Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental

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Entre a confiança, a esperança e a falibilidade


Com o passar do tempo, torna-se inevitável perceber o quanto as relações humanas são frágeis. As notícias e os comportamentos do cotidiano nos colocam em xeque quanto à possibilidade de confiar verdadeiramente nas pessoas — especialmente naquelas que acabamos de conhecer. Mas essa constatação não é pessimismo; é apenas o realismo de quem enxerga o mundo sem ilusões, mas ainda procura significado dentro dele.


A confiança, apesar de difícil, continua sendo um gesto de coragem. Confiar não é negar o risco, mas aceitá-lo conscientemente. Poucos serão realmente dignos dessa entrega, e alguns inevitavelmente quebrarão aquilo que construímos com sinceridade. Ainda assim, viver com o coração totalmente fechado é uma forma de morrer antes do tempo. A sabedoria está em não desistir das pessoas, apenas em aprender como, quando e em quem confiar.


Conforme as conquistas pessoais se acumulam, surge outro tipo de solidão — a de perceber que é quase impossível compartilhar certas vitórias com quem não viveu o sacrifício que as tornou possíveis. Há algo de silencioso no esforço que só é compreendido por quem o sentiu na pele. E quando dividimos nossas vitórias com quem apenas vê o resultado, sentimos o vazio de falar a um desconhecido. Esse distanciamento não é ingratidão; é apenas o preço natural do crescimento.


Diante disso, a esperança parece vacilar. Como mantê-la, quando tudo o que se observa na realidade parece contradizê-la? A resposta talvez esteja em mudar a forma como a entendemos. Esperança não é esperar que tudo dê certo — é decidir continuar mesmo quando nada garante que dará. É um ato de resistência silenciosa, a recusa de deixar que o caos apague o sentido.


Mas talvez o ponto mais importante seja reconhecer que nenhum de nós é feito de certezas imutáveis. Gostamos de acreditar que temos princípios inabaláveis, mas, na prática, o ser humano é falível. Nossos valores são testados pelas circunstâncias, e às vezes cedem — não por fraqueza, mas porque somos feitos de carne, medo e amor. O que nos torna íntegros não é nunca falhar, e sim perceber quando nos desviamos e voltar a nós mesmos.


Com o tempo, compreende-se que a força moral não está em ser incorruptível, mas em manter-se vigilante. Saber que podemos errar até no que mais consideramos importante nos mantém humildes. Impede que nos vejamos como especiais ou superiores. Essa consciência da própria falibilidade é o que sustenta a verdadeira integridade: a de quem não se esconde atrás de princípios, mas os vive com lucidez, mesmo sabendo que pode falhar.


Em última instância, amadurecer é isso: aceitar que a confiança será, às vezes, quebrada; que a esperança vacilará; que nossos valores, por mais profundos, serão testados. E ainda assim escolher continuar — não por ingenuidade, mas por coragem.
Porque, no fim, a grandeza humana não está em ser inabalável, e sim em reerguer-se consciente da própria fragilidade.

O tempo poupa os temperados, enquanto desgasta os frágeis.

Temporário


Somos momentos.
Dentro de algumas dezenas de anos.
Passando esse tempo, no entanto tão pensante sobre o fim.
Distraindo a mente do caminho que deve seguir.
Senta no sofá e assiste a embriaguez da sua crítica, feita para te salvar da vida submersa nas rotinas.

A Gaiola do Tempo
William Contraponto


Há uma grade que limita
Entre o depois e o agora,
Nem sempre é explícita
Tampouco era outrora.


Jogue como quiser jogar,
Aposte o que quiser apostar,
Ela não se curva
Diante de vontade curta.


Da gaiola do tempo ninguém foge,
Seu ferro molda até a ilusão,
Quem tenta dobrá-la, sofre,
Quem esquece, perde a razão.


A era em que nascemos nos prende,
Ergue costumes como grades sutis,
Mesmo que não sigas nem os defendas,
Carregas seu peso nos gestos febris.


O entendimento, talvez, se adie,
Plantado em futuro olhar atento,
E quando vier, quem sabe tardio,
Já não te abrace o sopro do tempo.

Ter o que deseja leva tempo e dedicação.


@Godangio

A Soma de Nós
Sou feito de vozes que cruzam o tempo,
de gestos gentis e olhares atentos.
Cada palavra que me toca, me molda,
sou argila viva nas mãos da troca.
Não sou só eu — sou nós.
Sou o eco do que aprendo,
o reflexo do que escuto,
o silêncio que também ensina.
Sou a soma dos encontros,
dos afetos que me atravessam,
dos saberes que me abraçam
e dos erros que me elevam.
Se sou algo, sou caminho.
E se caminho, é com vocês.


altair

" Quando penso que o tempo acabou, apenas tudo começou, será um recomeço ou recomeço do recomeço, será o inicio do que nunca se iniciou, a vida nos ensina que para crescer tem que sofrer e aprender que a vida é feita de recomeços e tropeços, "VIVA A VIDA".

Você já se pegou sendo várias coisas ao mesmo tempo?
Astronauta, médica, psiquiatra, professora de educação física e piloto de avião...
Poxa, eu tenho que escrever esses pensamentos - ah, claro, porque também pensei em ser escritora!


Sabe aquelas menininhas que tinham um diário e escreviam tudo o que viviam quando eram crianças?
Pois é, eu era uma delas.
E lá estavam, nos meus dias, todas as coisas que tinham acontecido comigo, para eu ler depois, em paz.


Acho que já era o terceiro diário, e eu ainda não tinha conseguido ler nenhuma folha.
Quando lia, às vezes nem me recordava de muitas das coisas que tinha vivido.
Sempre achei que eu tinha memória ruim.


Quando casei, pensei:
“Nossa... o que fazer com meus diários da adolescência?”
Aí resolvi jogá-los fora.
Mas por quê?
Por que esconder todos os meus segredos?


Caraca, estou lembrando de coisas que há muito tempo não lembrava.
Porque agora, na minha cabeça, não é mais piloto de avião e sim escritora.


Eu já passei por médica, advogada... e com 30 anos, essa menina ainda não consegue saber o que quer da vida.
Também, ela teve 18 anos de influência do pai, e depois disso, de outros homens.
Ela nunca pôde ser ela por ela mesma.


E neste momento, ao se ver sozinha, perdida, sem ninguém para direcionar o caminho, percebe:
agora é hora de andar com as próprias pernas.


E isso assusta.
Dá medo.
Medo de fracassar, medo de não conseguir, medo de não ter ninguém pra apoiar.


Ela sempre sentiu e sentia demais.
Se importava demais.
Queria demais ajudar as pessoas.
E fazia isso com gosto, porque o coração também vinha junto.


E quando ela pensa em realizar um sonho, percebe que o que quer, de verdade, é fazer diferença na vida das pessoas.
Esse é o propósito dela.


Mas com qual profissão isso vai acontecer?
Qual delas vai fazê-la feliz e plena, com o coração doendo de tanta felicidade, por se importar de verdade, por querer fazer o bem?


Só que, pra conseguir tudo isso, ela sabe:
precisa se esforçar.
Ser a melhor versão de si mesma.


Tornar-se... um “f***-se”.
Sim, um “f***-se”.
Porque dessa maneira, com dinheiro, com conhecimento — seja lá como for, vai poder ajudar as pessoas.


“Deus, é medicina? Sim, eu estou com medo de ser medicina.
E de chegar lá e não gostar.
De fazer isso só por fazer.
Isso está me assustando, Deus.”








29/08/2018 — 00h47
Karina Megiato

O Tempo e o Julgamento




Há tempo de nascer e tempo de morrer,de semear esperanças e de vê-las florescer.


Tempo de rir e tempo de chorar,
de erguer o que é justo e deixar o vão passar.


Debaixo do sol, tudo tem estação,
como o vento que muda a direção.


O homem corre atrás do que é vão,
sem notar que o tempo escapa da sua mão.


Há tempo de falar e tempo de calar,
de guardar segredos e de se revelar.


Tempo de guerra e tempo de paz,
de perder-se um pouco e voltar ao que é capaz.


O julgamento chega sem aviso,
como sombra que cobre o riso.


Cada obra, oculta ou à luz do dia,
será pesada na balança da sabedoria.


Vãos são os tronos, a glória e o ouro,pois o tempo consome até o tesouro.


Mas quem teme a Deus e caminha com fé,colhe eternidade no que faz e no que é.


Então vive, homem, e entende o teu papel:sob o sol há um ciclo, mas acima dele há o céu.


O tempo passa, o juízo virá,
e o que é justo… permanecerá.

"A única maneira de dominar o tempo é parar de esperá-lo e começar a usá-lo como o recurso finito que ele é."

NORDESTINO


É preciso bater palmas
Pro cabra desse lugar
Que enfrenta sol e chuva
Sem tempo de reclamar
Nordestino esquece a dor
Enche o peito de amor
E se mete a forrozar

O conhecimento é a abertura para o mundo interior e intelectual, apenas procure ter tempo, e a sabedoria para ouvir.

“Deus é bom em tudo, em todo tempo e em todas as situações”

Ter coisas legais para passar o tempo, é muito importante para um jovem em formação.


@1Pensador

O tempo sempre se incumbiu de fazer as coisas acontecer, mas, Deus é quem o determina.

A flamínio do fogo o humano infletiu o
tempo em fôrma fez da matéria um espelho
da intenção Xanda, simbiose que pensa em
chamas moldada em dimensão.

Nasceu princesa do seu próprio castelo, fazendo necessário apenas tempo para tornar-se rainha. Preferiu abandonar tudo e fazer-se coroar, todos os dias, como soberana do mundo. Houveram dias de falta. Pôde faltar amor, presenças, luxos. Até mesmo, por vezes, a vontade de se levantar faltou. Mas, nessa vida muito bem escolhida, não restou sequer um dia que não plenamente vivido.⁠

"Meus heróis — morreram de carne, de tempo e de limites humanos, mas suas ideias permanecem imortais, desafiando o presente e iluminando o pensamento futuro."

"Sou imensamente rico em paz de espírito, saúde, tempo e conexões verdadeiras, os tesouros que nenhuma moeda pode adquirir."

SORVETE DE CAFÉ E DESTINO




Dois que se encontraram no tempo errado, mas ainda acreditam que o tempo pode-se redimir.




Um domingo qualquer, um convite, um encontro e um sorvete de café. Com eles vieram as mãos tremendo, a ansiedade, um olhar, um sorriso e um beijo. As mãos tocaram a nuca, e uma boca chegou até aquela curva, selando ali uma intenção. Os olhos dele percorreram o corpo dela, sentindo cada centímetro da alma. Os olhos dela revelaram tudo o que ele queria saber, e os dele mostraram o quanto aquele momento era importante. O instante foi valioso para ambos, uma mistura de querer mais e respeitar o que viria depois.




Pessoas intensas tendem a sentir tudo ao extremo. Não medem sentidos, desejos ou vontades, não se importam em temer, apenas mergulham. Vão ao fundo sem precisar cavar e sentem… Sentem a vida explodindo por entre os poros. É sensorial, é tato, é gosto. É a língua passando pelos lábios, a boca ficando seca, a voz embargada tentando expressar o que a alma já gritou em silêncio, o encontro de tudo o que já existia em algum universo.




Os corpos se encaixam, sentem as mãos tocando cada pedaço possível e extraindo reações. A mente viaja nas possibilidades vindouras. Essas almas pareciam buscar-se há uma eternidade. A consciência de que não devem ficar longe transcende qualquer universo. Mas o tempo é implacável e dita as regras, define a hora, onde e até quando.




É ele quem determina o nascimento, a morte, as vitórias e as derrotas. O tempo mede tudo, e apenas ele sabe quanto durará o percurso. Há, contudo, um tempo de espera. Esse tempo dirá se tudo será vivido nesta vida ou na próxima. O amanhã é incerto, mas carrega a esperança. Dizem que, quando se quer algo profundamente, o tempo caminha a favor, ou te desafia a provar o quanto está disposto a ter, e se esse “ter” vale a tua determinação.




Quanto se aguenta esperar? Até aquele momento havia apenas a ideia, mas ao provar a realidade, uma teia de acontecimentos se moveu no universo, colocando o tempo em alerta. É fato: eles querem e precisam. Mas o tempo aplaca o desejo e o testa. O tempo exige espera, e nessa espera as provas virão. Testarão o quanto desse sentimento sobreviverá, o quanto o desejo resistirá, o quanto de maturidade será exigido. Quantos monstros precisarão matar para viver o desejo real que anseiam?




É preciso cultivar, amadurecer, fortalecer, e se, ou quando, isso acontecer, será eterno. Precisam passar pelas provações que virão. E só assim, depois de vencidas todas as etapas, poderão sentir que valeu a pena e que era exatamente como imaginavam. Ou… só o tempo ganha.

Segundo a mitologia grega, existem quatro formas de amor: o romântico e passional, o fraterno, o familiar e o incondicional. Ainda segundo os mitos, amadurecemos ao viver um amor ao alcance das mãos , mas que nem sempre pode ser tocado ou visto.




Assim como no mito de Eros e Psique, que simboliza, segundo Jung, o processo de individuação, a jornada da alma rumo à totalidade. As tarefas de Psique representam provas internas que desenvolvem discernimento, coragem e autoconhecimento.

A união final entre Eros e Psique expressa a integração entre consciente e inconsciente, masculino e feminino, resultando em uma consciência mais plena e em um amor verdadeiro.

Em síntese, o mito mostra que o amadurecimento da alma ocorre por meio do amor, da dor e da integração dos opostos, caminho essencial para uma vida mais consciente e autêntica.




Caso contrário, a alma se entrega à melancolia e à depressão.

A melancolia reflete a perda do objeto de amor e a dificuldade de criar vínculos afetivos. O melancólico vive um luto constante e precisa amadurecer por meio de relações verdadeiras que fortaleçam o ego.




A depressão representa o vazio interior e a falta de profundidade no contato consigo mesmo. O depressivo precisa voltar- se para dentro e reencontrar o sentido da própria alma.

Ambos podem se curar através do amor maduro: o melancólico ao doar-se, e o depressivo ao amar-se.




Resta, então, a esperança de que, no final de toda a jornada, eles vençam o tempo e possam, enfim, ser imortalizados no amor.




Ana Cláudia Oliver- 27/10/2025