Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Assim como me vedes neste momento, eu sou. Para mim própria não seria ambiciosa em meus desejos de querer ser muito melhor em tudo. Mas triplicar quisera vinte vezes, para vós, o que sou, ser mais formosa mil vezes, dez mil vezes mais senhora de um rico patrimônio. Para em vosso conceito ser mais alta, desejara ter conta incalculável de virtudes, belezas, bens e amigos; suas a soma total de quanto valho é soma negativa, que define, grosso modo, uma jovem sem preparo, talentos e experiência, que se julga feliz apenas por não ser tão velha que não possa aprender, e venturosa por não ser tão obtusa de nascença que aprender não consiga coisa alguma. Mas a suma ventura nisto tudo consiste em poder ela inteiramente vos confiar o espírito maleável, para que a dirijais, na qualidade de marido, senhor e soberano. Eu, com tudo o que tenho, desde agora passo a ser toda vossa. Até há momentos, era eu senhora desta bela casa, dona dos meus criados, soberana de mim própria; mas desde este momento a casa, a famulagem, minha própria pessoa, meu senhor, a vós pertence. Tudo vos dou com este anel. Se acaso vos separardes dele, ou se o perderdes, ou se presente a alguém dele fizerdes, indício certo isso será da morte de nosso amor e causa de queixar-me.

O tique-taque de seu coração marca o tempo que se esvai.

A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida...

'O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar.'

Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.

Apagar-me

Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

O que volta depois de ter passado é porque nunca deixou de existir.

Tecnologia

Para começar, ele nos olha nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos comandos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de quem só agüentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela agüentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.

Nossos maiores inimigos estão dentro de nós.

Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.

Estou animada, eu podia ir festar... mas eu também estou com sono, eu podia ir dormir. Mas você está online, então eu fico aqui, até você sair.

O homem é forte pela razão; a mulher invencível pela lágrima. A razão convence; a lágrima comove.

Obstáculos e dificuldades fazem parte da vida. E a vida é a arte de superá-los.

Só as crianças e os bem velhinhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperanças são breves.

Diminutivos

Domingo que vem, Mario Quintana faria cem anos. Um poeta superlativo,
que de franzino só tinha a aparência. Mas houve quem tentasse fazê-lo
parecer menor do que era. É sabido que certa vez um figurão disse a ele:
"Gostei muito dos seus versinhos", no que Quintana rebateu: "Obrigado
pela sua opiniãozinha".

Diminutivos caem bem quando aplicados aos nomes próprios. Verinha,
Tavinho, Soninha. Há até quem tenha recebido este carinho já na certidão
de nascimento: a maioria das Terezas que eu conheço são, na verdade,
Terezinhas, assim registradas em cartório. No mais, os diminutivos são
aceitáveis no universo infantil, quando a vida parece o Minimundo.
"Gostou do brinquedinho?" "Quer mais uma bananinha?"

E ficamos por aqui. Conversa entre gente grande não comporta excesso
de "inhos" e "inhas", a não ser que se esteja a serviço de um plano de
tortura.

Uma vez, entrei numa loja cuja funcionária conseguiu abalar meus
nervos. "Oi, amorzinho, posso te ajudar?" "Qual é o teu nomezinho?"
"Esta blusinha vai ficar uma gracinha". Parecia que eu estava na Saci.
Lembra da Saci, aquela loja de roupa infantil do tempo em que criança
se vestia de criança? Não agüentei nem dois minutos, fui embora antes
que ela me fizesse regredir ao útero materno.

Tem aquela situação clássica: quando te chamam de filhinha. Uma vez
testemunhei um palestrante responder assim à pergunta de uma moça
na platéia: "Veja bem, filhinha..." Eu teria me levantado e dado boa-noite.
Atender por filhinha e filhinho, só se forem seus pais chamando, e eles
sempre lhe chamarão deste modo, mesmo que você seja um filhão de
57 anos com 1m90cm de altura.

Escolha: ganhar um beijinho ou um beijo? Descolar um dinheirinho ou
ganhar dinheiro? Comprar um carrinho ou um carro? A maneira como
falamos revela como nos sentimos: se fazendo conquistas ou recebendo
esmolas da vida.

Para as gurias: jamais tolere ser chamada de mulherzinha.
Imediatamente você estará permitindo que lhe etiquetem
as piores qualificações, já que mulherzinha é fragilzinha,
dependentezinha, medrosinha, boazinha. Que boazinha,
o quê. Mulher tem que ser boa. Ou má.

Melhor se precaver contra os que se aproximam cheios de
diminutivos. Pode ser afeto, mas também pode ser ódio.
Quando uma mulher chama outra de "queridinha", está,
no fundo, querendo saltar na jugular da querida. Quando
um homem diz: "Vou ali falar com aquele carinha", há
grande chance de o papo terminar em pancadaria.

Pra completar, tem aqueles que aprontam com você e
depois dizem "foi brincadeirinha".

Cuidado com tanta meiguice.

Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta.

Vença-me. Seduza-me. Fique comigo. Ah, faça- me sofrer!

James Joyce
JOYCE, J., Finnegans Wake, 1939

Atenção: Essa vida contém cenas explícitas de tédio. Nos intervalos da emoção.

Que eu nunca mendigue paz para a minha dor, mas coração forte para dominá-la.

Amanhã vou estar mais suave
E quarta vai ser o meu dia
O fim-de-semana promete
Domingo vai ter que dar sol
Segunda vou acontecer
Não posso perder o teu show
Pro mês vou te visitar
É agora que eu saio de vez
Que bom que eu vou te encontrar
Amanhã vou estar mais feliz

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.