Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
O ápice da desigualdade entre os homens,é quando eles tentam provar que todos somos iguais ignorando um dos princípios da criação, a individualidade.
Me sinto triste, exponho e dou a cara a tapa pro seu julgamento. Cansei de fingir que está tudo bem e ignorar o sofrimento. São dias que vão passando ao qual não estamos vivendo. A cidade
cresce, enquanto a alma diminui. Francamente, me diz no que esse plano nos inclui? Espetáculo armado pra drenar juventude, depois vem o descarte
prático: mundo líquido ilude.
De todas as dores de um homem, a dor da perda é a mais terrível. No reino animal, nenhum outro ser chora por um ente falecido.
Aprendendo a navegar...
Estranha viagem é a vida. Somos lançados no mar da existência, em um pequeno bote, que chamamos corpo, dirigidos por um silencioso e estranho capitão, que chamamos alma, coração, mente... ou qualquer outro nome.
Ambos não se conhecem e talvez a única razão dessa estranha viagem seja possibilitar a aproximação desses estranhos navegantes.
Nas noites de tempestade, o pequeno barco percebe, aterrorizado, a sua patética fragilidade. Nesses momentos, transforma seu desespero em uma prece e tenta se agarrar a alguma verdade inventada, alguma certeza “absoluta”, a algum deus generoso para chamar de Pai.
Mas a fúria do mar revela a exata dimensão de tudo o que nos cerca, mostra que nossa ignorância não tem alcance para certezas absolutas, nossas verdades não passam de possibilidades que não possuem raízes no nosso coração e nosso Deus Pai continua tão silencioso quanto no dia em que o primeiro homem lançou ao mundo seu primeiro grito de horror em busca de um alento.
Onde estão as mãos que me colocaram nesta estranha viagem, sem guias, mapa ou uma bússola que me aponte um norte qualquer?
Por que não consigo compreender a rota que esse capitão sussurra e teimo em navegar por caminhos estranhos, que me afastam, cada vez mais, do meu porto seguro?
Sem certezas ou verdades, apenas amparada pelo anseio, ou pela suspeita de um Deus Pai, onde posso aportar meu abandono?
Na vida, não sei qual o sentido.
O principal é a racionalidade ou o lirismo?
A vida real é fixa na matéria ou flui no metafísico?
O certo é viver pelo todo ou viver no egoísmo?
Quantos corações eu já feri com a minha verdade. Afastei todos de mim e vivi na solidão dessa cidade.
Fazer arte é fácil,
quero ver você se expor.
Às vezes, tenho a impressão de estar sendo enganado, primeiro te usam, depois, na lixeira é descartado. É tudo jogo de interesse, depende do momento. Cansei de acreditar em histórias contadas, vou apostar na vida, agora é tudo ou nada. Encaro como uma guerra, se a montanha não vem até mim, eu vou até ela. Em instantes, a bela se transforma em fera, coisas que o tempo supera. Mas sempre fica aquela lembrança. Não dá nada, por mais dura que a vida seja, ela nunca me larga. Destino é consequência do passado, mesmo que eu pense em tudo, tem coisas que escapam.
Dessa vez, era diferente, eu desconfiava, ele mudou de repente, as pistas entregavam. Ele pensava em lutar por sua honra, cansou de ser enganado nesse mundo que é uma zorra. Colocou em sua cabeça que não importava à consequência. Dizia que entregou seu coração, isso estava machucando até que ele tomasse a decisão.
Eram angústias, consequências de um erro. Me faço perguntas, por isso eu leio. Parece tudo muito estranho, como se fosse parte de um plano. Quanto mais os dias passam, sinto que minha hora está chegando.
Nas redes, geralmente, mostramos apenas o lado bom da vida.
A outra parte, revelamos na sessão de terapia.
Quantas vezes disseram que o que faço é loucura. Me pergunto: o que esses trazem de valores para nossa sociedade? Além do apego a vaidade? Aqui, são poucos de verdade.
