Familia tem de ser Careta- Lya Luft

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Um chamado João

João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?
Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com... (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.

Carlos Drummond de Andrade
Correio da Manhã, 22 nov. 1967 (homenagem póstuma a João Guimarães Rosa).
Inserida por marcosarmuzel

O racismo no Brasil se torna insuportável quando você se torna patrão. Até hoje eu nunca vi nenhuma pessoa preta me perseguir. ⁠

Inserida por alineccamargo

⁠A vida é um imenso quadro-negro onde o estudante, para redigir seu hoje com claridade, necessita apagar e esquecer o que já redigiu ontem. Sem o esquecimento do antes, a redação do agora sempre parecerá hieroglifo.

Inserida por NelsonMedeiros

⁠A moça ferrada

Falam tanto dessa moça. Ninguém viu,
todos juram.
Cada qual conta coisa diferente,
e todas concordantes.
Dizem que à noite, ela. Ela o quê?
E com quem? Com viajantes
que somem sem rastro
gabando no caminho
os espasmos secretos (tão públicos) da moça.

Sobe a moça
a ladeira da igreja
para a reza de todas as tardes.
De branco perfeitíssimo,
alta, superior, inabordável
(luxúria de mil-folhas sob o véu,
murmura alguém).
À noite é que acontecem coisas
no quarto escuro. Ganidos de prazer,
escutados por quem? se ninguém passa
na rua em altas horas-muro?
Pouco importa, a moça está marcada,
marca de rês na anca, ferro em brasa
de língua popular.

Carlos Drummond de Andrade
Boitempo II: esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: Record, 2023.
Inserida por marcosarmuzel

⁠Eu sempre paro para tentar compreender porque querem me ver tão infeliz, se eu luto para que as pessoas vençam e me sinto derrotada quando sou impedida de ajudar.

Inserida por alineccamargo

⁠POEMA DO NADADOR

A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água é fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restará de ti, nadador?
Nada, nadador.

Jorge de Lima
Jorge de Lima: melhores poemas. São Paulo: Global, 2013.
Inserida por marcosarmuzel

⁠A MORTE CHEGOU DE BRANCO

A morte chegou de branco
mas quem a viu não fui eu.
Foi a moça do barranco
que mal a viu se escondeu.
Chegou de branco trazendo
um sopro de terras santas
de rosas castas e rios
onde em claros arrepios
se deita o sonho gemendo...
Chegou de verdes colinas
de longínquos povoados
e tinha toda a pureza
da risada das meninas
das águas virgens das plantas
dos campos mal-assombrados.
Chegou de branco! De branco...
De branco como o silêncio
como as núpcias de branco
como o primeiro suspiro
da moça que no barranco
só por vê-la se escondeu.
A morte chegou de branco
mas quem a viu não fui eu.

Alphonsus de Guimaraens Filho
A cidade do sul (1948).
Inserida por marcosarmuzel

⁠Minha passagem aqui na Terra é muito rápida, só vim para tentar consertar um pouco do que estraguei. Vou insistir até conseguir, voltarei se me for permitido.

Inserida por Valdecir

⁠Só pague com a mesma moeda para aquele que te fez o bem.

Inserida por Valdecir

⁠Não pague com a moeda da ingratidão a aquele que te ajudou, que só te fez o bem.

Inserida por Valdecir

⁠Não precisamos da Casa da Moeda para cunhar a moeda da gratidão.

Inserida por Valdecir

⁠"É melhor adotar a atitude de parcimonioso (económico) do que de pródigo (gastador), o 1° sempre tem recursos, o 2° por mais que ganhe, pede recursos'

Inserida por Ademarborba46

⁠"Quando precisar comprar uma mercadoria ou contratar um serviço PESQUISE, o vendedor vai dizer que a mercadoria dele e a prestação de serviços são às melhores. Não acredite; pesquise ASSIM MESMO, vai ter surpresa. Mundo está cheio de gente querendo levar vantagem"

Inserida por Ademarborba46

⁠"Quem pensa que o brasileiro não é esperto; engana-se; o Cavalcante, condenado, a prisão perpétua e fugitivo da penitenciária (EUA) para enganar a POLÍCIA, escondido na mata, quando fazia cocô enterava ou colocava folhas em cima, para despistar a polícia. Durante o dia se escondia na moita, a ponto da polícia quase pisar em cima dele e a noite, saia da toca para procurar alimento. Pensamos que o Ruy Barbosa era o brasileiro mais inteligente, agora ficamos em dúvida"

Inserida por Ademarborba46

Banhistas

Este poema de amor não é lamento
nem tristeza distante, nem saudade,
nem queixume traído nem o lento
perpassar da paixão ou pranto que há de

transformar-se em dorido pensamento,
em tortura querida ou em piedade
ou simplesmente em mito, doce invento,
e exaltada visão da adversidade.

É a memória ondulante da mais pura
e doce face (intérmina e tranquila)
da eterna bem-amada que eu procuro;

mas tão real, tão presente criatura
que é preciso não vê-la nem possuí-la
mas procurá-la nesse vale obscuro.

Jorge de Lima
Obra completa: Poesia e ensaios (1959).
Inserida por pensador

⁠"Desconfie, você pode estar sendo enganado, postergue a decisão. Não somos obrigados a saber sobre todos os assuntos. Descida somente depois de ter todas as informações sobre o assunto. Não se precipite, poderá estar caindo numa cilada. Assim agindo, evitaras muitos inconvenientes"

Inserida por Ademarborba46

⁠Que sua face transcenda paz e luz, porque de botox, está abarrotada!

Inserida por lourdes_de_paiva

⁠A arte não pertence a uma classe; ela é de toda gente; ela é onipresente.

Inserida por I004145959

⁠Avanço com passos ligeiros o caminho que leva ao lugar onde todos nós seremos recebidos.

Inserida por Valdecir

⁠Nossas atitudes é que traçam o nosso destino.

Inserida por Valdecir

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