Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Cada luta ao seu tempo e cada batalha à sua vez; o guerreiro não se apressa, apenas confia que o tempo revela o propósito de cada dor
Não tenho dificuldade em perdoar, mas em conviver com a situação por tempo prolongado. Não nasci para normalizar o que me fere, nem para transformar minha paciência em prisão.
Eu perdoo, mas não me adapto ao desconforto crônico.
A segunda-feira nos lembra que o tempo não espera: cada manhã é um convite a reconstruir o que fomos e a aproximar o que ainda sonhamos ser.
O tempo é um paradoxo quântico, para mim, não faz sentido, pois nossa existência é moldada por instantes que já se foram e por futuros que ainda não nasceram. Vivemos no fio tênue do agora, mas carregamos em nós as marcas de tudo que foi e a ansiedade de tudo que poderá vir. O presente é apenas um fragmento entre duas eternidades invisíveis.
No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.
A responsabilidade com o tempo é meu contrato, não desperdiço horas, invisto nelas, o retorno vem lento e seguro.
Deus me mostrou que o tempo certo é o tempo d’Ele, não o meu. Entregar o relógio ao tempo divino é aceitar que há sincronias que só Ele rege.
Mesmo na mais longa noite, o amanhecer não se esquece de nascer. O tempo da dor é apenas o intervalo da transformação. A alma, quando confia, floresce até sob o frio da espera.
Aprendi que o tempo não é inimigo, é mestre,
paciência é a escola onde o fruto amadurece,
o tempo ensina a esperar com propósito, aprendi a colher quando o fruto estiver pronto.
