Falar Comigo

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Pouco dizemos quando o interesse ou a vaidade não nos faz falar.

Os mais arrojados em falar são ordinariamente os menos profundos em saber.

Há quem prefira falar mal de si mesmo a não falar.

A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Nunca falar de si mesmo aos outros, e falar-lhes sempre deles mesmos, é a essência da arte de agradar. Cada um o sabe e todos o esquecem.

Para agir corretamente no governo de um Estado, é preciso ouvir muito e falar pouco.

Fala-se pouco quando a vaidade não faz falar.

Escrever é uma maneira de falar, sem sermos interrompidos.

Falar abertamente e pelo amor à verdade é arriscar a vida.

Se fôr necessário agir, favorecei-me; se for necessário falar, poupai-me.

O que faz com que os amantes nunca se entediem de estar juntos é o falar sempre de si próprios.

E se temos de falar de coisas sagradas, só o descontentamento que o homem experimenta de si próprio e a sua vontade de melhorar me são sagradas.

Cada um só porque fala, julga também saber falar da linguagem.

Um homem inteligente pensa uma vez antes de falar duas vezes.

Robert Benchley
My Ten Years in a Quandary (2021).

Aqueles cuja conduta mais dá para troçar são sempre dos outros os primeiros a falar.

Molière
MOLIÈRE, J., Tartufo

A mulher está sempre a falar da sua idade sem nunca a revelar.

A pátria é como a mãe, de quem o filho não pode falar como se tratasse de outra mulher.

Há muitas pessoas a quem a vaidade faz falar grego, e, até, por vezes, uma língua que não entendem.

Hora de retrospectiva da gramática amorosa no apagar das luzes deste 2012.

Repitam comigo, esses moços, pobres moços: sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente ou no samba de Roberto Silva: SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências…

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem aqui nem Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente

Eu fico criando um montão de expectativas sem saber que isso acaba comigo.