Felicitações Casamento

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Para conquistar algo na vida, como um emprego, um grande amor,precisamos ter " atitude", sair da zona de conforto e pagar o preço.
Nada que é facil demais tem muito valor, ou melhor, não valorizamos algo que conquistamos sem esforço.
Ter atitude !
Pagar o preço !
Sair da inèrcia !
Ser humilde e simples !
Ter o coração " quebrantado" e " misericordioso"!
Amar sem condições e restrições !
Esse é o grande segredo para ser feliz!
O amor !

"Olhe no espelho. Vai encontrar a sua maior motivação... ou seu pior inimigo"

O tempo não tem efeito sobre o que é eterno.

Ouça agora o que vou dizer, toda dor sentida nessa vida, durará apenas um momento, mas, na eternidade ela nunca terá fim.

As suas conquistas neste mundo não garantem seu passaporte para o paraíso a não ser que você tenha conquistado o céu

Se não te conquistei te levando flores, desisto!

A alegria do dinheiro é passageira. Mas a felicidade de ajudar um amigo é quase eterna, dura uma vida inteira.

Não sei quanto tempo dói uma desilusão, acho que deve durar uma eternidade.

Surreal e estranhamente único.

Logo vou te conquistar, talvez até seduzir. De vampiro tenho muito. Sinto grande necessidade em servir. Me alimento da sua atenção. Mas não coleciono amizades nem paixões. Como faço isso? Livro aberto é convite para ser lido. Aprendo rápido muitas coisas sobre você. Percebo no ar os pensamentos de quem tenho afinidade. Não, não sou nem um pouco manipulador. Só gosto de fazer diferença pra pessoas que me considero amigo. Não costumo passar em branco. Sempre deixo minha semente no seu coração.

Só sei ser eu mesmo. Não uso máscaras, nem conseguiria. Meu maior defeito é tentar ser perfeito. Sempre exijo muito de mim mesmo. Faço isso seguindo minha natureza. Sempre dou o melhor de mim. Costumo ser obcecado por minhas paixões. Mas nunca levo tudo 100% a sério. A vida fica bem menos complicada com senso de humor e flexibilidade. Dedico um bom tempo tentando me encontrar. As vezes dentro de mim, as vezes em outras pessoas.

Sou escravo do coração. Quando me apaixono por algo me entrego de cabeça sem medo. Quando me apaixono por alguém preciso de segurança pra fazer o mesmo. Mas acho estou aprendendo a não dar corda pro coração quando a razão mostra que não devo avançar. Meu maior hobby é me dedicar a você. Gosto de cuidar dos meus amigos e amores. Acho que não conseguiria viver sozinho, apesar de gostar da solidão. Me insiro fácil em novas rodas de amizade.

Não tenho medo do que os outros vão pensar. Não costumo me relacionar com pessoas que ainda não conheça. Não acredito que seja por falta de vontade. Talvez necessidade de segurança, alguma coisa bloqueia minha atitude. Não tenho amigos sem conteúdo. Nem costumo me afinizar com pessoas vazias ou que levem a vida no “piloto automático”. Não me incomodo em ficar sozinho por conta disso. Eu sei que na hora certa a pesssoa certa aparece. Não sou bom com relacionamentos superficiais. Comigo duraram pouco, os poucos que tive.

Gosto de ser o que sinto. Digo o que vivo e não minto. Definitivamente não sou bom com mentiras. E por isso acredito no que os que tenho como amigos dizem e não temo ou duvido disso. Acerdito na bondade das pessoas, no brilho do olhar de uma criança e nas rugas de experiência de um idoso. Estou em constante revolução interna. Não mudo meus valores, mas sempre estou lapidando minha essência.

Sou analista de mim mesmo. Pinto minha própria tela e toco a minha sinfonia. Conheci você pra te absorver, e tirar dessa amizade o melhor exemplo pra mim. E pra plantar no seu coração minha semente. Sou um pouco de cada um e cada um é um pouco por mim. Com você eu sou mais eu. Em você eu vejo eu. Então é assim! Se você não entendeu é porque ainda não me conheceu. Neste me descrevo sem pudor e sem temor. Este sou eu.

Surreal e estranhamente único.

⁠Infeliz do homem que luta por um ideal cuja conquista não lhe será benéfica, portanto, quando fores tremular uma bandeira partidária, procure certificar se seus esforços encontram motivos para existirem, na pessoa que você busca se espelhar.

⁠Ser feliz é
saber viver uma eternidade
dentro da efemeridade
chamada de vida.

Quem só apresenta preço disputa clientes. Quem entrega valor conquista escolhas.

Toda conquista profissional precisa ser comemorada, pois são frutos germinados com esforço, lutas e perseverança, contudo regada de força de vontade, o principal ingrediente.

Respeito não se compra
Nem se ganha
Respeito você conquista
Com o que faz durante a vida

As Cinzas do Que Julgávamos Eterno.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Às vezes eu supunha que bastava acreditar.
Acreditar com a devoção dos que contemplam o horizonte e o confundem com a eternidade.
Então julgávamos possuir o mundo inteiro. E talvez algo além dele.
Pensávamos que dos ermos faríamos florestas. Que da aridez brotariam jardins. Que os fragmentos de vidro abandonados pelas estradas converter-se-iam em diamantes sob a luz dos nossos sonhos.
Mas o tempo possui uma linguagem que não pede licença.
Agora percebo.
Teu sorriso regressa diferente. Há nele uma melancolia silenciosa. Como se cada curva de seus lábios carregasse o peso de uma ferida invisível. Como se sorrir fosse uma forma delicada de sangrar.
Não desejava ver-te assim.
Ansiava reencontrar aquela força antiga. A mesma que atravessava tempestades sem curvar-se ao vento. A mesma que transformava os invernos da alma em estações suportáveis.
Contudo, há dores que pertencem apenas ao seu proprietário. Sombras que nenhum abraço dissipa. Abismos diante dos quais toda fuga é inútil.
E então resta apenas sentir.
Sentir o frio. Sentir a ausência. Sentir o lento desmoronar das certezas.
Houve um tempo em que parecia suficiente improvisar. Como se a existência fosse um livro aberto. Como se cada página aguardasse obedientemente a escrita dos nossos desejos.
Até o dia em que quisemos mais do que nos cabia.
Foi quando começamos a vender por migalhas aquilo que não possuía preço. Foi quando trocamos tesouros invisíveis por promessas efêmeras. E o sentido, pouco a pouco, dissolveu-se entre os dedos.
Hoje compreendo o valor raro de uma presença.
Alguém para ouvir sem transformar confidências em armas. Alguém para permanecer quando as palavras se tornam frágeis. Alguém para dividir o silêncio sem exigir explicações.
Quanto a mim.
Nada mais parece capaz de ferir-me como antes.
Não por coragem. Mas porque me habituei aos escombros da estrada equivocada que escolhi. Aprendi a caminhar entre ruínas. Aprendi a reconhecer minha própria lei nas cicatrizes que carrego.
Guardo apenas o que restou.
Pequenas relíquias de um passado que já não retorna. Vestígios de luz escondidos entre as cinzas.
E ainda assim considero-me afortunado.
Porque apesar de tudo. Apesar das perdas. Apesar da tristeza que se acumula nas margens da memória.
Ainda possuo o que ficou.
E creio que tu também.
"Há ausências que não morrem. Apenas aprendem a habitar os corredores silenciosos da alma."

A CRUCIFICAÇÃO.
No cimo triste da montanha erguida, morre o Senhor da eterna compaixão. Leva nos olhos toda a luz da vida, trazendo o amor por única razão. A brisa chora entre as oliveiras, O céu se veste em pálida tristeza. Calam-se os montes, calam-se as ribeiras, Ante o mistério da divina vez. A cruz se eleva sobre o mundo inteiro, como um altar de excelsa redenção. Parece rude o lenho carpinteiro, mas dele nasce a flor da salvação. Maria, em pranto manso e silencioso, contempla o Filho, sem nunca esmorecer. Seu coração, tão puro e luminoso, aprende a dor sem sem dela maldizer. João permanece ao lado da Senhora, guardando a fé no escuro entardecer. Enquanto o céu parece ausentar-se, seu amor insiste em florescer. Os cravos ferem mãos que distribuíram o pão da bênção, da paz e do bem. Ferem os pés das longas andadoras que nunca recusaram ir além. A fronte santa, coroada de sangue, possui mais brilho que o próprio sol. Cada ferida, embora sangrenta, abre no mundo um límpido sol. Nenhuma queixa rompe o santo peito, nenhuma sombra vence o coração. Perdão apenas brota, satisfeito, qual doce fonte sobre a ingratidão. O bom ladrão, olhando o Crucificado, descobre o clarão da imortalidade. Um só olhar, humilde e resignado, transforma a cruz em santa ascensão. As pedras tremem. Racha-se o horizonte. O templo antigo perde o velho véu. Toda esperança nasce, viva, à fonte que une a Terra para sempre ao Céu. As mães apertam seus filhinhos ao peito, sem compreender tamanho padecer. Mas cada lágrima caída daquele madeiro ensina o mundo inteiro a renascer. As aves calam seu canto festivo, os lírios curvam sua beleza. Até o vento veste negro manto diante do Amor que vence todo o mal. Cristo não morre. Apenas se levanta além da noite, além da dor. A cruz, que ao homem parecia tanta, converte-se em estandarte do Amor. Ó peregrino que outrora choraste, fitando o monte em silenciosa fé, sabe que o Cristo ainda vive agora, amparando o cansado em sua fé. Quem leva a cruz sem cultivar vingança, encontra a paz nas sombras do caminho. Quem faz do amor constante a esperança, jamais caminhará de todo sozinho. Assim termina o drama do Calvário, mas principia a eterna redenção, porque o madeiro, humilde e solitário, transformou-se em trono da perfeição.

A DAMA ALVA DAS SOMBRAS: O ETERNO ENIGMA DE ELIZABETH BÁTHORY.
Houve mulheres que atravessaram a História como rainhas.
Outras, como mártires.
E algumas poucas caminharam entre ambas as condições, envoltas por um nevoeiro tão espesso que jamais permitiu distinguir onde terminava a vítima e onde começava o monstro.
Elizabeth Báthory foi uma delas.
Nascida entre os salões aristocráticos da Hungria do século XVI, veio ao mundo cercada por brasões, riquezas e privilégios. Contudo, por trás da magnificência dos castelos, existia uma menina frágil, de tez quase translúcida, olhar distante e alma marcada por sofrimentos precoces. Relatos históricos mencionam enfermidades, convulsões e crises que a acompanhavam desde a infância, como se seu espírito já pressentisse uma existência destinada à tormenta.
Era uma dessas figuras cuja beleza parecia não pertencer inteiramente à Terra.
Sua pele possuía a alvura das primeiras neves do inverno.
Seus cabelos lembravam fios de ouro envelhecidos pela luz dos crepúsculos.
E seus olhos, segundo os cronistas, carregavam aquela estranha tristeza encontrada apenas nas pessoas que jamais conheceram verdadeira paz.
Ao contemplá-la, talvez alguém visse uma princesa.
Ao observá-la mais atentamente, perceberia uma sombra.
Elizabeth cresceu entre guerras, intrigas políticas e uma nobreza que transformava crueldade em demonstração de poder. Casou-se muito jovem com Ferenc Nádasdy, um dos mais temidos guerreiros da Hungria, e passou a habitar os austeros castelos erguidos entre montanhas cobertas de névoa. Enquanto o marido combatia exércitos distantes, ela permanecia cercada por corredores silenciosos, tapeçarias escuras e invernos intermináveis.
Foi ali que nasceu a lenda.
Ou talvez a tragédia.
Ou ambas.
Dizem que a solidão começou a consumi-la como um fogo invisível.
Dizem que o sofrimento tornou-se companhia.
Dizem que a dor, quando permanece tempo demais no coração humano, pode assumir formas monstruosas.
Mas também dizem que seus inimigos eram numerosos.
Que sua fortuna despertava cobiça.
Que sua condição de mulher poderosa em um mundo dominado por homens a transformava em alvo conveniente.
E é precisamente nesse ponto que a História se desfaz em bruma.
Durante séculos, narraram que ela torturava jovens donzelas.
Que castigos inimagináveis aconteciam nos aposentos de seu castelo.
Que centenas de vidas teriam desaparecido sob sua autoridade.
Que rios de sangue teriam corrido entre aquelas pedras ancestrais.
Porém, estudiosos modernos observam que muitas acusações foram baseadas em rumores, testemunhos indiretos e interesses políticos. Alguns pesquisadores sustentam que ela pode ter sido vítima de uma campanha destinada a enfraquecer sua influência e tomar seus bens. A própria narrativa dos famosos banhos de sangue parece ter surgido muito tempo depois dos acontecimentos, alimentada por lendas e imaginação popular.
E assim Elizabeth permanece.
Não como uma mulher.
Mas como um enigma.
Uma figura suspensa entre a realidade e o pesadelo.
Uma aparição que atravessa os séculos vestida de branco.
Às vezes parece uma criatura devorada pela própria escuridão.
Outras vezes, uma alma condenada injustamente pela crueldade dos homens e pelas conveniências da política.
Talvez jamais saibamos.
Talvez a verdade tenha morrido muito antes dela.
Em 1614, confinada dentro de seu próprio castelo, distante do mundo e dos tribunais da posteridade, Elizabeth encontrou o fim de sua jornada terrena. Não houve absolvição. Não houve condenação definitiva. Apenas silêncio.
E o silêncio, por vezes, é o mais profundo dos túmulos.
Hoje, quando o vento percorre as ruínas de Čachtice e a névoa cobre as antigas muralhas, parece ainda existir uma presença vagando entre aquelas pedras.
Não a da assassina.
Não a da inocente.
Mas a da eterna incógnita.
A mulher cuja beleza tornou-se lenda.
Cuja dor transformou-se em mito.
Cuja história foi escrita com a tinta ambígua dos séculos.
Benfeitora ou maligna?
Anjo ferido ou espectro cruel?
A resposta talvez pertença apenas às sombras.
E nelas permanecerá para sempre.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.

NOCTURNO DAS PROFUNDEZAS ETERNAS.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
Quando o dia expira em silenciosa agonia e a noite, soberana, estende seus mantos siderais, a brisa oceânica, em delicado murmúrio, desce dos confins do horizonte como um hálito antigo da Criação.
Nos augustos braços da santa Natura, a penumbra repousa sua fronte melancólica, e o mundo, vencido pela fadiga das horas, adormece ao som litúrgico das águas. O mar oscila em cadências imemoriais, enquanto a lua, vestida de argêntea magnificência, acende seus círios sobre o firmamento e derrama rios de ouro líquido sobre as espáduas inquietas das ondas.
Então rasga-se o véu escuro do espaço, e a claridade celeste, como bênção invisível, ameniza o ardor que dorme nas entranhas da terra, enquanto as procelas respiram junto às praias onde o infinito beija a matéria.
Ali permanece o oceano: arca insondável de enigmas, biblioteca líquida de mistérios, guardião de segredos que nenhum sábio decifrou por inteiro. Em suas profundezas dormem histórias sem voz, verdades sem nome, ciências ocultas que desafiam os séculos.
Gigante indômito e eterno, não conhece repouso nem esquecimento. Nem por um único instante interrompe sua marcha, pois acompanha o giro majestoso da Terra, essa peregrina azul suspensa no abismo cósmico. E as águas obedecem apenas às leis supremas que regem os astros e os mares, como se ainda escutassem, nas profundezas da noite, a voz ancestral de Netuno, senhor das correntes e das tempestades.
E nós, efêmeros viajantes da existência, que caminhamos sobre a crosta transitória do mundo, somos centelhas de uma energia maior, fragmentos conscientes do grande mistério universal. Basta contemplar o oceano para perceber que há uma inteligência silenciosa ordenando o movimento das marés, uma harmonia invisível que transcende os cálculos humanos.
Nenhum império, nenhuma máquina, nenhuma obra erguida pelas mãos dos homens poderá reproduzir tamanha grandeza. Mesmo que os séculos se acumulem como montanhas sobre montanhas, a perfeição das águas continuará inalcançável.
Pois existe uma ordem mais alta que governa os céus, sustenta a terra e pulsa nas profundezas do mar. Uma ordem que não se impõe pela força, mas pela sabedoria. Que não grita, mas conduz os mundos.
E diante dela, resta ao coração humano o sublime privilégio do assombro, a reverência do silêncio e a humilde certeza de que toda grandeza verdadeira nasce da eterna comunhão entre o Mistério, a Beleza e o Infinito.

"A alvorada ensina que nenhuma escuridão possui direitos eternos sobre o céu."

A DESGRAÇA REAL: A VISÃO ESPÍRITA SOBRE O SOFRIMENTO, A FELICIDADE E O DESTINO ETERNO DA ALMA.
O ser humano, desde os primórdios da civilização, procura evitar a dor e alcançar a felicidade. Entretanto, aquilo que normalmente chamamos de "desgraça" nem sempre o é diante das leis divinas. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V – Bem-aventurados os aflitos, item 24, a mensagem do Espírito Delfina de Girardin apresenta uma das mais profundas reflexões sobre a natureza do sofrimento e do verdadeiro destino da alma.
Sob a ótica espírita, os acontecimentos terrenos não podem ser avaliados apenas pelas aparências imediatas. A vida corporal representa apenas um breve instante da existência imortal. Aquilo que hoje parece uma calamidade pode transformar-se na maior bênção espiritual, enquanto aquilo que aparenta ser felicidade pode esconder os germes da mais profunda infelicidade futura.
A falsa ideia humana de desgraça.
Segundo a linguagem comum, a desgraça é identificada com a pobreza, a doença, o abandono, a morte de um ente querido, a traição, a humilhação, a perda de bens materiais ou qualquer circunstância que provoque sofrimento imediato.
Essas dores são reais e profundamente sentidas. O Espiritismo, porém, convida-nos a ampliar o horizonte da compreensão.
Nossa visão costuma limitar-se ao presente, enquanto Deus contempla simultaneamente o passado, o presente e o futuro do Espírito. Dessa forma, acontecimentos aparentemente dolorosos podem representar oportunidades indispensáveis de regeneração, aprendizado, reparação de débitos e crescimento moral.
A verdadeira medida dos acontecimentos não está no instante em que ocorrem, mas nas consequências espirituais que produzem.
As consequências valem mais do que os acontecimentos.
Delfina de Girardin utiliza uma comparação extremamente significativa.
A tempestade arranca árvores, destrói plantações e assusta os homens. Todavia, ao mesmo tempo, purifica a atmosfera, elimina os miasmas e preserva inúmeras vidas.
Assim também ocorre com muitas provações.
Uma enfermidade pode despertar a fé.
Uma falência pode destruir o orgulho.
Uma perda afetiva pode aproximar o coração de Deus.
Uma perseguição pode ensinar humildade.
Uma limitação física pode desenvolver virtudes que jamais floresceriam na abundância.
Aquilo que parece destruição muitas vezes constitui preparação para uma vida espiritual mais elevada.
A verdadeira infelicidade.
O ensinamento apresenta então um dos maiores paradoxos do Evangelho.
A verdadeira desgraça não é necessariamente o sofrimento.
A verdadeira infelicidade pode esconder-se exatamente naquilo que o mundo mais deseja.
O Espírito afirma:
"A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade..."
Essas palavras surpreendem porque invertem completamente os valores humanos.
Quando a criatura vive exclusivamente para os prazeres materiais, para a riqueza, para o orgulho, para a aparência e para as ilusões do mundo, sua consciência acaba adormecendo.
O excesso de conforto pode produzir esquecimento de Deus.
O sucesso pode alimentar o egoísmo.
O poder pode fortalecer a vaidade.
A riqueza pode incentivar o apego.
O prazer contínuo pode anestesiar a consciência.
Essa é a verdadeira infelicidade: viver distante da finalidade espiritual da existência.
O ópio do esquecimento.
Delfina de Girardin compara os prazeres desordenados ao ópio.
Assim como uma droga anestesia temporariamente a dor, os excessos materiais podem fazer o Espírito esquecer sua realidade eterna.
Entretanto, o despertar inevitavelmente chega.
Quando termina a existência física, desaparecem:
o corpo;
os títulos;
a riqueza;
a posição social;
os aplausos humanos.
Permanece apenas aquilo que a alma construiu moralmente.
É então que muitos percebem que desperdiçaram uma existência inteira perseguindo sombras.
A felicidade segundo a lei divina.
Para o Espiritismo, felicidade verdadeira não significa ausência de problemas.
Significa possuir paz de consciência.
É conservar a fé durante a dor.
É praticar o bem sem esperar recompensas.
É desenvolver virtudes que sobreviverão à morte.
É aproximar-se continuamente de Deus.
Sob essa perspectiva, um pobre resignado pode ser infinitamente mais feliz que um rico dominado pela ambição.
Um doente paciente pode estar espiritualmente muito acima daquele que desfruta perfeita saúde, mas vive escravizado pelos vícios.
As provações como instrumentos de progresso.
Nada ocorre por acaso.
As dificuldades da existência possuem finalidade educativa.
Segundo a Doutrina Espírita, muitas provas foram escolhidas pelo próprio Espírito antes da reencarnação, visando acelerar seu progresso moral.
Outras decorrem do uso equivocado do livre-arbítrio durante a vida presente.
Em ambos os casos, Deus jamais pune por vingança.
As provações constituem oportunidades de crescimento, reparação e aperfeiçoamento.
A dor, quando compreendida e bem vivida, transforma-se em poderoso instrumento de libertação espiritual.
O soldado da vida.
Na conclusão da mensagem, Delfina de Girardin compara o cristão ao soldado que enfrenta a batalha.
O verdadeiro combatente não foge das dificuldades.
Aceita os desafios com coragem porque sabe que a vitória pertence àquele que persevera.
Pode perder riquezas.
Pode perder prestígio.
Pode perder o corpo físico.
Mas jamais perde aquilo que realmente importa: as conquistas morais da alma.
A morte representa apenas o término da batalha terrestre.
O Espírito retorna ao mundo espiritual levando consigo unicamente suas virtudes, seus conhecimentos, suas obras de amor e o patrimônio moral acumulado ao longo das existências.
Reflexão final.
A mensagem "A Desgraça Real" permanece extraordinariamente atual. Em uma sociedade que associa felicidade ao consumo, ao sucesso imediato e ao prazer incessante, o Espiritismo recorda que os verdadeiros valores são invisíveis aos olhos do mundo.
A maior desgraça não consiste em sofrer, mas em perder a oportunidade de evoluir.
A maior pobreza não é a falta de dinheiro, mas a ausência de virtudes.
A maior derrota não é morrer, mas atravessar a existência sem transformar o próprio coração.
Toda dor suportada com fé, humildade e confiança em Deus converte-se em degrau para a ascensão espiritual. Toda felicidade material, quando utilizada com egoísmo e vaidade, pode converter-se em obstáculo ao progresso da alma.
O Espírito imortal é chamado a olhar além da matéria, compreendendo que a verdadeira felicidade nasce da consciência tranquila, do amor praticado e da certeza de que a vida continua para além do túmulo.
Fontes:
O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo V – Bem-aventurados os aflitos, item 24: "A Desgraça Real".
Allan Kardec.
Delfina de Girardin.
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