Familia tem de ser Careta- Lya Luft
Um leitor perspicaz, como eu suponho que há de ser o leitor deste livro, dispensa que eu lhe conte os muitos planos que ele teceu, diversos e contraditórios, como é de razão em análogas situações.
Conviver com seu maior defeito e esse mesmo defeito ser sua melhor qualidadade não é facil. A vida não se mostra tão simples para aqueles que sentem demais.
Uma nova proposta que leva a pessoa a mudar pode ser vista como um atentado contra sua experiência, seu conhecimento, seu desempenho e, portanto, é uma ameaça à sua identidade. É por isso que sentir-se aceita, valorizada, ouvida com suas experiências, percepções, sucessos e insucessos, faz com que a ameaça seja diminuída, tornando a pessoa mais aberta à nova experiência. (Laurinda Ramalho de Almeida, profª da PUC-SP e das Faculdades Oswaldo Cruz)
Eu escrevo. Escrevo para não ser sufocada pelas palavras que nunca foram ditas. Escrevo para viver, reviver e libertar. Libertar o que aparentemente está livre, mas que na verdade não está. Eu escrevo... simplesmente escrevo para sobreviver, na tentativa desgastante de não apenas existir.
A abstração também pode ser um exercício de intimidade com Deus.
Abstrair-se com Ele é uma devoção prática — um mergulho na relação pessoal, livre das distrações do mundo.
A nuance que a pele ostentas não define a essência do ser. Psicopatas existem e em todas as mais variadas pigmentação, porque bonito de se ver é uma pessoa e seu bom coração.
Entre minha costela esquerda e o baço,
ele instalou seu ateliê:
um ser que não é meu,
e que, no entanto, me conhece mais do que eu.
Não trouxe flores —
apenas o silêncio que já habitava minha boca
antes mesmo que eu aprendesse a mentir.
Veio como vêm as coisas irremediáveis:
sem alarde,
sem pedir licença,
sem se importar se eu estava pronto.
Chegou sem fazer barulho,
apenas se aninhou,
como se sempre tivesse estado ali.
Como se o corpo fosse seu
antes de ser meu.
Limitou-se a ocupar o espaço
que eu, ingênuo, julgava vazio.
Não paga aluguel,
mas exige tudo: os sonhos que engoli antes de sonhar,
as margens dos meus livros
sujas de hesitações,
a primeira palavra
que travei na garganta.
Não fala.
Não precisa.
É o hiato entre um pensamento e outro,
o instante suspenso antes do tombo,
a sombra que se alonga no meu cansaço.
Ele não dorme.
Fica acordado à noite,
costurando meus pesadelos.
E quando meu corpo — traidor — se entrega ao sono,
ele deita-se ao meu lado
e sonha os meus sonhos
melhor do que eu.
Às vezes, penso que sou ele.
Ou que ele me esculpiu
enquanto eu fingia estar vivo.
Move-se sob a pele,
apaga-me aos poucos no reflexo do espelho, mistura seu medo com meu suor.
Seus argumentos crescem em meus interstícios,
como ervas daninhas entre rachaduras.
Já tentei revoltas.
Ergui fortalezas de papel.
Quis incendiar a casa toda.
Tentei ser dono de mim.
Mas como arrancar da carne
aquilo que já se tornou carne?
Há dias em que temo
que esse vazio
seja a única herança que deixarei.
A certeza de que, um dia,
vou olhar para dentro
e não reconhecer
nem o vazio.
Talvez um dia eu acorde,
e ele terá ido embora.
Ou talvez eu acorde,
e já não reste
ninguém.
O Peso da Pele
Carrego na pele o peso de um tempo,
Onde ser negro é fardo, dor e lamento.
Na sombra do racismo, sigo o meu trilho,
Enquanto os olhos julgam o meu brilho.
Viver em um mundo que me nega o direito,
Como se a cor fosse crime ou defeito,
Eles não entendem, ou fingem não ver,
Que o meu sangue é igual, que eu também sei viver.
Eu não quero migalhas, nem falsa igualdade,
Quero o que é meu, de fato, em verdade.
Direitos de andar, de sonhar, de existir,
Sem que a cor me impeça de simplesmente sorrir.
Ser negro é lutar todo dia, em cada olhar,
Em cada esquina, onde tentam me calar.
Mas minha voz ecoa, firme e altiva,
Porque sou história, sou força, sou vida.
E um dia, quem sabe, hão de entender,
Que o direito é de todos, basta querer.
Não sou menos, não sou mais, sou parte inteira,
Sou filho da Terra, a luta é verdadeira.
A decisão judicial não deve se limitar à técnica jurídica, mas ser guiada pela prudência, garantindo que cada julgamento reflita a busca pelo justo.
A justiça aplicada sem prudência se torna um mero formalismo, enquanto a decisão virtuosa deve ser um reflexo da moral compartilhada pela pólis.
O governante deve ser exemplo de prudência, pois somente aquele educado para o bem coletivo pode distribuir justiça com equidade e discernimento.
Correr ou viver
Ser curativo de uma pessoa é ter a certeza de ser jogado fora depois, por isso não divida o seu tempo romantizando entre a nostalgia ou uma lição,
Não há um coração invicto na arte do sofrer, porque quando aquela música toca as lembranças invadem a alma e o coração senti o pesar,
Então quando o universo disser não, corra na outra direção depressa, pois alguns vínculos devem ser quebrados no momento certo para o coração se manter intacto,
Viver o extraordinário é para poucos, por isso assusta tanto os riscos oferecidos nesta jornada sem volta.
A nossa história parece trágica.
Adoraria não ser atropelada por um caminhão quando você passa
"Estar embaixo é melhor", eu acho
Eu espero ele sair, o semáforo se abrir
O quê são minutos parecem horas,
a única coisa que resta é o meu batimento acelerado e meu rosto corado
Parece uma tortura estar aqui, mas quem está, sabe que não quer sair
Não posso rir, nem chorar
Muito menos gritar
A única coisa que resta é esperar
Fechar os olhos, enquanto imploro: "venha aqui embaixo me encontrar".
Marginal
Às margens profundas do meu ser, vagueio como um rio agitado sem leito. As palavras, como pesadas pedras, afundam no abissal silêncio impenetrável.
As pobres almas que toquei, como folhas secas outonais, desprendem-se e voam para longe. Desaparecem na bruma do cruel tempo.
Ó rio, sem rumo, sem destino, és espelho da minha própria existência.
Rio sou. E fluí.
Leva-me para além.
Que eu seja a folha seca que flutua em tuas correntezas, que se despede, e que o tempo, implacável, me leve para a outra margem.
E de toda a vida que me resta, dos dias em que fui o que não escolhi ser, em que a liberdade se me impôs como uma condenação, percebo agora, no fim de tudo, que não vivi. Fui, apenas fui – e o ser que fui não foi senão um vagabundo, como um trapo sujo em que o mendigo dorme. O que me resta, afinal, senão um nome e um sobrenome na certidão de nascimento, e uma data e uma hora no obituário? Talvez a cova rasa seja mais profunda do que a minha miserável vida, que agora, afortunadamente, encontra seu único propósito: ser adubo. A terra, fria e indiferente, me receberá calorosamente como alimento para os vermes, que se banquetearão de minha carne, sem julgar o que sou, o que fui. E os vermes, esses mesmos que consomem minha decadência, não saberão, porque nada sabem, da angústia de ser.
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