Faz de Conta Qu eu Acredito

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Dê-me um ponto de apoio fixo e eu faço a Terra mover-se

Não me encham o saco, eu fico aqui, meu bem, entre escombros. E nem morri.

Bella: Agora você sabe - eu disse levemente, e ergui os ombros - Ninguém jamais amou alguém tanto quanto eu amo você.
Edward: Você está quase certa - Ele sorriu, e seus olhos ainda estavam um pouco mais arregalados que o normal - Eu só sei de uma exceção.

Aprendi também que independente do resto, eu tenho que acreditar mesmo é em mim. Porque eu sim posso cumprir com as minhas expectativas.

Primeiro eu queria um lindo, inteligente e fiel. Depois, lindo e inteligente. Agora, só fiel mesmo.

(...) você me olhar sabendo que, inexplicavelmente, justo eu, te aceito seja lá como for. Você, idem. Não fomos fáceis a nada e nem a ninguém, mas cá estamos.

Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza....

Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.

Clarice Lispector
Todos os contos. Rio de Janeiro: Rocco, 2016.

Nota: Trecho do conto Perdoando Deus.

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Narrei ao senhor. No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi. Aqui, a estória se acabou. Aqui, a estória acabada. Aqui, a estória acaba.

Que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Queria ser sobrenaturalmente forte, então eu endireitaria tudo o que está errado.

E por um determinado momento eu pensei em largar de mão, desistir. Só que um segundo depois me fiz às seguintes perguntas: a gente desiste da gente? A gente desiste dos nossos sonhos assim tão fácil? A gente se preocupa tão pouco em resgatar o que nos faz bem? E eu larguei tudo o que me prendia de forma negativa nessa fase ruim e concentrei todas as minhas forças em recuperar o que a gente tinha. Tinha não, tem. E eu descobri. Desistir de você era a mesma coisa que desistir de mim mesma. Como eu poderia deixar escapar de uma maneira tão estúpida a razão da minha felicidade? Enquanto milhares de pessoas estão à procura dela, eu com a sorte que tenho de ter encontrado, ia deixar escapar assim? E foi a partir dessa pergunta, que encontrei todas as respostas. E elas não poderiam ser melhores.

Eu pensei em perdoá-lo. Engolir o choro, o orgulho, a raiva e a tristeza que me invadia e corroía por dentro. Mas em menos de uma semana lá estava ele abraçado com outra. Eu sei, ele sabe, nós sabemos: acabou. De vez. Para sempre. Definitivamente. Não há mais volta. Nada será como foi um dia. Mas só quem não percebeu isto ainda foi meu coração… Pobre, pobre coração. Coração este que não aprende a lição. Coração este que está cansado de amar errado.

Esperando um príncipe, me mandaram um sapo e eu me apaixonei mesmo assim.

Você não tem ideia de quantas coisas eu queria dizer pra você quando me calava.

Eu estou aqui, você aí, e o aí não sabe a sorte que tem…

Lembra quando você falou que nunca ia me decepcionar? Eu infelizmente acreditei.

Eu, vagando entre o real e o imaginário, suspiro a cada sonho.

Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Uma solidão de artista e um ar sensato de cientista… tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.

É por isso que na graça eu me mantive sentada, quieta, silenciosa. E como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.