veem o espinho na fala, mas poucos têm a coragem de enxergar a ferida aberta no peito de quem está apenas tentando dizer a verdade."
