Faz de Conta Qu eu Acredito

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Comecei a sentir algo que eu jurava não morar em mim.
A inveja chegou mansa, sem barulho,
mas fez morada no peito.
Não é do riso fácil dos casais de agora,
nem das fotos prontas, nem do amor que parece simples.
É da história.
Do caminho inteiro.
Do que foi construído com o tempo
e não apesar dele.
Invejo mulheres que ficaram.
Que olharam as falhas de perto, os defeitos sem filtro, as limitações nuas
e mesmo assim permaneceram.
Mulheres que escolheram ficar
quando ir embora parecia mais fácil.
Que lutaram não por perfeição, mas por compromisso.
Que amaram não o homem ideal, mas o homem real.
Isso me toca fundo.
Porque revela um amor raro, o amor que decide.
Que não romantiza,
não foge,
não solta a mão quando pesa.
Essa inveja não quer o que é do outro.
Ela chora o que faltou em mim.
É a vontade de ter sido escolhido nos dias bons e principalmente,
nos dias difíceis.


No fim, não é sobre eles.
É sobre a ausência que ficou.
Sobre a falta que insiste.
Sobre o valor imenso
de quem permanece, de quem luta e não desiste na adversidade.

Sofri um golpe que partiu algo dentro de mim que eu nem sabia que podia se quebrar. A maior decepção da minha vida, vinda justamente da pessoa que eu jurava ser incapaz de ferir, da última de quem eu esperaria uma facada. Foi o tipo de dor que não atravessa… rasga...esmaga.

Esse dia marcou o fim de uma inocência, de uma confiança que eu jamais recuperarei do mesmo jeito. Ali, naquele instante, eu descobri que até o “impossível” pode acontecer, que até o “nunca” pode ruir, que o mundo vira ao avesso quando a facada vem de mãos que antes me acolhiam.

E mesmo assim, aqui estou.
Carregado de cicatrizes, sim, mas de pé.
Não por ter superado tudo… mas por ter aprendido a sobreviver dentro da própria tempestade.

Hoje eu olho para trás e não sinto só dor. Sinto fúria, sinto força, sinto a certeza de que aquilo que tentou me destruir acabou me transformando. Aquele foi o dia em que algo em mim morreu, mas também foi o dia em que outra versão minha começou a nascer, mais consciente, mais dura, mais forte, mais fria, realista e difícil de derrubar.

Meu maior desejo é arrancar de dentro de mim tudo o que contaminou a forma como eu pensava em você.
Queria voltar ao tempo em que pensar em você não doía,
em que pensar em você era abrigo, não sofrimento.

Eu tenho um coração triste e quebrado, marcado por dores que o tempo ainda não conseguiu apagar.
Carrego cicatrizes de batalhas silenciosas, de decepções que eu não queria viver e de sonhos que ficaram pelo caminho.
Mas, mesmo ferido, ele continua batendo.
Talvez mais cauteloso, mas ainda encontra forças para seguir.
Porque um coração quebrado não deixa de bater; apenas aprende que algumas dores se tornam parte da história que carregamos para sempre.

Senhor,
Eu não quero apenas falar de Ti.
Quero conhecer-Te de perto.
Não me basta apenas saber quem Tu és.
Quero ouvir a Tua voz, caminhar Contigo e viver uma intimidade que transforme o meu coração.
Quero a minha fé alimentada pela comunhão.
Que eu Te busque não apenas pela Tua misericórdia, mas pela Tua presença.
Acima de tudo, quero conhecer-Te cada dia mais e fazer da minha vida um reflexo da Tua vontade

Amanhã saberemos que tudo
não passava de uma piada.


Alguns sorridentes dirão:
«Eu avisei!»
Outros, perplexos,
ficarão mudos de tristeza.


Mas, depois de amanhã,
a vida continuará normalmente,
como se vivêssemos
num paraíso de bestialidade.


Porque o ser humano
transformou a vida
num espetáculo medíocre,
onde os protagonistas
sorriem obrigatoriamente,
mesmo que o choro
lhes estampe no rosto
toda a sua dor.


Mas a plateia não se interessa.
Nem sequer sabe o nome do espetáculo,
mas aplaude efusivamente
cada personagem de si mesma,
tristemente retratada
por outro ser igual a si
no palco da vida.


Só descobrem a verdade
quando o reflexo dos holofotes
revela, no palco,
as suas faces sem brilho,
sem alegria e sem vida.


Espantados,
veem as cortinas fecharem-se,
sem saberem se estão mortos
ou vivos.


Mas, no dia seguinte aos «depois»,
para alguns, o palco nunca mais reabriu;
para outros, nada mudou,
porque nunca compreenderam
quem são.

Eu dependo de Deus, logo o livre-arbítrio na Biblia é falacioso.

Querida, uma das primeiras coisas que eu aprendi ainda nos meus primeiros séculos de vida foi comprovar que regras proibitivas nunca são realmente cumpridas à risca. Por isso eu criei a primeira e única regra desta nave: "É proibido proibir dentro dos limites físicos de Dora".


Lazarus Long
DORA, Salto Temporal
2026, Junho/05

Dizem que deus escreve certo por linhas tortas. Eu digo que ele é apenas um péssimo calígrafo que se recusa a admitir que borrou o papel.

Eles dizem que deus trabalha em silêncio. Eu digo que esse silêncio é indistinguível da inexistência.

Quem diz “eu sou assim” geralmente está confessando preguiça moral.

Dizem que deus escreve certo por linhas tortas; eu acho que ele só tem um péssimo senso de direção e um prazer sádico em ver a gente capotar na primeira curva.

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, eu decidi que minha performance será uma comédia de erros com um orçamento baixíssimo.

O niilista diz "nada importa"; eu digo "tudo importa porque não há nada além".

Niilista diz amor é química; eu digo química é suficiente.

Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.

A gente se perdeu na tradução: eu gritava amor, você só ouvia passatempo.

A vida é curta demais para eu fingir desinteresse só para parecer interessante no seu jogo.

Se for para ser morno, eu prefiro congelar de vez. Tenho alergia a coisas pela metade.

Eu converso com meus demônios não porque gosto do inferno, mas porque eles são os únicos que não julgam minha bagunça.