Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Acho que só eu via beleza naqueles olhos atormentados, escuros, carregados. Só eu me apaixonei por aquilo.
Aliás, se eu bem soubesse que você faria pouco caso desse sentimento, eu nem teria começado. Você alimentou cada pedacinho de mim e depois caiu fora. Eu queria muito viver num mundo onde as pessoas levassem as coisas mais a sério.
E lá vou eu, de novo, dormir com o celular embaixo do travesseiro. Eu passo o dia inteiro prometendo nunca mais atender o telefone, mas não tem jeito, eu sempre espero que aquela voz me salve desse silêncio.
Eu era um texto complicado de se ler, de interpretar. Tamanha complexidade tinha, que ninguém queria ler até o fim.
(...) Eu observo seus pés se moverem largados no braço do sofá e me pergunto pela milésima vez, desde que te ouvi no interfone, o que é que te faz rodar a cidade por horas e parar na minha porta sempre. Você diz que minha sala é o melhor sebo da cidade, então vem. Embora saiba que a real motivação não é essa, aceito a resposta para te fazer ficar. É sempre assim, a gente usa desculpa para tudo (...).
E justamente quando eu consigo me afastar, quando eu consigo tirar da cabeça, e chego a pensar que me desapaixonei, você volta, me envolve e me faz voltar.
E lá vou eu, mais uma vez, mudar minhas roupas, meu cabelo, renovar gostos e conceitos. Acreditando que, algum dia, as outras coisas possam também mudar.
No meu caso, ainda que eu pense que tudo possa dar errado, que tudo sempre vai dar errado na minha vida, e que eu tenho medo de dar errado, dessa vez vou prometer que vou deixar tudo acontecer como tem que ser. De que é amor até deixar de ser.
E então você me olha com aquela cara, como se quisesse dizer que eu sou o único amigo que ouve sobre seus casos, seus medos, suas dores. Me olha, desabafa e desaba. Mal sabe que, na verdade, quem desaba por você, por dentro, sou eu, todos os dias, todas as noites.
Eu sei que vai ser sempre assim. Mas eu me engano, às vezes. Daí aparece uma pessoa do nada, mexe comigo e então eu fico exausto de fantasia. Vou e invento uma coisa que na realidade nunca existiu, que não é. E vivo aquilo, só daquilo, porque a ideia de estar sozinho chega a ser insuportável.
Fui mudando pequenas coisas em mim nos últimos tempos, que quando me dei conta, eu já enxergava outra pessoa em mim. Desencanei de alguns erros e já não me exijo tanto. Houve um tempo que eu lamentava muito pelas coisas, hoje eu não sofro mais por besteira nenhuma.
Fiquei. Mesmo sabendo que era errado, eu fiquei. Fiquei e ficaria em todas as oportunidades que houvesse.
(...) Mas aí nos últimos dias passei a ignorar com frequência. Percebi que eu estava me doando muito. O negócio ficou tão sério que eu esquecia de cuidar de mim, às vezes.
Eu queria que você entendesse as minhas curvas complicadas sem placas de sinalização, o meu mar escuro e profundo, que me obrigam a mergulhar em silêncio por tempo infinito.
E por incrível que pareça tenho me sentido muito bem. Até eu me espantei com isso. Poucas vezes na vida me senti tão leve, solto, intenso como agora. Tô mais seguro de mim. Passei a gostar de conviver comigo mesmo, a não me arrepender das minhas escolhas. Aprendi o quanto é bom ser eu.
Eu pedi o feriado pra quê? Pra nada. Aliás, pra ficar jogado no sofá, vendo uns filmes nesse quarto frio e escuro. O feriado tá acabando — já vão dar dez da noite — amanhã volta tudo de novo. Eu me sinto na maioria das vezes tão cansado com isso tudo. Queria abraçar alguém com força, talvez pra dividir um pouco da dor. Alguém que não me fizesse achar que estou perdido, tão só e abandonado. Eu levo a vida me dizendo que as coisas vão melhorar, invento uma vida que eu não tenho o tempo todo, só pra me confortar, me dar força. Mas a impressão de estar sozinho não vai embora nunca.
Tudo que eu sei é que estou triste sem saber porque sem te uma explicação lógica para está triste só sei que estou sem motivo ou aja um motivo mas só não descobre ainda...
Eu vou descobre...
