Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Meu Guardião!
Imensurável a tristeza que oprime o peito... é uma dor que não sei de onde vem e quando vai.
Sou um pássaro preso na gaiola dessa vida... que canta, porque Deus deu o dom...
Ou...
Canto, para Deus não me esquecer aqui.
O véu do pranto embaça o olhar, que antes brilhava pelo sorriso franco... branco...
É um pesar que curva os ombros e num lamento tombo, cansada das lutas inglórias...
Me arrasto em trapos... vestes, alma e coração... pedindo perdão pelo que...?
Não sei!
Nenhuma vontade me domina, só lamento essa sina, que em fardos carrego sem saber o porque.
Mas...
Se tua mão me erguesse e de minhas feridas cuidasses...
Se teu olhar me iluminasse, meu mundo seria o teu.
E na fusão dessas almas feridas, abraçadas... perdidas...
Seriam enfim pelo amor afagadas, cerzidas... cicatrizadas.
Meu bem, apenas bem. Tu que já não me pertences. Ou já me pertenceu? Tu nunca teve posse, erro meu achar que esse coração me pertencia, que essa alma sempre permaneceria junto a minha. De todos os meus pecados, não te fazer sentir amada, sorrir aos ser beijada, me assombram como fantasmas.
Me perdoe, não pelo mal que te fiz, mas pelo bem que poderia ter feito e te neguei.
Meu bem, não mais posso te dizer o quanto eu te amo, te sonho, te chamo, te quero…
Como dói as lembranças que nunca vivi.
Se mais uma chance me destes, te provaria que a felicidade te encontraria em meus braços. É tarde demais, o tempo passou... Perdemos o tiro de largada.
Doce caminhada.
Me mostra... não esconda...
Me mostra... e começarei a tremer...
Me mostra... faz meu sangue ferver...
Me mostra... me faz delirar...
Me mostra... sem hesitar...
Me mostra... e deixa mais uma vez eu ver...
Esse sorriso lindo e singelo... impossivel esquecer.
Castelo de Cartas
Construí meu castelo, acreditava ser forte e inabalável. Usei como material muito amor, amizade e confiança, pensava estar muito bem protegido de tudo e de todos no seu interior. Eis que a vida manda uma leve brisa e o desmonta, estou atordoado, derrotado, quão frágil e incerta é a vida, jamais teremos certeza de nada.
``Entreguei meu barco ao mar,esperarei pacientemente por águas tranquilas,mas sem nunca desviar o meu olhar do leme.´´
Macabeu
Meu mundo escureceu
Quando das cinzas se emergiu
Aquele velho frio
No silencio que se rompeu
Quanto o céu cedeu
E o primeiro cavaleiro saiu
Minha raiva surgiu
E nos homens o medo cresceu
O segundo cavaleiro aluiu
O terceiro o seguiu
Por fim o quarto apareceu
E a fê dos homens se perdeu
E a esperança que se extinguiu
Sem saberem que o verdadeiro terror sou eu
Meu coração que andava só
Meu coração que andava só,
Agora se encontrou com o seu.
A minha vida deu um nó,
Quando cruzou com abraço teu.
Talvez se eu não tivesse
Passado aquela hora por ali,
Talvez hoje não estivesse
Como eu tô. Eu to feliz!
Meu coração que andava só,
Agora se encontrou com o seu.
A minha vida deu um nó,
Quando cruzou com abraço teu.
Não quero que a vida passe
E eu fique sem você.
Me ligue ou mande uma mensagem,
Eu to maluco pra te ver.
Meu coração que andava só,
Agora se encontrou com o seu.
A minha vida deu um nó,
Quando cruzou com abraço teu.
Pra nós dois nos encontrarmos,
O destino fez estrada.
Sem dizer nada então chegou
E no meu peito fez morada.
Lembra-te
Depois do meu inevitável fim
Quero que lembra-te de mim
Para então viver em tua memória
Isso será minha vitória
Em tuas lembranças serei eterno
Como meu amor sempre será por ti
E os frutos deste em si
Sentimento puro e terno,
Amor do outro lado te espero...
Hoje acordei tão feliz!
Olhei o sol senti seu calor,
Fechei os olhos e senti o vento no meu rosto,
Olhei o mar e o movimento das ondas me fez lembrar de você,
Do movimento dos seus braços no meu corpo,
Olhei para as montanhas e a sua solidez me fez lembrar de você,
Do segurança do seu abraço, do conforto do seu peito,
Olhei o céu e o azul me fez lembrar de você,
Do seu olhar quando me ama,
Do seu olhar quando me deseja,
Olhei para dentro de mim,
E meu coração me fez lembrar de você,
De como ele bate forte,
De como ele está mais feliz depois que te conheci.
Hoje acordei tão feliz!
Reticência...
Me desculpe por me sentir assim
Tão tanto seu, tão pouco meu
Nos braços de seu abraço
Me desculpe por não ter
O jeito que gostarias
Nem a idade que esperavas
Ah, me desculpe
Por somente saber amá-la
Com um amor que desconheces
Me desculpe por demorar
A perceber que não fui bastante
Nem útil e tampouco importante
Me desculpe por ser tão tolo
Por acreditar em mil bobagens
Por descrer das meias verdades
Me desculpe por ter mais que esperança
Por duvidar que nunca é tarde demais
Por meus olhos a verem melhor do que és
Me desculpe por teimar em sonhar
Por acordar mais vezes que adormecer
Por nomeá-la Princesinha em meu amar
Me desculpe pelos sonhos que sonhei
Por “obrigá-la” a dizer palavras difíceis
pelas frases tristes na hora da partida
Me desculpe pela quase heresia
De ter tido a pretensão de um dia tê-la
Pagarei com minha paz esse pecado
Me desculpe pelas cartas, poemas
Pelas lágrimas incontidas e fáceis
Mas somente pelas que não eram de alegria
Me desculpe a voz embargada
Pelo meu canto vadio e desafinado
Pelas falas que invadiram a madrugada
Me desculpe por não lembrar
Que não residia em ti o poder de aquiescência
E por fazer de seu silêncio, minha reticência
Ti...
Hoje, faço uma canção
Que arda como fogo
Pra queimar uma paixão
Meu corpo, ora voraz
Já sente tantas dores
Das esquinas que dobrou
O amor me fez errante
Mercante da ilusão
Me fez também guerreiro
Sentinela da dor
Tombando notícias
Que trazem de ti
Hoje, não tem temporais
Amiga que tive
Sumiu por ai
A Ver Estrelas...
Hoje, cumpro meu fadado destino
Deixo-me banhar em poesia
Lapidada e inspirada em olhos teus
Sob um céu amante que me fascina
Pois era noite em minha louca sina
E foi lá do terreiro de vó Lenina
Que num repente chamei a ver estrelas
Minha doce amada, inda adormecida
E mesmo em face de seu seguro sono
Olvidara ela ser pueril o encanto
Em quase magia, o desejo e o acalanto
Serenar-se pura, tal qual ingênua criança
Sonhar serena, entregue em braços meus
"TEMPUS PERDIDI" - O TEMPO PERDIDO
Levei a arquitetar, no meu passado,
Uma torre de sonhos e quimeras,
E lá dentro, na torre, como feras.
Prendi os meus desejos com cuidado.
Numa aureola de amor, inebriado,
Meu coração, perdeu-se, nessas eras,
Em Loiras fantasias, primaveras
Cheias de flor, num sonho embalsamado.
Um dia despertei; olhando o mundo,
Perdi a fantasia; diante de meus olhos
Havia um longo abismo negro e fundo.
E o meu olhar chorava! hoje sorri:
É que num roseiral transformo abrolhos;
Pasmado só - do tempo que perdi!
Coimbra, Portugal - 1907
