Ferida
O deserto se abre em silêncio,
como uma ferida antiga que ainda pulsa.
Uma porta aberta, imóvel,
esperando o que não voltou,
esperando o que talvez nunca volte.
O vento traz lembranças,
grãos de areia que carregam nomes,
promessas que se perderam no horizonte.
E mesmo assim, há esperança:
cada passo ecoa como oração,
cada sombra é um sinal de que o amor
não morre, apenas se transforma.
O coração insiste,
mesmo diante da vastidão árida,
em acreditar que o reencontro existe,
que o que partiu pode renascer
no calor de um olhar,
na coragem de um abraço,
na eternidade de um instante.
O deserto não é vazio,
é palco da espera,
é testemunha da fé que resiste.
E a porta aberta,
mesmo sem retorno,
é a prova viva de que amar
é nunca desistir de esperar.
Entre o delírio e a lógica
segue a mesma pulsação:
a lucidez é ferida,
e viver é insurreição.
William Contraponto
Se vai nadar num dos sete mares e este é repleto de tubarões, trate suas feridas primeiro. A ferida tem cheiro de SANGUE fresco.
Você é meu presente, meu destino, minha vida, E nada nesse mundo apaga essa ferida de amor. – Frase da música Eu te amo e te amo do dj gato amarelo
Esse foi super inspirado pela intimidade espiritual e ferida de “Maya” (Tagore) e pelas ideias de Camus — o Absurdo, a lucidez que dói, o amor que tenta tocar o irredutível silêncio do mundo
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"Da vontade de gritar com todo meu amor."
Há um instante, quase imperceptível, em que o amor deixa de ser apenas sentimento e vira pergunta. Uma pergunta muda, suspensa entre dois corpos, que ninguém sabe responder. Talvez seja isso que Tagore chamava de maya: esse véu tão delicado e tão firme que cobre tudo, confundindo o que é desejo com verdade, o que é presença com sonho.
Eu te amo nesse lugar de incerteza — onde tudo parece ao mesmo tempo eterno e prestes a desaparecer.
Camus diria que amar assim é enfrentar o Absurdo no seu estado mais puro: olhar para alguém e perceber que nenhum gesto, nenhum abraço, nenhuma palavra é capaz de garantir permanência. E mesmo assim insistir. Mesmo assim se lançar. Mesmo assim arder.
Há uma melancolia suave na forma como eu te penso. Não é dor, exatamente. É mais como a consciência aguda de que te amar é tocar o limite daquilo que posso alcançar. Você é real o suficiente para me transformar, mas distante o bastante para que eu nunca te possua por completo.
E talvez seja por isso que minha alma se curva quando penso em você — não num gesto de rendição, mas de reverência.
No silêncio entre nós dois, sinto a doçura amarga de algo que não se explica. E não precisa. O amor não é uma equação a resolver, é uma chama que se aceita. Ainda que dance sozinha.
Às vezes, penso que te amar é como caminhar por uma manhã cinzenta: tudo parece frio e suspenso, mas o simples fato de você existir colore o horizonte com uma promessa que não sei se é real ou miragem. E mesmo assim eu sigo. Sigo porque, de algum modo, minha lucidez se curva diante da tua presença, não para se perder, mas para admitir que há uma beleza que ultrapassa qualquer lógica.
Eu te amo sabendo que o mundo é surdo às nossas súplicas. Que o tempo não para. Que nada garante que esse sentimento sobreviva ao próprio peso. E, ainda assim, eu escolho. Escolho com a teimosia dos que sabem que a vida é curta demais para esperar sentido, mas longa o suficiente para amar com profundidade.
Talvez o verdadeiro milagre não seja você, nem eu — mas o espaço brilhante que se abre entre nós, onde o impossível se arrisca a respirar. Ali onde minha lucidez machuca, mas não vence. Ali onde meu coração entende que continuar é o gesto mais humano que existe.
E se tudo isso não passar de ilusão, de maya, de sonho que se desfaz no vento, então que seja.
Prefiro o risco do encantamento à segurança do vazio.
Porque te amar, mesmo sem garantias, é o modo mais bonito que encontrei de existir diante do Absurdo.
Y.C (Para Nanyzita)
Depois de tanto me ferir na vida,
Aprendi que promessa não cicatriza ferida.
Palavra é bonita, eu sei até fazer,
Mas não é discurso que sustenta o viver.
Foram tantos sorrisos que não eram verdade,
Promessas vazias, falta de lealdade.
Caí em buracos por confiar demais,
Em amores falados que não eram reais.
Até que um dia me vi no espelho encarar,
Não quem eu queria, mas quem aprendi a me tornar.
Hoje eu sei: não sou qualquer pessoa não,
Não sou melhor que ninguém, mas tenho visão.
Aprendi que ação é quem fala mais alto,
Que quem vale de verdade não precisa de palco.
Confiança não nasce, ela é construção,
Lapidada no tempo, com prova e chão.
Diamante é raro, não brilha em qualquer mão,
No lugar errado, perde até o valor da paixão.
Não espero muito, mas no fundo eu sei,
Todo ser humano deseja algo, eu também desejei.
Mas não vou romantizar o que tem que provar,
Quem quer ficar perto precisa demonstrar.
A vida ensina, cobra e revela,
Mostra quem soma e quem só desmantela.
Valor não se compra, não se corrompe, não cai,
Ele vem de dentro, ninguém tira, ninguém trai.
Quem vai mudar a minha vida, eu sei quem é:
Não é homem nenhum… quem muda é DEUS em pé.
Lembra de José? Quando foi esquecido no chão?
Hoje todo mundo quer andar com ele, estender a mão.
Assim é a vida, primeiro a dor, depois a luz,
Quem permanece fiel, Deus honra e conduz.
❝ ...E no decorrer do tempo nós vamos aprendendo
com nossos erros, acertos e tombos, algumas feridas,
e cada dia nos tornamos mais fortes, e dispostos a
enfrentar e recomeçar. O mais importante é dar o
primeiro passo, cultivar flores e fazer florir o jardim
da nossa vida.....❞
Eu vi o amor em carruagem de fogo
Senti ferida que não doía em cicatriz
de novo e de novo...
Mesmo descontente, não me atrevia
esperar no que acontecia!
No mais bem querer, de querer andar
para não esquecer... De que solitário estou
Viver em um contentamento no mais
longiquo amor...
Sem vontade ou querer de está preso por amor
Ou vencer com vitória sem levar o prêmio
O mesmo sem a causa de poder ter benefícios
ao teu favor!
É o amor, amor... Amor!
Eu não vim para ser dialético, eu vim para quebrar as regras, tocando no cerne da ferida humana e atravessando-a até tocar a alma e despertá-la dessa escuridão ilusória que é o mundo em que vivemos hoje.
Coração de Cavaleiro
Todas as dores tem nome e origem!
Cada ferida um troféu!
E cantam na noite escura
a tua saudade
sempre!
Cada sonho é um motivo
para ter fé na vida...
Na certeza
de que
"é possível mudar as estrelas!"
E nós amigos mudamos juntos
os Rumos do Mundo!
Nosso Mapa Astral!
Nosso destino foi Curado...!
Igual num filme de cavaleiro
porque ninguém nunca teve o poder
de voltar depois de se dilacerar.
cada ferida se cicatriza, ateia fogo,
recupera das cinzas.
os corações que já tive foram queimados
e hoje, reconstroem em todos os pedaços.
Oi pai, tem piedade de mim,
Que essa dor não cabe no peito não.
Não é faca, nem é ferida,
É traição rasgando o coração.
Promessa feita no travesseiro,
Virou riso na boca de outro alguém.
A cangaia veio sorrateira,
Me deixou sem rumo e sem ninguém.
Eu era rei desse amor bandido,
Hoje sou refém da solidão.
A cangaia passou na minha vida,
Fez do orgulho pó no chão.
Eita cangaia agonizante,
Quebrou os chifres sem compaixão.
Foi de lá pra cá, sem rumo, sem pena,
Fez morada no meu coração.
Dói demais, dor extravagante,
Devastadora, sem explicação.
É dor de corno, é dor constante,
Depois da cangaia só resta a canção.
Hoje eu bebo pra esquecer teu nome,
Mas ele insiste em me acompanhar.
Chifre quebrado dói menos que saudade,
Quando a verdade resolve machucar.
O tempo corre, mas a ferida não.
O mesmo vazio persiste, amargo e fundo.
Foi a palavra não dita, a incompreensão,
que nos lançou em lados opostos do mundo.
Não foi a falta de amor, e sim o medo.
A covardia sutil de quem se cala.
Guardamos o maior de todos os segredos:
a dor que o orgulho, em silêncio, instala.
Nada mudou.
Mas hoje, na moldura do "antes",
escutei sua voz — um fio de luz,
lembrando os juramentos distantes,
do amor que a alma ainda conduz.
E se a distância foi por nós criada,
eu creio na ponte que o tempo pode refazer.
Pois o que foi quebrado, em cada madrugada,
ainda pulsa em mim, e pode reviver.
