Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Minhas páginas voltadas, meu livro escrito, minhas bordas recheadas e meu caminho aflito! Tudo isso deixo do lado da estrada, quando sorrateiro pela madrugada sei que ouve a chuva comigo! Ela realmente parece uma canção de ninar. Ela embala nossos corpos e canta a nós sua satisfação em existir. Versos da passagem, poesia de uma viagem e eu aconteço antes mesmo do porvir.
A chuva se vai.... Mas sua ausência dura o exato tempo da clemência, quando implorando, pedimos para ela voltar e acompanhar o canto dos pássaros e invocar mais gotas de eternidade para nos banhar!
Em meu caminho, encontro buracos, pedras e montanhas. Nos buracos, encontro água e mato minha sede, as pedras uso para repousar durante a caminhada e é subindo as montanhas que consigo ver ao longe e corrigir minha rota.
No meu trajeto, deparo-me com buracos, pedras e montanhas. Nos buracos, encontro água para saciar a sede; as pedras servem de apoio para descansar durante a caminhada, e ao escalar as montanhas, consigo contemplar o horizonte e ajustar a minha rota
O que fizeste? Me fizeste te amar.
Com um sorriso, conquistaste meu coração.
Agora, somos um, para sempre separados pelo destino
Ass Cícero Lyra
Não tenho culpa de ser quem sou,
De andar diferente,
Minha alma é livre, meu coração é forte,
Não preciso seguir o caminho trilhado. Pelos outros
Meu passo é único, meu ritmo é próprio, essa história é minha,
Não me culpo por ser autêntico,
Sou eu, sem máscaras, sem medo.
A diferença é a beleza, é arte,
É a essência da minha existência.
Não peço desculpas por ser quem sou,
Sou orgulhoso de minha individualidade.
Ass Cícero Lyra
Quem és tu que se apresenta e me permite de te interpretar? Quem és tu que me olha e se expõe ao meu olhar? Seria um estranho? Um outro eu? Não seria um estranho, nem tampouco outro de mim. Pois, te acolho em minha mente e de tal modo o vejo aí. Tu és meu íntimo presente em um habitat diferente, que me acolhe e me permite de contigo formar o nós, eu e você.
Bolha
Não quero ser condenado
Sem julgamento prévio
Uma sombra ao meu lado
Ainda sou pouco velho
Se eu pudesse fugir então
Sair de vez dessa bolha
Viver apenas uma emoção
Se houvesse tal escolha
Quando estou preso, sofro
Nas grades que eu criei
Agonizo tanto e não morro
Muita ruína já suportei
Não pretendo assim seguir
Se preciso, recriarei o ar
Sobretudo, tenho que sair
Encontrar o que respirar
Estou cansado da miséria
Intelectual, moral, anormal
Eu até viajaria à Coreia
Qual das duas? Dúvida real
Difícil aceitar o óbvio
E tudo que está por vir
É estranho ficar sóbrio
Essa bolha irá explodir!
Cair noturno
Enquanto digito no meu teclado
Imaginando quaisquer pecados
Que um padre, por aí, perdoou
Estou certo de que ele já amou
Afinal a humanidade é uma só
Bem como cada ser é individual
Todos erramos e até repetimos
Fugindo de um lado intelectual
Aparências caem no cair noturno
Cada um demonstra o que ele é
A essência convive com o existir
Conheçamos ou não um Maomé
Ignorando os credos, seguimos
Com a força da bênção interior
A realidade nem sempre é dura
Basta uma reflexão a todo vapor
Olho a mim mesmo, me conheço
Todavia perco-me em pleno ar
Conspirando sobre o outro lado
Como um marinheiro sem mar
Não queremos dedos apontados
Precisamos de abraços de perdão
Somos sempre jovens insensatos
Apenas romancistas sem religião.
Yin-yang
Estivemos juntos durante horas
Em uma conexão rara de se ver
Yin complementando meu yang
Causa natural para se envolver
Então ela decidiu sumir do mapa
Retornando após duas semanas
Como se nada tivesse acontecido
Desfilando com suas Havaianas
Mal se desculpou, estava serena
Autointitula-se dona de si mesma
Rejeitando o relacionamento sério
Fã de estrangeirismos com trema
Que complicada a delicada dama
Embora não a ache inconquistável
É uma jovem zelosa, diferenciada
Arrebatada por coragem indomável
Os livros que ela lê eu já li todos
A residência dela deve ser logo ali
Possivelmente já passei na frente
Com uma mente dispersa, de guri
Atiçarei a vaidosa com uma pena
Tirando-a da sua zona de conforto
Ela, sem dúvida, virá perfumada
Para o nosso inevitável confronto.
Alter ego
Sobre meu alter ego: possui insanidade
É tresloucado e apronta quando aparece
Sendo difícil que ele passe despercebido
Tem bastante gente que já lhe conhece
Eu sou calmo e cauteloso normalmente
Assim, fica nítido que nos diferenciamos
Às vezes, temos confrontos peculiares
E, a cada um deles, mais nos separamos
Ora reina tranquilidade, ora há agitação
Dependendo de qual as rédeas assume
Em um mundo de escolhas antagônicas
Se pode ser bálsamo e também chorume
Ele responde pelos problemas causados
Haja vista que eu não tenho nada a ver
Quando meu alter ego chega, eu sumo
Orando para uma tragédia não ocorrer.
A guria do quadro
Meu amigo teve uma iniciativa fenomenal
Tornou arte uma foto da guria que ele ama
E colocou num quadro, para espanto geral
A natureza ao fundo dos olhos de tal dama
Ironicamente, esses dois não estão juntos
Já que nem marido por aí faz algo do tipo
Homens assim certamente não são muitos
Em razão disso, de orgulho eu me equipo
A menina estelar foi eternizada numa obra
Lá da Terra do Espumante, de alto escalão
Inspirou um propósito romântico de sobra
Se tornando motivo de legítima admiração
Ainda há beleza no mundo, posso apostar
Alguns fazem sem esperar nada em troca
Imagino que se os objetos pudessem falar
O quadro comentaria: “É o amor. Se toca!”.
