Faz de Conta Qu eu Acredito
O nós acabou.
Eu era a calma dele
E ele era minha calma
Éramos assim, inseparáveis
Dormíamos no mesmo horário
Riamos no skype
E toda semana assistíamos um filme para rir da feição do outro
Ele foi essencial em minha vida
E, acredito eu, que fui essencial na vida dele também
Ele era ciumento mas preferia não falar nada
Eu era a possessiva que só gritava
Ele prometeu não me deixar mal
E eu continuava apaixonada
Mas até que então chegou o desastre
Ele não se importava, me desprezava e me ignorava
Eu despencava em lágrimas
Ele desistiu, mas não terminou
E eu, como uma trouxa, corri atrás de um amor que me trouxe dor.
Chegou o dia em que eu terminei. E junto com o passar dos dias, a menina que eu era foi-se também.
... E todos os dias eu olho para as estrelas e lembro-me desse amor, vejo teu rosto em cada uma delas, Mas não me contento em ve-la tão pouco; falta estrelas para me contemplar com sua imagem... Então saio por aí sem rumo; sozinho e vejo que mesmo em um mundo tão grandioso sem você só resta a solidão
Talvez seja difícil eu esquecer de ti, Mas fico feliz por saber que você nunca vai conseguir ouvir uma música se quer sem lembrar de mim, esse será teu inferno em meio ao céu dessas lembranças. Está aí a diferença entre nós; você criou teu inferno e terá que vivencia-lo, Já eu meio que sem querer criei o meu inferno e você fez moradia sem ao menos pedir licença.
Eu quero que diante do meu corpo morto, estejam apenas as pessoas que foram felizes, comigo! Depois, sozinhas! Aquelas que não poderão dedicar ao meu corpo inerte o seu escárnio no dia do meu velório, se quiserem no silêncio que sempre as motivou a meu respeito, me dedicarem uma prece diante da minha cova, eu lá do céu ou do inferno, neste momento não posso determinar o que Caronte irá fazer, as ouvirei pois será o que me restará fazer, o tempo do perdão terá passado, existindo apenas o do arrependimento.
ACD Nº 2768
84-09/10/2016
Como queria descobrir o que você esconde atrás dos olhos.. .
Venha me encontrar,
Deixa eu ti vê
Ainda dá tempo
Responda-me
Não se esconda
Deixa eu te encontrar
Você vai gostar
A lua e as estrelas Contemplará
O amor inédito que nascerá
Deixa eu de ti cuidar
Eu daria tudo pra voltar no tempo e corrigir certos erros, lá pra 1989. Mas não dá, vai uma dica de quem se perdeu por muitas vezes de lá pra cá: Não dê margem ao erro, ouça o conselho do mais experiente e não se deixe levar pelo hipotético, inconsequente ou aquilo que o faz transcender os princípios da razão. Cuidado! Na vida após um dia, não há outra chance, a não ser a conformidade com o resultado de nossas próprias ações.
PERDI O CÉU
Eu vim com a "volúpia do infinito".
E como estrangeiro desta nau terrestre, extravasei para além de mim...
Sou o que restou da estação primaveril. Emissário das sinistras vinculações angélicas, vivi entre as pedras afogueadas.
Ser antiético e cético era o que mais queria...
Finquei raízes em ilhas dos amores; e com o credo dos ateus, perdi o céu.
10.10.16-
Meu Deus
Senhor jesus, cheio de misericórdia de compaixão e amor.
É no seu abraço que eu encontro descanso.
A paz que eu preciso está em ti, no teu coração miserićordioso.
Minha cura, meu alento e minha proteção.
Doce e querido, amável e paciênte Je...sus.
Amigo nas minhas horas de aflições, meu Deus e salvação.
Alívio para o meu coração cheio de preocupações.
Fonte de vida, coração adoravel.
Jesus manso e humilde de coração
fazei o meu coração semelhante ao teu.Ver mais
Quando era dona verdadeira e única dos meus pensamentos eu os compartilhava com Deus...
A partir do momento em que o homem se fez Deus por sua carência,perdi meus direitos autorais,os direitos da minha alma....
FAVELÁRIO NACIONAL
Quem sou eu para te cantar, favela,
Que cantas em mim e para ninguém
a noite inteira de sexta-feira
e a noite inteira de sábado
E nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro:
Baixou em mim na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte... melhor, tua vida.
...
Aqui só vive gente, bicho nenhum
tem essa coragem.
...
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
Medo só de te sentir, encravada
Favela, erisipela, mal-do-monte
Na coxa flava do Rio de Janeiro.
Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.
Custa ser irmão,
custa abandonar nossos privilégios
e traçar a planta
da justa igualdade.
Somos desiguais
e queremos ser
sempre desiguais.
E queremos ser
bonzinhos benévolos
comedidamente
sociologicamente
mui bem comportados.
Mas, favela, ciao,
que este nosso papo
está ficando tão desagradável.
vês que perdi o tom e a empáfia do começo?
...
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
