Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
Deus brasileiro, que não nasceu em palácios
ordenados a ouro, mas em um simples celeiro;
aquele que não se ausenta da alegria, mas que, enquanto seu povo canta, dança.
Sim, mente por detrás do universo, que, para si, ser grande não é mais do que um simples reflexo, mas que, mesmo assim, se fez pequeno e andou entre nós, os perversos.
Deus brasileiro, que sorri para um sorriso
banguela, que, para o tupi, é anga, que, do órfão, é lar.
Leão que não nos preza, porque somos filhos de sua reza. Sim, a este Deus brasileiro, que nasceu na simplicidade de um celeiro, me fiz poeta.
"A presença de Deus nos dá o domínio sobre os nossos passos, a persistência para não desistirmos e a superação de qualquer batalha."
O que peço a Deus hoje e sempre
Que Deus me proteja, e aos meus, das más línguas, dos maus olhos e de todo mal que tentam me fazer. Que eu, pela minha fé n’Ele e pela certeza de que não faço mal a ninguém, continue aqui, de pé, como sempre estive. Porque quem me subestima não conhece a força da minha fé, nem o poder daquele que me guarda. E que todo mal que me desejarem não encontre caminho até mim, mas retorne para onde nasceu.
Que Deus siga à minha frente, cuidando dos meus caminhos, fortalecendo meu coração e me livrando de tudo aquilo que não vem para o meu bem. Assim seja.
Josy Maria 15/08/2026
Antes do 'eu preciso', Deus já tem o 'eu preparei'. Nossa necessidade é conhecida pelo Pai antes mesmo de se tornar consciência em nós.
O Evangelho é a boa nova de salvação para todos, sem exceção, pois Deus não faz acepção de pessoas, desejando que todos se salvem e cheguem ao pleno arrependimento (1Tm 2:4; 2Pe 3:9). Longe de qualquer decreto incondicional de reprovação ou eleição arbitrária, a graça preveniente de Deus capacita e chama todos os seres humanos à reconciliação. A mensagem deve ser proclamada a todos, mas a salvação é aplicada apenas àqueles que creem.
Um dia, Deus, cansado da solidão, dormiu. Sonhou com miríades de coisas, de seres e de nebulosidades. O sonho, às vezes, ficava azul, amarelo, preto. E os seres também variavam: alguns fincavam os pés na terra para fugir da corrente, outros eram levados alegremente. Deus virou-se de lado no seu sono e, abrindo o peito, retirou o coração. Depois morreu. Todos aqueles famintos e miseráveis se alimentaram do coração, se tornaram divinos e o Universo fez sentido.
Deus criou um mecanismo para que não nos destruamos com os nossos pensamentos negativos: é a visão da beleza.
Cego
Deus chegou a um ponto em que percebeu que era Deus. Acordou-se de fazer tudo automaticamente, de criar mundos sem saber. No fundo, nunca admitiu ser estúpido, pois acreditava que era onipotente, onisciente, não um idiota. Nem o universo triste e sem sentido que inventou o convencia da sua fraqueza. Gostava da sua onipotência e fingia acreditar que era um pequenino. O mundo era um teatro que criava sonhando e não era responsável pela maldade e pela dor. Imerso no seu poder imenso, era presa desse mesmo poder. Bêbado de vaidade, o seu medo era o medo de realizar as suas aspirações, medo do terror que desejava. Então se manteve inconsciente, anulando a racionalidade, até que chegou o momento em que teve de admitir as suas limitações e perguntar o que, acordado, faria em seguida. Deus sabia que esta história não poderia ser apreciada por ninguém mais, fora ele próprio. Não havia quem lhe dissesse o que era certo e o que era errado, ou o caminho a seguir. Era a própria imagem da solidão. Quando descia ao mundo dos homens e abandonava o seu mundo das ideias, ficava confuso porque o mundo inferior o adoecia com o nada. Grande era o medo da concussão que viria pelo desejo de abandono, pelo desejo da morte. Na verdade, era a preguiça de tudo recriar, como das outras vezes, e também pelo apego aos seres, que não sabia reconstruir fielmente: Ah, nunca seriam como antes! Ele gostaria de falar e chorar, mas as criaturas nunca poderiam entendê-lo, jamais conseguiriam se colocar na sua posição. Assim, era o responsável por se fazer apreciado. Tudo o que inventava, ele achava aquém de si próprio, justamente porque era o máximo. Ao se ver, podia perceber as suas falhas: o tempo, o movimento, a repetição, a vontade, que o impulsionavam para o abismo, pois, embora não houvesse o futuro, ele não tinha completa consciência da ordem de tudo.
Uno
Deus nos espanta com o passado,
doce e cruel a mim foi arremessado.
A vida guia a minha pena vibrante
para aqui ficar,
sem ir adiante.
Como mil centopéias,
tenho braços que te abraçam,
e tu, minha velha,
meu coração trespassa.
O ouro me tenta.
A carne me suberge.
A vida que é lenta,
da corrida me perde.
Ao não dizer, não digo.
Minh’alma fere quem pouco entende.
Para falar, um perigo,
ao proferir mudo, à toda gente.
Pobre figura
Deus era um guri que vivia aqui em Porto Alegre. Era franzino e bobo e não imaginava o que era. Criar o universo era a sua diversão, mas não tinha ideia da profundidade e das consequências do seu ato. À medida em que o tempo passava, as coisas que criou foram se voltando contra ele mesmo. A inércia fazia com que os pensamentos malignos se acumulassem, e o mundo virou um inferno, graças à sua tendência negativa. Assim, sofreu por incontáveis eras, prisioneiro da realidade que criara. Quando ele percebeu que o mundo era apenas um reflexo dele mesmo, se viu na maior solidão que poderia haver. No entanto, como tinha criado o mundo por diversão, ele viu que era bom. Foi um empreendimento e tanto, as ideias presentes nas mais variadas formas, a repetição para que não se esquecesse da sua condição, impedindo que mergulhasse na ignorância do esquecimento, o passado construindo o presente, sempre atrasado, mas antevendo o futuro. Pobre Deus, uma criatura insignificante e perdida que já se achou o todo-poderoso.
