Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Germinal

Planta
Com emoção
Este verso em teu coração

Quem é capaz de sofrer intensamente também pode ser capaz de intensa alegria.

Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Foi-se o tempo em que a disputa se resumia ao clássico Ser x Ter. Dizem que ninguém mais dá a mínima para o que é, só para o que tem. Exagero. As pessoas ainda se preocupam com o que são. O problema é que não gostam do que são. Gostariam de ser outra coisa. E aí entra o verbo que está no topo das paradas hoje em dia: parecer.

Importante não é quando volto, mas como volto: mais feliz, mais maduro, mais pleno? Mais vivido.

Importante é viajar, conhecer novas culturas, cidades, portos. É confrontar pensamentos, valores, conceitos, sentimentos...

Estou aprendendo e vivendo e assim continuo...

Importante é recomeçar. É o velho novo, de novo. É tentar, tentar e tentar. E se nada do planejado der certo, simplesmente não planejar e seguir em frente. Há tantos lugares para ir, tantos Nortes e tantos Lestes.

Importante é fechar portas e abrir possibilidades. Vou, assim como vim. Como um barquinho de papel deslizando na correnteza da vida.

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz morrer.

É por isso que tomo ópio, é um remédio.Sou um convalescente do momento, moro no Rés do chão do pensamento e ver passar a vida faz-me tédio

Na vida você tem de escolher entre tédio e sofrimento.

Todo mundo tem um lado bonito. Eu gosto disso.

Toda mulher sempre desiste pra sempre até tentar de novo.

Cada um sabe a falta que o outro faz.

Há muito aceitei o destino espaventado que é o meu. Obrigada. Muito obrigada, meu senhor. Vou embora: vou ao que é meu. Meu coração está gélido que nem barulhinho de gelo em copo de uísque.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

O tempo não é uma medida: mas uma qualidade. Quando voltamos ao passado, não estamos voltando uma fita, mas relembrando uma passagem sobre a Terra. Não se mede o tempo como se mede uma estrada, já que damos saltos gigantescos para tráz (lembranças) e para frente (projetos).

Você saberá que é amada quando ele te olhar com mais carinho do que desejo,
com mais ternura do que paixão. Você saberá que é amada quando ele pedir mil desculpas por ter chegado atrasado você perceber nos olhos dele que ele está com o coração na mão. Você saberá que é amada quando ele não medir esforços para te ver para te agradar nem para demonstrar de todas as formas o quanto ele te adora e te quer bem. Você saberá que é amada quando mesmo que você sequer o esteja notando ele não pare de te rodear ansioso pra te encher de mimos e carinhos. Você saberá que é amada, enfim, quando ele ligar para você quando você menos esperar nem que seja apenas para ouvir tua voz
e te desejar um lindo dia...

Morri de muitas mortes e mantê-las-ei em segredo até que a morte do corpo venha, e alguém, adivinhando, diga: esta, esta viveu.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Morte de uma baleia.

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Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar as opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender. Também não me envergonho de dizer a verdade, mesmo que muitos se incomodem com isso, afinal, isso faz parte do meu caráter e de minha singular personalidade.

Eu sou a dama maldita que, sem nenhuma piedade, vai te poluir com todos os líquidos, contaminar teu sangue com todos os vírus.

Sei que as coisas são complicadas. Mas são ao mesmo tempo simples. Elas se complicam à medida em que se tem medo da simplicidade – porque essa simplicidade seja o fato em si, a verdade.

Clarice Lispector
Minhas queridas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 13 de agosto de 1947.

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Narrei ao senhor. No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi. Aqui, a estória se acabou. Aqui, a estória acabada. Aqui, a estória acaba.

Você estava tão confiante e segura de si,
que nem percebeu quando teu encanto chegou ao fim.

Sabe aquele lugar no cantinho, bem escuro,
lá atrás da zilhonésima oitava cadeira,
onde nem mesmo o ar habita?
Pois bem: é ali que eu fico. Ali é o meu cantinho.
Não é no palco, nem sob as luzes.
É ali mesmo, longe da vista de tudo e de todos.
E o que eu estou fazendo ali?
Me esforçando para fazer dele
um lugar melhor e mais bonito.